África do Sul admite obstáculos e descarta F1 a curto prazo

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 às 9:14

GP da África do Sul – 1982

A longa tentativa da África do Sul de recolocar a Fórmula 1 no continente africano sofreu um forte choque de realidade.

Desta vez, o próprio ministro dos Esportes, Gayton McKenzie, admitiu que um GP não deve acontecer tão cedo. Até recentemente, o discurso era otimista. No entanto, o tom mudou de forma clara.

Segundo McKenzie, o governo subestimou a dimensão, os custos e a complexidade envolvidos na organização de uma etapa da principal categoria do automobilismo mundial. Isso ocorre mesmo com os avanços no histórico Autódromo de Kyalami.

“No próximo ano, definitivamente não”, afirmou McKenzie em entrevista à emissora eNCA. “Subestimamos o que é necessário para sediar a F1. Ainda assim, a F1 nos apoiou. Por isso, agora contamos com especialistas e estamos montando uma proposta que eles não poderão recusar”.

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Kyalami avança tecnicamente, mas enfrenta desafios financeiros

Enquanto o discurso político se ajusta à realidade, Kyalami segue avançando no aspecto técnico. O circuito iniciou um processo dispendioso para alcançar a homologação Grau 1 da FIA, exigência básica para receber a F1.

Atualmente, os investimentos são estimados entre US$ 5 e 10 milhões. Além disso, as intervenções se concentram em áreas de escape, sistemas de barreiras, cercas de contenção de detritos, zebras e drenagem. Ainda assim, o traçado original da pista permanecerá inalterado.

Apesar desse progresso, outro fator se mostra ainda mais limitante: o calendário da categoria.

Calendário cheio reduz chances de novas corridas

Atualmente, a F1 já tem 24 provas confirmadas para 2026. Além disso, praticamente todos os circuitos possuem contratos de longo prazo, o que reduz drasticamente a margem para novas inclusões.

Nesse contexto, apenas o acordo de Barcelona está próximo do vencimento. Mesmo assim, o circuito espanhol mantém a opção de renegociar com a FIA, o que pode fechar mais uma porta.

Para complicar ainda mais o cenário, Portugal já está garantido nas temporadas de 2027 e 2028. Ao mesmo tempo, o GP da Bélgica adotará um sistema rotativo a partir de 2027. Como resultado, o espaço para novas etapas se torna extremamente restrito.

Especialistas mantêm postura cética

Diante desse cenário, o ceticismo cresce entre analistas do setor. O jornalista automotivo Sudhir Matai, editor do site Double Apex, questionou publicamente o progresso apresentado pelo governo sul-africano.

“O ministro já declarou que fracassaria se não trouxesse a F1 de volta à África do Sul”, escreveu Matai. “Isso o transformou em herói entre os fãs. No entanto, apesar de declarações otimistas frequentes, continuamos sem estar mais próximos de uma corrida em solo africano”.

Concorrência africana pode influenciar decisão final

Mesmo com as críticas, os responsáveis por Kyalami reforçam que os preparativos continuam em ritmo constante.

Segundo a administração do circuito, a pista estaria cerca de 90% pronta. Dessa forma, poderia, ao menos em teoria, receber a F1 já em 2027 ou 2028 caso surja uma vaga no calendário.

Entretanto, a África do Sul não é a única interessada. Ruanda também estuda uma candidatura e por enquanto mira 2029 como objetivo. Assim, o país pode se tornar um concorrente direto de Kyalami por uma das raríssimas aberturas futuras na agenda da categoria.

 

LS - www.autoracing.com.br

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