ADUO explicado: Como a FIA avalia os motores da F1
segunda-feira, 22 de junho de 2026 às 20:34
“A unidade de potência de 2026 combina motor a combustão, sistema híbrido e bateria, mas o ADUO considera apenas o desempenho do ICE.
ADUO explicado: desde que a FIA divulgou os primeiros resultados de sua avaliação das unidades de potência de 2026, a sigla passou a dominar as discussões técnicas da Fórmula 1.
A surpresa foi grande quando a entidade concluiu que a Red Bull Ford Powertrains possui atualmente o motor de combustão interna mais potente da categoria. Ao mesmo tempo, Ferrari, Mercedes, Honda e Audi receberam concessões para desenvolver seus motores.
Mas como a FIA chegou a essa conclusão?
Muitos torcedores acreditam que a entidade colocou todos os motores em uma bancada de testes ou mediu a potência diretamente nas rodas. No entanto, o processo funciona de forma completamente diferente.
A FIA criou um sistema próprio chamado ICE Performance Index. A partir dele, os engenheiros analisam dados coletados durante os finais de semana de corrida para estimar o desempenho dos motores a combustão.
O que é o ADUO?
ADUO significa Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização.
A FIA criou o sistema para evitar que um fabricante fique preso por vários anos a uma desvantagem técnica impossível de recuperar.
Por isso, quando um fabricante apresenta um défice mínimo de 2% em relação à referência da categoria, ele recebe oportunidades extras de desenvolvimento, horas adicionais de bancada e margem financeira complementar dentro do teto orçamentário destinado às unidades de potência.
Dessa forma, a FIA tenta evitar que um único fabricante domine o regulamento durante todo o ciclo técnico.
Por que a FIA excluiu a parte elétrica?
Este é o ponto mais importante para entender toda a polêmica.
O ADUO não avalia a unidade de potência completa. Em vez disso, ele considera apenas o desempenho do motor a combustão interna, conhecido como ICE.
Portanto, os seguintes elementos ficam fora da classificação:
* bateria;
* de gerenciamento;
* recuperação de energia;
* estratégias de deployment;
* eficiência geral do sistema híbrido.
Naturalmente, muitos fãs questionaram essa decisão.
Entretanto, a própria FIA revelou que os fabricantes queriam exatamente essa metodologia durante a elaboração do regulamento.
Segundo as equipes, comparar baterias, softwares e estratégias elétricas seria muito mais complexo e poderia gerar discussões ainda maiores.
Consequentemente, o regulamento passou a considerar apenas o motor a combustão.
Então por que a FIA mede o MGU-K?
À primeira vista, isso parece contraditório.
Se o ADUO mede apenas o ICE, por que a FIA monitora a potência do MGU-K?
A resposta está justamente no método de cálculo.
Em 2026, o carro recebe potência simultaneamente do motor a combustão e do sistema elétrico.
Por isso, a FIA precisa descobrir quanto da potência total vem do MGU-K antes de calcular quanto o ICE realmente produz.
Em outras palavras, o MGU-K não participa da classificação final.
Porém, ele participa dos cálculos que permitem aos engenheiros separar a contribuição elétrica da contribuição do motor a combustão.
Assim, o sistema elétrico entra na equação apenas para que a FIA consiga removê-lo da conta final.
Esse detalhe explica uma das partes mais sofisticadas do ICE Performance Index.
Como a FIA mede os motores?
Ao contrário do que muitos imaginam, a FIA não mede a potência nas rodas.
Além disso, ela também não utiliza uma bancada externa para comparar diretamente os motores.
Em vez disso, os engenheiros analisam dados provenientes de sensores homologados instalados nos próprios carros.
Entre os principais parâmetros avaliados estão:
* torque no eixo de entrada da transmissão;
* rotação do motor;
* potência do MGU-K;
* influência da potência sobre o tempo de volta em diferentes circuitos.
Todos esses dados seguem para a ECU padrão da FIA.
Posteriormente, os engenheiros utilizam essas informações para construir o ICE Performance Index.
O parâmetro mais importante recebe o nome de input shaft torque.
De forma simplificada, ele representa o torque que chega à transmissão antes de seguir para as rodas.
Por esse motivo, a FIA consegue estimar a contribuição do motor sem recorrer a dinamômetros externos ou testes de bancada.
Assim:
ICE → Input Shaft Torque → Transmissão → Rodas
MGU-K → conectado ao conjunto motriz
“A FIA utiliza principalmente medições de torque no eixo de entrada da transmissão para estimar a potência produzida pelo motor a combustão.”
Por que a Red Bull pediu uma revisão?
Presumivelmente, a Red Bull não contestou a metodologia do ADUO.
Laurent Mekies deixou claro que a equipe sempre concordou com uma avaliação baseada apenas no motor a combustão.
Por outro lado, a equipe não concorda com o resultado encontrado pela FIA.
Segundo a Red Bull, os dados observados nas pistas não indicam uma vantagem consistente sobre a Mercedes.
Além disso, a equipe considera que seu desempenho em circuitos muito dependentes de potência não combina com a posição de referência apontada pela entidade.
Por causa disso, a Red Bull solicitou uma nova análise dos dados coletados.
A FIA aceitou revisar os números antes da divulgação definitiva dos resultados.
O verdadeiro objetivo do sistema
A controvérsia envolvendo a Red Bull acabou desviando a atenção do principal objetivo do ADUO.
Afinal, o sistema não existe para apontar qual fabricante possui a melhor unidade de potência da Fórmula 1.
Na realidade, ele busca identificar quais fabricantes estão atrás especificamente em termos de motor a combustão.
A partir dessa análise, a FIA concede oportunidades adicionais de desenvolvimento para reduzir as diferenças de desempenho.
Por isso, uma fabricante pode possuir a melhor unidade de potência completa do grid e, ainda assim, não ter o melhor motor a combustão.
Da mesma forma, uma fabricante pode liderar a avaliação do ADUO sem apresentar o conjunto híbrido mais eficiente da categoria.
Essa diferença ajuda a explicar toda a discussão atual dentro do paddock.
Mais importante ainda, ela poderá influenciar diretamente a disputa pelo campeonato mundial de 2026, já que Ferrari, Mercedes, Honda e Audi terão oportunidades extras para reduzir a diferença em relação à referência estabelecida pela FIA
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