Wolff defende decisão da Haas de afastar Ocon: “Ayao precisava proteger a equipe”
sexta-feira, 6 de novembro de 2026 às 16:00Toto Wolff defendeu a decisão da Haas de afastar Esteban Ocon após o GP da Cidade do México. O chefe da Mercedes afirmou que Ayao Komatsu precisava proteger sua equipe diante do conflito com o piloto francês. Além disso, revelou que Ocon acreditava não ter cometido nenhum erro em suas declarações.
A Haas anunciou no sábado do GP do México que Ocon não participaria do restante do fim de semana. A decisão ocorreu após uma discussão pelo rádio durante o segundo treino livre, quando o francês questionou uma orientação de sua engenheira, Laura Mueller.
Na ocasião, Mueller pediu que Ocon trocasse os pneus macios pelos médios durante uma sequência de voltas com bastante combustível. O piloto contestou a ordem, e a tensão aumentou durante a reunião da equipe na sexta-feira.
Komatsu preferiu não revelar os detalhes da discussão. Entretanto, na terça-feira, a Haas confirmou que Ocon também ficaria fora dos quatro GPs restantes da temporada.
Ryo Hirakawa substituiu o francês no México e terminou em décimo depois das punições aplicadas após a corrida. Com isso, o japonês conquistou um ponto.
Já Rafael Câmara, que havia recebido a confirmação de sua vaga na Haas para 2027, fará sua estreia na Fórmula 1 diante da torcida brasileira no GP de São Paulo.
Quero ser VIPWolff explica conflito entre Ocon e Komatsu
Wolff, que acompanha a carreira de Ocon desde as categorias de base, foi o primeiro dirigente de destaque da Fórmula 1 a comentar publicamente o rompimento.
Segundo o austríaco, a situação chegou a um ponto em que Komatsu precisava tomar uma decisão para preservar a autoridade da equipe.
“No fim, chegamos a um ponto em que Ayao precisava representar a equipe e protegê-la de determinado tipo de discurso”, afirmou Wolff à imprensa.
“Por outro lado, Esteban sentia, pessoalmente, que não estava errado nas coisas que disse”, acrescentou.
O chefe da Mercedes destacou que, independentemente das opiniões dos pilotos, a equipe precisa manter o controle das decisões.
“É preciso respeitar que, no fim das contas, a equipe toma as decisões. O chefe precisa decidir quando chega a hora de dizer basta, e foi isso que Ayao fez”, explicou.
Mercedes e Vasseur ajudaram Ocon a chegar à Fórmula 1
Apesar de apoiar a decisão da Haas, Wolff relembrou sua longa relação com Ocon. A Mercedes participou diretamente do desenvolvimento da carreira do francês e ajudou a financiar sua chegada à Fórmula 1.
“Na Mercedes, assumimos a gestão da carreira de Esteban por causa de Gwen Lagrue. Foi assim que conhecemos Gwen, quando a Gravity entrou em dificuldades. Depois, concordamos em trabalhar com Fred Vasseur na GP3. Conquistamos o campeonato juntos”, recordou.
Na sequência, a Mercedes buscou alternativas para manter Ocon em atividade, já que não havia uma oportunidade imediata na Fórmula 1.
“Depois, não havia realmente uma oportunidade na Fórmula 1. Então surgiu a possibilidade no DTM, e fizemos isso juntos”, explicou.
Wolff também revelou um episódio pouco conhecido sobre a estreia de Ocon na categoria, que aconteceu pela Manor no GP da Bélgica de 2016.
Segundo ele, a equipe precisava de dois milhões de dólares para disponibilizar a vaga ao francês. A Mercedes conseguiu oferecer metade do valor, enquanto Vasseur assumiu pessoalmente o restante.
“Não sei se isso é conhecido, mas, quando surgiu uma vaga na Manor a partir de Spa, eram necessários dois milhões de dólares”, revelou.
“Dissemos que poderíamos fornecer um milhão de dólares por aquela vaga, mas ainda faltava um milhão. Fred colocou o dinheiro pessoalmente para dar essa oportunidade a Esteban”, contou.
O austríaco ressaltou que tanto a Mercedes quanto Vasseur fizeram grandes esforços para ajudar Ocon a construir sua carreira.
“Durante todos esses anos, acho que todos nós demos muito apoio e nos esforçamos bastante para garantir que Esteban tivesse a melhor oportunidade possível”, concluiu.
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