Verstappen revela danos na parte inferior da coluna
sexta-feira, 23 de outubro de 2026 às 8:54
Max Verstappen
Max Verstappen revelou que exames médicos identificaram danos na parte inferior de sua coluna após anos competindo na Fórmula 1.
O piloto da Red Bull também alertou para o impacto físico das forças verticais que os carros transmitem ao corpo, principalmente em circuitos irregulares como o de Austin, palco do GP dos Estados Unidos.
Em conversa com jornalistas antes do fim de semana, o tetracampeão explicou que os pilotos enfrentam cargas que vão muito além das forças laterais geradas nas curvas.
Além disso, ressaltou que determinadas irregularidades do asfalto podem provocar impactos verticais extremamente intensos.
Verstappen citou como exemplo o Circuito das Américas, conhecido pelas ondulações em diferentes trechos da pista.
“No ano passado, por exemplo, você sofre cerca de 5 a 6 G em uma curva. Entretanto, tive alguns impactos com cargas verticais superiores a 9 G sobre minha coluna. Posso garantir que isso não é nada agradável”, afirmou.
O holandês também reconheceu que passou a se preocupar mais com essas consequências físicas à medida que envelhece. Afinal, os impactos acumulados podem representar um problema cada vez maior ao longo da carreira.
“Principalmente à medida que você envelhece, começa a pensar cada vez mais nisso. Não é algo que você deseja”, acrescentou.
Quero ser VIPVerstappen explica como os carros castigam a coluna
Segundo Verstappen, o problema também está relacionado ao comportamento dos carros durante as frenagens. Nessas situações, a altura em relação ao solo diminui, e o assoalho pode sofrer contatos mais fortes com a pista.
“Com esses carros, principalmente nas frenagens, você bate muito mais forte no chão. Quando as asas fecham e a altura do carro diminui durante a frenagem, esse momento se torna bastante exigente fisicamente”, explicou.
O piloto destacou que as ondulações de Austin nem sempre são previsíveis. Algumas não resultam apenas do desgaste natural do asfalto, mas também do movimento do solo sob a superfície.
“Sei que aqui existem lugares bastante irregulares durante as frenagens”, afirmou.
“Principalmente quando aparecem essas ondulações estranhas, causadas não apenas pelo envelhecimento da pista, mas também pelo solo se movimentando para cima e para baixo, às vezes é muito difícil prevê-las”.
A situação pode piorar quando o piloto sai ligeiramente da trajetória ideal. Nesse caso, ele pode encontrar irregularidades que não conhece tão bem, já que outros carros nem sempre passam exatamente pelo mesmo ponto.
“Se você estiver um pouco fora da linha ideal, não sabe o que vai encontrar, porque às vezes ninguém passa exatamente por ali. Não é nada agradável, e acho que as pessoas não entendem muito bem isso”, acrescentou.
Verstappen então fez uma revelação preocupante sobre os exames que realizou.
“Posso dizer que, pelos exames que fiz na minha coluna, a parte inferior não está em boas condições”, declarou.
Tetracampeão critica o impacto físico dos carros
As declarações de Verstappen reacendem o debate sobre as consequências físicas dos carros com efeito solo, introduzidos em 2022.
Naquele período, as equipes passaram a trabalhar com carros muito próximos do asfalto e suspensões rígidas para maximizar a performance aerodinâmica do assoalho.
Consequentemente, o fenômeno conhecido como quique, caracterizado pelas oscilações verticais do carro, provocou reclamações de vários pilotos. Alguns relataram dores nas costas, enquanto a FIA adotou medidas técnicas para limitar as oscilações excessivas.
Embora o regulamento tenha mudado no início de 2026, Verstappen deixou claro que não considera os danos físicos uma consequência aceitável da competição.
“Sei que isso faz parte das corridas. Entendo que pode fazer parte do esporte, mas também são danos adicionais provocados pelos carros que tivemos nos últimos anos”, afirmou.
O piloto ainda alertou que aceitar esse nível de desconforto pode trazer consequências maiores no futuro.
“Se continuarmos considerando aceitável pilotar carros nessas condições, vamos sofrer muito mais com isso”, acrescentou.
Verstappen também rebateu o argumento de que outros esportes apresentam riscos físicos ainda maiores.
“As pessoas podem dizer: ‘Existem esportes piores, nos quais você pode machucar partes do corpo’. Com certeza, mas é por isso que não pratico esses esportes. Então, sim, não é nada agradável”, concluiu.
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