Brundle vê sinais de desgaste na estrutura da F1

domingo, 18 de outubro de 2026 às 14:00

Martin Brundle

Martin Brundle acredita que a Fórmula 1 apresenta sinais de “desgaste” após uma sequência de falhas técnicas nos dois últimos fins de semana de GP, na Malásia e em Singapura. Para o ex-piloto, os problemas recentes indicam que a estrutura operacional da categoria está sendo pressionada além do esperado.

No penúltimo domingo, durante o GP de Bahrain no Circuito Internacional de Sepang, uma falha no mapeamento das unidades de potência para condições de pista molhada obrigou a FIA a distribuir uma correção emergencial de software. O problema provocava perda irreversível de potência nos carros durante a volta de formação, quando o limite obrigatório de 250 kW entrava em ação.

A entidade liberou uma solução temporária que contornava as restrições de energia e permitia aos pilotos iniciar a corrida com segurança. Além disso, confirmou que uma atualização permanente dos parâmetros de chuva da ECU padrão será implementada no GP dos Estados Unidos, em Austin.

Brundle aponta sobrecarga na F1

Em Singapura, novos problemas surgiram na sexta-feira. Os painéis de cronometragem não registraram os tempos de volta de vários pilotos no fim do SQ1. Como resultado, a direção de prova precisou verificar a classificação, adiando o início do SQ2 em quase 20 minutos.

Além disso, a direção de prova reconheceu um “erro humano” operacional após um acidente de Sergio Perez, da Cadillac. O modo ultrapassagem foi ativado por cerca de 27 segundos antes de ser novamente desabilitado, concedendo um impulso desigual de energia a parte do grid.

Durante a transmissão da Sky Sports F1, Brundle avaliou que os episódios recentes revelam uma sobrecarga do sistema da categoria. Segundo ele, a correção do problema na Malásia aconteceu relativamente rápido, embora uma equipe tenha demorado mais do que as demais para obter a aprovação final da matriz.

“Eles resolveram isso muito rapidamente”, afirmou Brundle, referindo-se ao ocorrido na Malásia. “Uma equipe precisou de mais tempo do que as outras para conseguir a aprovação da sede. Isso custou mais dez minutos. Não vou dizer qual foi essa equipe.”

O comentarista também destacou que a falha apareceu em uma área inesperada do funcionamento do carro. “Havia claramente um problema em uma zona que não esperávamos, em um setor específico da volta. Estava errado. Não deveria acontecer, mas aconteceu.”

Ainda assim, Brundle ressaltou que as equipes conseguiram encontrar uma solução e seguiram com a programação. “Eles encontraram uma solução, criaram uma correção, as equipes a instalaram nos carros e todos fomos correr.”

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Calendário intenso preocupa o comentarista

Para Brundle, porém, o acúmulo de compromissos pode estar contribuindo para os problemas. O calendário recente exigiu seis corridas em sete fins de semana e nove em 11, além de deslocamentos constantes e da montagem de estruturas temporárias em diferentes partes do mundo.

“O que acho que estou vendo é desgaste. Temos seis corridas em sete fins de semana, nove em 11. Chegamos de paraquedas a instalações temporárias como esta, em Singapura, com pedaços aleatórios de concreto e asfalto espalhados pelo mundo”, explicou.

Ele também citou as falhas de cronometragem e de outros sistemas durante a classificação sprint em Singapura. Os problemas envolveram imagens onboard, rastreadores dos pilotos, tempos de volta, parciais de setor e informações transmitidas pelas equipes.

“Ontem tivemos mais algumas falhas na classificação sprint, não apenas por parte da FIA. Houve problemas curiosos com as câmeras onboard, os rastreadores dos pilotos, os tempos de volta, os parciais de setor, as informações transmitidas e outras coisas desse tipo.”

Na avaliação do ex-piloto, a estrutura da F1 está sendo submetida a uma pressão excessiva. “Acho que estamos forçando um pouco o sistema, mas isso não deveria acontecer no mundo da Fórmula 1.”

Brundle mantém paixão pela Fórmula 1

Apesar das críticas, Brundle deixou claro que os problemas recentes não diminuíram seu entusiasmo pela categoria. Ele destacou a evolução tecnológica dos carros e afirmou que não gostaria de ver a F1 voltar a uma época em que os motores aspirados e os comandos mecânicos dominavam os projetos.

“Adoro pilotar esses carros”, declarou.

“Se tivéssemos um motor aspirado, uma ligação mecânica para a alavanca de câmbio e um cabo de acelerador, não estaríamos aqui hoje com esse mundo incrível da Fórmula 1. Talvez estivéssemos praticando corridas amadoras na Europa.”

EB - www.autoracing.com.br

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