Ex-estrategista cobra conversa difícil entre Hamilton e Ferrari
sábado, 17 de outubro de 2026 às 10:15Bernie Collins defendeu uma “conversa difícil” entre Lewis Hamilton e a Ferrari para esclarecer os problemas de confiança nas decisões estratégicas da equipe. A ex-estrategista da Aston Martin acredita que o heptacampeão já não confia plenamente no muro de boxes da Scuderia após uma sequência de divergências durante as corridas.
A análise surgiu depois do GP de Singapura, quando Hamilton não entrou nos boxes durante o período de safety car virtual (VSC), apesar de a equipe ter feito a chamada pelo rádio. A decisão comprometeu sua estratégia e o deixou em sexto lugar, longe da disputa pelo pódio.
Frederic Vasseur, chefe da Ferrari, confirmou posteriormente que a equipe chamou o britânico para os boxes. Ainda assim, não ficou claro se Hamilton perdeu a entrada do pit lane ou decidiu ignorar a instrução. Para Collins, porém, o episódio não pode ser analisado isoladamente.
Em participação no Sky F1 Podcast, ela relacionou o ocorrido ao GP da Malásia, disputado na semana anterior, quando Hamilton também questionou uma decisão estratégica da Ferrari.
Quero ser VIPDivergências estratégicas preocupam ex-estrategista
Collins destacou que Hamilton começou a corrida na Malásia com pneus para pista seca, mas discordou da orientação para trocar para pneus intermediários quando as condições mudaram. Na ocasião, o piloto defendeu que deveria permanecer na pista e esperar, em vez de seguir a recomendação da equipe.
“Fred Vasseur obviamente afirmou depois da corrida que eles fizeram a chamada. Lewis perdeu a entrada ou ignorou a instrução, dependendo de como você queira interpretar a situação. Mas um piloto do calibre de Lewis não se esquece de fazer uma parada. Portanto, podemos considerar que foi uma decisão de não entrar, que a chamada chegou tarde demais ou algo do tipo. De qualquer forma, aquele momento foi crucial para a corrida”, avaliou Collins.
Em seguida, a ex-estrategista voltou ao episódio da Malásia, quando Hamilton discutiu com o muro de boxes antes de manter os pneus que já utilizava. Segundo ela, o britânico acreditava que a estratégia sugerida pela equipe estava errada, e o resultado acabou sendo semelhante ao de Charles Leclerc no fim da prova.
“Na Malásia, tivemos o mesmo tipo de falta de confiança, por falta de uma palavra melhor. Eles começaram com pneus para pista seca, depois veio a chamada para trocar pelos intermediários. Lewis disse: ‘Essa é a decisão errada; precisamos continuar assim’”, recordou.
“Ele discutiu com o muro de boxes, foi uma conversa tensa, permaneceu com os pneus que estava usando e, no fim, a situação ficou muito parecida com a de Leclerc. No entanto, acredito que isso mostra algo mais amplo: Lewis não está confiando na equipe da Ferrari”, acrescentou.
Leclerc seguiu a estratégia da Ferrari em Singapura
Os dois episódios tiveram consequências distintas para os pilotos da Scuderia. Na Malásia, Hamilton insistiu em sua própria avaliação das condições da pista. Já em Singapura, Leclerc seguiu a instrução da equipe e parou durante o VSC, enquanto o britânico permaneceu na pista.
Com isso, o monegasco terminou em segundo, atrás de Max Verstappen. Hamilton, por sua vez, perdeu rendimento nas voltas finais e cruzou a linha de chegada em sexto, a 53,188 segundos do vencedor.
Collins cobra esclarecimento sobre as decisões
Hamilton assumiu publicamente a responsabilidade pelo erro em Singapura. Tanto pelo rádio quanto nas redes sociais, o britânico reconheceu que a decisão foi sua, afastando a hipótese de que o resultado tenha ocorrido exclusivamente por uma falha de comunicação da Ferrari.
Mesmo assim, Collins acredita que a repetição de divergências exige uma análise mais profunda. Segundo ela, decisões tomadas em poucos segundos, como uma parada durante o VSC, não permitem longas discussões entre piloto e equipe.
“Ele está questionando as decisões deles e, em momentos de resposta rápida como esse, durante um VSC, não há tempo para discutir detalhadamente o que ele pensa, por que pensa daquela maneira ou por que discorda”, explicou.
A ex-estrategista também destacou a dificuldade de reconstruir a confiança quando piloto e equipe passam a questionar mutuamente suas escolhas. Na visão dela, Hamilton pode acreditar que estava certo ao discordar de uma estratégia em uma corrida, mas não necessariamente terá razão na situação seguinte.
Pit stop perdido amplia dúvidas sobre a estratégia
Além disso, Collins apontou outra oportunidade perdida em Singapura. Mesmo depois de não parar durante o VSC, a Ferrari ainda poderia ter considerado um pit stop convencional para colocar Hamilton em condições de superar Oscar Piastri. A equipe, porém, decidiu prolongar o stint e esperar pela possibilidade de um novo safety car.
“Também houve uma oportunidade depois de perderem o VSC para fazer uma parada completa e ainda conseguir terminar à frente de Piastri, mas eles não aproveitaram. Depois, decidiram prolongar o stint e torcer por outro safety car”, afirmou.
Para Collins, portanto, houve uma série de decisões que merecem uma revisão conjunta, e não apenas uma discussão sobre o erro de Hamilton.
“Acho que eles precisam ter uma conversa muito difícil entre Lewis e seus engenheiros, a equipe de estratégia ou Fred Vasseur, quem quer que precise participar. Precisam perguntar: ‘Onde está a confiança quando tomamos essas decisões? Qual é o protocolo para decidir o que fazer e por quê?’”, concluiu.
O desafio da Ferrari será esclarecer como as decisões estratégicas são tomadas e como Hamilton pode confiar nelas em situações de pressão. Com dois episódios recentes de divergência, o alinhamento entre o piloto e o muro de boxes ganha importância para evitar que novas oportunidades sejam desperdiçadas nas próximas corridas.
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