Horner revela vetos a Alonso e Leclerc na Red Bull
quinta-feira, 15 de outubro de 2026 às 0:06
Christian Horner e Helmut Marko
Christian Horner revelou que tentou levar Fernando Alonso e Charles Leclerc para a Red Bull, mas encontrou forte resistência interna. Segundo o ex-chefe dos Touros, Helmut Marko comunicou os vetos. No caso do espanhol, teria falado aparentemente em nome dos representantes de Max Verstappen.
O relato aparece na autobiografia “Drive”, com lançamento previsto para 22 de outubro. Trechos divulgados pelo jornal holandês NU.nl e repercutidos pelo Formule1.nl expõem divergências sobre a escolha do companheiro de Verstappen.
Entretanto, há uma distinção importante: Horner associa a resistência a Alonso ao entorno do holandês, mas afirma que a ordem para descartar Leclerc não partiu de Verstappen. A identidade de quem tomou essa segunda decisão permanece sem esclarecimento.
Alonso queria correr ao lado de Verstappen
Segundo Horner, Alonso manifestou interesse em dividir a equipe com Verstappen durante o GP do Japão de 2024. A possibilidade envolvia a temporada seguinte, quando a Red Bull precisaria definir o futuro da vaga de Sergio Perez.
Porém, Marko teria informado que os representantes de Verstappen não estavam satisfeitos com a ideia. Horner emprega o termo “aparentemente” ao descrever em nome de quem o então consultor falava.
Essa ressalva importa. O relato indica uma possível interferência do entorno do piloto, mas não apresenta uma ordem direta e nem identifica individualmente quem teria se oposto à contratação.
Leclerc também esbarrou em uma decisão interna
Antes disso, Horner havia conversado com os representantes de Leclerc no GP do Catar de 2023. Ele via o monegasco como uma alternativa forte, destacando sua velocidade, desempenho em classificação e postura coletiva na Ferrari.
No entanto, Marko também teria encerrado essa possibilidade. Assim, dois nomes de destaque ficaram pelo caminho nas discussões sobre o segundo carro da Red Bull.
Ao explicar o caso de Leclerc, Horner foi explícito: “Eu soube imediatamente que aquela ordem não vinha de Max”.
Portanto, atribuir os dois vetos diretamente a Verstappen seria distorcer a própria versão do ex-dirigente. Ainda assim, o relato deixa uma pergunta incômoda: quem tinha poder para impedir que o chefe da equipe avançasse nessas conversas?
A política por trás da escolha do segundo piloto
Pela descrição de Horner ao ocorrido, a escolha do companheiro de Verstappen envolvia mais do que velocidade e disponibilidade contratual. Havia também uma disputa de influência sobre os rumos da equipe.
Além disso, uma eventual resistência dos representantes de um piloto à contratação de outro merece questionamento. Defender os interesses de seu cliente faz parte do trabalho de um empresário. Porém, cabe à equipe decidir se esses interesses coincidem com os seus.
Se a Red Bull considerava Alonso ou Leclerc capazes de fortalecer sua dupla, precisava avaliar essa possibilidade pelos benefícios esportivos e pelas condições da contratação. O desconforto de um grupo influente não deveria, sozinho, encerrar a discussão.
Por outro lado, também não há garantia de que qualquer uma das negociações terminaria em contrato. Interesse, conversa e contratação são situações diferentes.
O relato não permite atribuir o veto a Jos Verstappen
O nome de Jos Verstappen exige o mesmo cuidado. Nos trechos consultados, Horner não identifica o pai de Max como autor dos vetos. Portanto, incluí-lo como responsável seria acrescentar uma acusação que o material não sustenta.
Isso não impede a cobrança por transparência. Pelo contrário: quando Horner menciona “os representantes de Verstappen” sem esclarecer quem decidiu, deixa espaço para dúvidas que seu relato não resolve.
Além disso, o próprio Horner precisa responder por sua participação. Ele comandava a equipe e defendia publicamente suas escolhas. Agora, ao apresentar sua versão dos bastidores, deve explicar quais decisões tomou, quais perdeu e por que aceitou os caminhos que a Red Bull seguiu.
Quero ser VIPUma versão dos bastidores, não uma conclusão definitiva
As revelações ajudam a entender os conflitos internos dos Touros, mas continuam sendo o relato de Horner. Os trechos citados não oferecem a resposta dos demais envolvidos às alegações específicas.
Portanto, a conclusão mais sólida é que Horner queria explorar alternativas de peso e afirma ter encontrado obstáculos dentro da própria organização. Já a responsabilidade individual por cada veto exige mais esclarecimentos.
Atualmente, a Red Bull segue outro caminho: Verstappen renovou até 2030, enquanto Isack Hadjar tem contrato para 2027. Entretanto, o livro recoloca em discussão o que muita gente sempre questionou, ou seja, quem realmente influenciava a escolha do segundo piloto durante a gestão anterior?
Helmut Marko e o Christian Horner trabalharam juntos na Red Bull por cerca de 20 anos e meio. Desde a estreia da Red Bull Racing, em 2005, até a saída de Horner, em julho de 2025. Horner comandava a equipe, enquanto Marko atuava como consultor e responsável pelo programa de pilotos.
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