Pirelli prevê corrida com duas ou mais paradas em Sepang
sexta-feira, 2 de outubro de 2026 às 12:50
Charles Leclerc terminou o TL2 do GP do Bahrain em Sepang, na Malásia, com o melhor tempo do dia. O piloto da Ferrari marcou 1min37s528 no Circuito Internacional de Sepang, enquanto as condições extremas de calor colocaram os pneus no centro das atenções.
A temperatura do ar chegou a 38°C, enquanto o asfalto atingiu 54°C. Além disso, a pista apresentou pouca aderência e alto nível de abrasividade. Segundo a Pirelli, esses fatores tiveram impacto direto no comportamento dos compostos.
Isack Hadjar terminou o TL2 em P2, com 1min37s627, enquanto Lando Norris ficou em P3, com 1min37s665. Leclerc, Hadjar e o atual campeão mundial utilizaram pneus Macios em suas melhores voltas.
Pneus tiveram comportamento diferente em Sepang
Max Verstappen foi o único entre os três primeiros da classificação do dia a não usar o Macio no TL2. O holandês marcou 1min37s520 no C4 durante o TL1 e terminou a sexta-feira na liderança da classificação combinada.
George Russell ficou em P2 na classificação do TL1, com 1min37s903, enquanto Hadjar apareceu em P3, com 1min38s303. No segundo treino, entretanto, as equipes concentraram o trabalho principalmente em simulações de corrida.
Por isso, os dados coletados nos stints longos ganharam ainda mais importância. Nenhum piloto utilizou o composto Duro durante a sexta-feira, enquanto C3 e C4 receberam a maior parte da atenção.
A ausência da chuva prevista para o TL2 também permitiu que as equipes completassem seus programas de corrida. Assim, os engenheiros conseguiram reunir uma quantidade significativa de informações sobre ritmo e degradação.
Quero ser VIPPirelli aponta alta degradação térmica
Simone Berra, engenheiro-chefe da Pirelli, destacou que as condições da pista tiveram papel decisivo no comportamento dos pneus. A poeira e a abrasividade reduziram a aderência inicialmente e exigiram bastante borracha depositada no asfalto.
“Isso teve um impacto claro na evolução da pista e nos tempos de volta, a ponto de a volta mais rápida de sexta-feira ter permanecido praticamente inalterada entre o TL1 e o TL2”, explicou Berra.
Além disso, a volta de referência ficou mais de quatro segundos acima da marca prevista pelas simulações de classificação. Portanto, a Pirelli considera difícil que os pilotos consigam se aproximar desse número no sábado.
As altas temperaturas também provocaram forte degradação térmica, principalmente nos stints longos.
“As sessões também foram marcadas por alta degradação térmica, gerada pelo deslizamento dos pneus e pela natureza do piso da pista, com um impacto significativo principalmente durante os stints longos”, afirmou Berra.
C3 e C4 apresentam desempenho semelhante
Com os dados obtidos nas simulações de corrida, a Pirelli identificou níveis de desempenho bastante próximos entre os compostos C3 e C4.
A fabricante apontou que os dois pneus apresentaram comportamento semelhante tanto em ritmo quanto em degradação. Em alguns momentos, inclusive, o Macio conseguiu ser mais consistente do que o Médio.
Isso aconteceu porque o maior nível de aderência do C4 ajudou a reduzir o deslizamento. Consequentemente, o pneu também gerou menos calor em determinadas condições.
“A diferença de performance entre os dois compostos é de cerca de meio segundo, em linha com as expectativas”, explicou Berra.
O Duro, por outro lado, continua sendo uma incógnita. Como nenhuma equipe utilizou o C2, a Pirelli ainda não possui dados de pista suficientes para avaliar seu comportamento em Sepang.
Degradação pode definir estratégia da corrida
A estimativa atual indica uma perda de desempenho entre duas e três décimas de segundo por volta com os níveis de degradação observados na sexta-feira. Dessa forma, a estratégia de pneus pode ter papel decisivo no resultado do domingo.
“A corrida de domingo pode ser definida por duas ou mais paradas nos boxes, que foi exatamente o cenário que buscamos incentivar por meio da seleção de compostos para este evento”, afirmou Berra.
No entanto, a Pirelli ainda evita cravar um cenário estratégico definitivo. A fabricante pretende analisar de forma mais detalhada todos os dados coletados antes de estabelecer uma previsão mais precisa.
Além disso, a evolução da pista deve alterar o comportamento dos pneus ao longo do fim de semana. Por isso, as equipes ainda terão trabalho importante no sábado antes de definir suas escolhas para a corrida.
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