McLaren espera mostrar em Sepang o que Baku escondeu
terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 14:23
O novo pacote da McLaren modificou o assoalho, os sidepods, a cobertura do motor e outras áreas do MCL40
A McLaren em Sepang terá uma segunda oportunidade para demonstrar o verdadeiro potencial do grande pacote de atualizações introduzido no Azerbaijão. Embora tenha saído de Baku sem pontos, a equipe acredita que o MCL40 evoluiu mais do que o resultado sugere.
Lando Norris abandonou depois de enfrentar problemas na unidade de potência e se envolver no acidente provocado por Franco Colapinto. Oscar Piastri, por sua vez, comprometeu sua corrida ao perder uma curva.
Consequentemente, a McLaren não conseguiu transformar o trabalho realizado no MCL40 em um resultado representativo.
Entretanto, os dados coletados durante o fim de semana indicaram que as novas peças funcionaram conforme o esperado. Segundo a equipe, Baku simplesmente não permitiu explorar todo o potencial do pacote.
McLaren modificou praticamente toda a aerodinâmica
As mudanças introduzidas no Azerbaijão foram muito além de pequenos ajustes. A McLaren alterou a carroceria, as entradas dos radiadores e os sidepods do MCL40.
Além disso, a equipe apresentou uma nova cobertura do motor, um assoalho revisado e diferentes carenagens para a suspensão traseira. Essas mudanças trabalham em conjunto para controlar melhor o fluxo de ar ao redor do carro.
A McLaren também levou uma nova asa traseira de maior pressão aerodinâmica. Dessa forma, o pacote modificou áreas importantes desde a dianteira dos sidepods até a traseira do MCL40.
No entanto, a avaliação das peças começou com dificuldades. Durante o TL1, a equipe encontrou um problema em componentes do assoalho e precisou realizar um reparo provisório.
Depois disso, os dois carros utilizaram o pacote completo no TL2. Os primeiros dados foram positivos, mas a McLaren ainda precisava compreender como extrair todo o desempenho disponível.
Por que Baku não mostrou todo o potencial
Baku apresenta uma combinação extremamente particular. O circuito reúne uma reta enorme, curvas muito lentas e poucos trechos de média ou alta velocidade.
Portanto, ele não oferece uma avaliação completa do comportamento aerodinâmico de um carro. Uma atualização pode funcionar corretamente nos dados sem produzir imediatamente uma grande diferença no cronômetro.
Além disso, o acerto exige um compromisso entre velocidade máxima e aderência nas curvas lentas. Se a equipe aumenta a pressão aerodinâmica, perde velocidade na longa reta. Caso retire asa, dificulta a tração e o controle do carro no trecho estreito.
Por isso, a McLaren considera o resultado de Baku pouco representativo para julgar definitivamente o novo MCL40.
McLaren em Sepang enfrentará teste mais completo
Sepang oferece exatamente o tipo de pista que a McLaren precisa para compreender melhor seu pacote.
O circuito malaio combina curvas lentas, médias e rápidas. Também possui frenagens fortes, mudanças de direção, longas retas e curvas que exigem bastante apoio aerodinâmico.
Consequentemente, os engenheiros poderão avaliar o comportamento do MCL40 em uma variedade muito maior de situações.
O circuito também exige estabilidade nas frenagens e boa tração nas saídas das curvas lentas. Ao mesmo tempo, o carro precisa manter eficiência aerodinâmica nas duas grandes retas.
Portanto, Sepang deverá revelar com maior clareza se o novo assoalho e a carroceria revisada realmente ampliaram a janela de funcionamento do MCL40.
McLaren não levará outro grande pacote
Apesar da importância do GP da Malásia, a McLaren não pretende introduzir outro conjunto significativo de atualizações.
O diretor sênior de corridas, Randy Singh, confirmou que a equipe levará apenas alguns componentes específicos para Sepang.
“Após o pacote de atualizações substanciais que introduzimos no Azerbaijão, não levaremos muita coisa para a Malásia”, explicou Singh.
“Entretanto, esperamos contar com algumas peças de carroceria específicas para o circuito.”
Assim, o foco não estará em instalar novas peças, mas em entender e otimizar aquilo que já chegou ao MCL40.
Norris e Piastri nunca pilotaram um F1 em Sepang
O fim de semana também apresentará uma dificuldade adicional para Norris e Piastri. Nenhum dos dois jamais pilotou um carro de Fórmula 1 em Sepang.
Por isso, ambos passaram bastante tempo no simulador antes do GP. A equipe utilizou o traçado de 2017 como base e inseriu o desempenho estimado do MCL40 nas simulações.
Apesar disso, o trabalho virtual não reproduz perfeitamente as condições reais. Temperatura do asfalto, ondulações, aderência e desgaste dos pneus somente poderão ser confirmados na pista.
Dessa maneira, os treinos de sexta-feira terão enorme importância. Norris e Piastri precisarão aprender rapidamente o circuito enquanto ajudam a equipe a compreender as atualizações.
A McLaren também possui poucos dados recentes de Sepang. Afinal, a Fórmula 1 não corre na Malásia desde 2017 e nunca utilizou os carros de 2026 nessa pista.
Desgaste dos pneus pode alterar a estratégia
Historicamente, Sepang exige muito dos pneus. O calor, as curvas longas e as elevadas cargas laterais provocam alta degradação.
Por isso, as equipes normalmente priorizam o ritmo ao longo dos stints e a escolha da melhor estratégia. A posição na pista, embora importante, nem sempre foi o fator decisivo na Malásia.
Entretanto, o novo regulamento das unidades de potência pode modificar esse equilíbrio.
“Estrategicamente, Sepang sempre girou em torno de gerenciar a alta degradação dos pneus e escolher a estratégia mais rápida, em vez de priorizar a posição na pista”, explicou Singh.
“Mas, se as ultrapassagens se mostrarem mais difíceis sob o novo regulamento de unidades de potência, esse equilíbrio pode mudar.”
Energia elétrica será outra incógnita
As duas longas retas de Sepang exigirão uma utilização cuidadosa da energia elétrica. Ao mesmo tempo, as fortes frenagens oferecem oportunidades importantes de recuperação.
Portanto, cada equipe precisará decidir onde armazenar energia e onde utilizar toda a potência disponível.
O calor e a umidade também poderão afetar a refrigeração da bateria. Caso a temperatura suba demais, o sistema poderá reduzir a entrega elétrica para proteger seus componentes.
Além disso, existe possibilidade de chuva durante todo o fim de semana. Uma mudança nas condições alteraria o funcionamento dos pneus, a recuperação de energia e até as necessidades de refrigeração.
Dessa forma, Sepang não será apenas uma pista melhor para avaliar a aerodinâmica. Será também um dos testes mais completos do ano para o MCL40.
A McLaren acredita que Baku escondeu o verdadeiro valor de sua atualização. Agora, Sepang mostrará se a equipe está certa — ou se os problemas do carro vão além das características do circuito urbano.
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