Kimi Antonelli virou “agente de IA”, diz Wolff

quarta-feira, 9 de setembro de 2026 às 16:36

Kimi Antonelli e Toto Wolff

Depois de demonstrar preocupação com as comparações ainda muito precoces entre Ayrton Senna e Kimi Antonelli, Toto Wolff encontrou outra forma de descrever a evolução de seu piloto.

Segundo o chefe da Mercedes, Antonelli deixou de ser um estreante “paralisado como um cervo diante dos faróis” para se transformar em uma espécie de “agente de IA”, capaz de aprender e se aperfeiçoar continuamente.

A declaração veio após a impressionante vitória do italiano no GP da Itália. Antonelli largou em P19, atravessou o pelotão e superou George Russell a três voltas do fim.

Com isso, o piloto de 20 anos conquistou sua sétima vitória em 2026 e abriu 66 pontos de vantagem sobre o companheiro de equipe na liderança do campeonato.

Kimi Antonelli deu salto enorme em 2026

A transformação chama ainda mais atenção quando comparada à difícil temporada de estreia do italiano. Antonelli chegou à Mercedes aos 18 anos para substituir Lewis Hamilton e precisou aprender a F1 nos complicados carros com efeito-solo de 2025.

Naquele ano, Russell terminou o campeonato 169 pontos à frente do jovem companheiro. Agora, porém, Antonelli acumula sete vitórias, contra apenas duas do britânico.

Ao explicar essa mudança, Wolff admitiu que nem mesmo ele sabe exatamente como o piloto evoluiu tão rapidamente.

“Para ser sincero, não sei. O ano passado seguiu o planejado. Eu disse que haveria momentos de brilhantismo e momentos difíceis”, afirmou.

“Acho que ele começou a temporada de estreia se sentindo paralisado, como um cervo diante dos faróis. Quando conseguia entrar em seu estado de foco dentro do carro, apresentava desempenhos extraordinários, mas ainda sem constância.”

Posteriormente, Antonelli atravessou sua pior fase no campeonato. O piloto passou mais de nove corridas sem marcar pontos e perdeu confiança.

“Lembro que Spa foi terrível para ele e ele ficou desanimado. Monza foi o momento em que, pela primeira vez, eu lhe disse: ‘Escute, você precisa acordar’. Mas nunca duvidamos dele. Foi por isso que lhe demos a oportunidade.”

Inverno transformou o piloto da Mercedes

Durante o intervalo entre as temporadas, Antonelli conseguiu processar as dificuldades, a pressão e a exposição que enfrentou em seu primeiro ano na F1.

Então, quando o campeonato de 2026 começou, a Mercedes encontrou um piloto muito mais preparado.

“Depois do inverno, ele iniciou a temporada de uma forma que ninguém esperava”, reconheceu Wolff. “Ele esteve presente em todas as corridas, viu a pressão da mídia e toda a atenção que recebe.”

“É como se ele tivesse processado e assimilado tudo isso. Por isso, estamos vendo esses resultados agora. Ainda assim, é surpreendente observar a rapidez com que ele evolui.”

Foi nesse momento que Wolff recorreu à tecnologia para definir a capacidade de aprendizado do italiano.

“Para mim, ele é como um agente de IA que se aprimora e aprende continuamente. Essa é a velocidade de sua evolução. A idade certamente representa uma vantagem nesse aspecto, principalmente pela capacidade cognitiva e intelectual de continuar aprendendo.”

Antonelli saiu de P19 para vencer em Monza

Antonelli largou do fundo do grid no GP da Itália após a Mercedes instalar um motor novo em seu carro. Mesmo assim, o jovem atravessou o pelotão e disputou a vitória diretamente com Russell.

A batalha entre os dois durou praticamente toda a corrida. Por fim, Antonelli realizou a ultrapassagem decisiva quando faltavam apenas três voltas.

Apesar da posição desfavorável no grid, Wolff revelou que ainda acreditava em uma atuação extraordinária de seu jovem piloto.

Segundo ele, Antonelli poderia simplesmente “acordar e andar sobre as águas” no domingo. Foi praticamente o que aconteceu.

A vitória representou muito mais do que uma recuperação improvável. Afinal, o italiano também derrotou seu adversário direto pelo campeonato em uma disputa na pista e ampliou consideravelmente sua vantagem na classificação.

Wolff já identifica traços dos grandes pilotos

Depois da corrida, Wolff explicou quais características tornam a temporada de Antonelli tão impressionante. O chefe da Mercedes já identifica no italiano alguns traços presentes nos grandes nomes da história da F1.

Entretanto, ele evita classificá-lo como um piloto totalmente pronto aos 20 anos.

“Na minha cabeça, o que seria o piloto perfeito? Não sei”, ponderou. “Existe uma série de componentes que seriam essenciais para manter níveis elevados de desempenho de forma consistente.”

Para Wolff, a experiência continua sendo a principal peça que falta.

“Quando se fala em um piloto completo, ainda existe o aspecto da experiência. Isso precisa vir com o tempo.”

Por outro lado, a juventude também ajuda Antonelli. A leveza com que ele enfrenta as dificuldades permite superar rapidamente os momentos ruins e, ao mesmo tempo, manter os pés no chão depois das vitórias.

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Humildade será fundamental para o futuro

Wolff acredita que o próximo desafio de Antonelli será conservar as características que permitiram sua rápida evolução.

“Resta saber se ele será capaz de amadurecer e manter sua personalidade — humilde, com grande capacidade de introspecção e autocrítica — para continuar evoluindo.”

O chefe da Mercedes ainda evita colocar o jovem no mesmo patamar de campeões históricos. Afinal, apenas o tempo mostrará como Antonelli responderá a temporadas difíceis, disputas mais intensas e à pressão crescente.

“Só o futuro dirá se ele é, como alguns pilotos que o antecederam, um talento completo”, concluiu Wolff.

Por enquanto, Antonelli continua aprendendo em uma velocidade que surpreende até quem apostou em sua chegada à Mercedes. Caso esse “agente de IA” mantenha o ritmo atual de evolução, seu primeiro título na F1 poderá chegar muito antes do que qualquer um imaginava.

AS - www.autoracing.com.br

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