Fred Vasseur já corre risco de perder seu cargo na Ferrari?
segunda-feira, 7 de setembro de 2026 às 20:05
Fred Vasseur e o Cavalinho Rampante…
O fracasso da Ferrari no GP da Itália colocou o futuro de Fred Vasseur sob uma pressão que não existia com a mesma intensidade antes de Monza. Embora não haja qualquer confirmação sobre uma mudança no comando, o francês já corre risco de perder seu cargo?
A resposta curta é sim. Entretanto, isso não significa que a Ferrari tenha decidido demiti-lo ou que uma mudança acontecerá imediatamente.
Monza reuniu quase todos os problemas capazes de ameaçar um chefe de equipe da Ferrari. O carro não correspondeu às expectativas, os pilotos se tocaram na primeira curva e a equipe demorou para reagir. Além disso, Charles Leclerc abandonou após rodar sozinho, enquanto Lewis Hamilton terminou apenas em P6.
Enquanto isso, Kimi Antonelli venceu depois de largar em P19. O italiano ampliou sua liderança no campeonato e transformou a festa da Ferrari em uma celebração da Mercedes.
Portanto, não se tratou apenas de um resultado ruim. A Ferrari fracassou em casa diante de sua torcida, de seus principais dirigentes e de enormes expectativas criadas pelas atualizações preparadas para Monza.
Vasseur não controlou a disputa entre os pilotos
O contato entre Hamilton e Leclerc logo na primeira curva expôs um problema que Vasseur vinha adiando: a necessidade de estabelecer uma hierarquia dentro da equipe.
Hamilton chegou a Monza como o piloto da Ferrari mais próximo dos líderes do campeonato. Mesmo assim, Vasseur considerou prematuro priorizá-lo. A equipe permitiu que seus pilotos disputassem livremente, embora qualquer perda de pontos pudesse comprometer definitivamente suas chances.
O resultado apareceu imediatamente. Hamilton tentou avançar na primeira curva e chegou a colocar seu carro à frente na curva 2. Mas Leclerc defendeu a posição tardiamente e os dois se tocaram. O britânico saiu da pista, caiu no pelotão e perdeu qualquer possibilidade real de lutar pela vitória.
Depois da corrida, Vasseur reconheceu que o episódio prejudicou a Ferrari. Segundo ele, a equipe não poderia aceitar perder posições daquela maneira poucas curvas após a largada.
No entanto, a constatação chegou tarde demais. Cabe ao chefe da equipe definir antecipadamente como seus pilotos devem agir, principalmente quando apenas um deles ainda possui alguma possibilidade concreta no campeonato.
Vasseur tentou evitar uma decisão difícil e acabou permitindo que a pista decidisse da pior maneira possível.
A reação de Hamilton aumenta a pressão
A situação ficou ainda mais delicada porque Hamilton não criticou apenas uma estratégia isolada. O heptacampeão demonstrou insatisfação com a forma como a Ferrari administrou todo o fim de semana.
Hamilton questionou a demora nas decisões, a ausência de uma orientação clara entre os pilotos e a incapacidade da equipe de aproveitar as oportunidades. Com o P6, ele passou a ocupar uma posição ainda mais distante de Antonelli no campeonato.
Essa reação possui um peso político enorme. Afinal, Vasseur teve participação decisiva na contratação de Hamilton e sempre manteve uma relação próxima com o britânico.
Enquanto Hamilton defendia publicamente o chefe da Ferrari, Vasseur contava com um importante aliado. Contudo, essa proteção pode desaparecer se o piloto concluir que a indecisão da equipe prejudica sua última oportunidade de conquistar o oitavo título.
Além disso, Hamilton conhece por dentro a eficiência operacional da Mercedes. Portanto, ele identifica rapidamente qualquer demora, falta de coordenação ou falha estratégica em Maranello.
Se o britânico começar a exigir mudanças internas, a posição de Vasseur ficará muito mais vulnerável.
Contrato longo não garante permanência na Ferrari
Vasseur possui uma proteção importante. Em julho de 2025, a Ferrari renovou seu contrato por vários anos e afirmou que o acordo representava sua confiança em um projeto de longo prazo.
Na ocasião, a equipe destacou a capacidade do francês para liderar sob pressão, promover inovação e construir uma estrutura competitiva.
Posteriormente, John Elkann voltou a declarar total confiança no trabalho de Vasseur, em meio às especulações envolvendo Christian Horner.
Entretanto, contratos nunca representaram uma garantia absoluta em Maranello. A Ferrari costuma reagir rapidamente quando entende que a direção da equipe perdeu o controle esportivo, técnico ou político.
Vasseur também não pode atribuir os problemas atuais a uma estrutura herdada. Ele assumiu o comando antes da temporada de 2023 e já teve tempo para reorganizar os principais departamentos.
Além disso, o projeto de 2026 recebeu prioridade ainda durante a temporada anterior. Portanto, os resultados do SF-26 fazem parte direta das decisões tomadas sob sua gestão.
A Ferrari venceu na Espanha e na Grã-Bretanha, o que comprova o potencial do carro. Porém, a equipe ainda não apresenta a consistência necessária para enfrentar a Mercedes durante uma temporada inteira.
Antonello Coletta surge como alternativa natural
Caso a Ferrari decida substituir Vasseur, Antonello Coletta aparece como um candidato fortíssimo. Atualmente, ele comanda os programas de endurance e Corse Clienti da marca.
Coletta conhece profundamente a estrutura de Maranello e construiu sua carreira dentro da própria Ferrari. Além disso, liderou o retorno da fabricante à principal categoria do Mundial de Endurance.
Sob seu comando, a Ferrari conquistou três vitórias consecutivas nas 24 Horas de Le Mans. A equipe também demonstrou uma capacidade operacional que frequentemente falta ao programa de Fórmula 1.
No WEC, Coletta precisa coordenar diferentes carros, pilotos, engenheiros e estratégias durante provas extremamente longas. Assim, qualquer falha de comunicação pode destruir meses de trabalho.
Mesmo com essa complexidade, a estrutura apresenta disciplina, clareza nas decisões e excelente execução. Portanto, sua candidatura não se baseia apenas nos resultados, mas também na maneira como eles foram conquistados.
A imprensa italiana já citava Coletta como possível sucessor de Vasseur em 2025. A Gazzetta dello Sport apresentou o responsável pelas vitórias em Le Mans como uma solução interna para os problemas da equipe de F1.
Coletta ou Horner?
Christian Horner seria a alternativa mais experiente fora da Ferrari. O britânico comandou a Red Bull por 20 anos e conquistou vários títulos de pilotos e construtores.
Entretanto, sua contratação provocaria uma mudança política profunda demais em Maranello. Horner exigiria autoridade, liberdade para reorganizar departamentos e controle sobre decisões importantes.
Coletta representa um caminho diferente. Ele conhece a cultura da empresa, possui o respeito dos dirigentes e não precisaria passar por um longo período de adaptação.
Por outro lado, nunca comandou uma equipe de Fórmula 1. A categoria possui pressões técnicas, esportivas e políticas diferentes das encontradas no endurance.
Mesmo assim, Coletta já provou que consegue transformar os recursos da Ferrari em vitórias e campeonatos. Vasseur ainda tenta fazer o mesmo na F1.
Jérôme d’Ambrosio também poderia aparecer como alternativa interna. Porém, ele ainda não possui a experiência, os resultados e o peso político acumulados por Coletta.
Quero ser VIPAs próximas corridas serão decisivas
Uma demissão imediata de Vasseur parece improvável. Trocar o chefe da equipe durante a temporada poderia ampliar a instabilidade e comprometer o restante do desenvolvimento do SF-26.
Porém, Vasseur entrou em uma fase decisiva. Ele precisa controlar a disputa entre Hamilton e Leclerc, corrigir as falhas estratégicas e demonstrar que as atualizações realmente aproximam a Ferrari da Mercedes.
Acima de tudo, precisa recuperar a confiança de Hamilton e impedir que os pilotos voltem a prejudicar um ao outro.
Se a Ferrari reagir em Madri, Baku e nas etapas seguintes, o francês poderá reduzir a pressão. Contudo, novos erros operacionais transformarão as especulações em uma ameaça concreta.
O desastre de Monza, isoladamente, talvez não derrube Vasseur. O verdadeiro perigo está na combinação entre desempenho abaixo do esperado, decisões hesitantes, conflito entre os pilotos e insatisfação pública de Hamilton.
Nesse cenário, Antonello Coletta deixaria de ser apenas uma possibilidade interessante. Ele se tornaria a solução interna mais evidente para uma Ferrari que continua procurando alguém capaz de transformar potencial em títulos.
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