A F1 ficou mais fácil? Stella discorda de Verstappen
segunda-feira, 24 de agosto de 2026 às 13:16
Max Verstappen e Andrea Stella
A F1 ficou mais fácil para os pilotos em 2026? Max Verstappen acredita que sim, principalmente nas classificações. Andrea Stella, chefe da McLaren, porém, discorda e considera os novos carros ainda mais difíceis de pilotar.
A discussão ganhou força após as boas atuações de Liam Lawson e Yuki Tsunoda no GP da Holanda. Apesar de assumirem carros diferentes daqueles que pilotavam normalmente, ambos ficaram muito próximos de seus novos companheiros.
Uma análise publicada pelo The Race utilizou esses desempenhos para avaliar se o novo regulamento diminuiu a influência do piloto. Os números mostram diferenças menores, mas ainda não permitem uma conclusão definitiva.
Lawson se aproxima de Verstappen
Lawson substituiu o lesionado Isack Hadjar na Red Bull. Mesmo sem ter pilotado anteriormente o RB22, o neozelandês terminou o Q3 apenas 0,115s atrás de Verstappen.
Tsunoda, por sua vez, ocupou a vaga de Lawson na Racing Bulls. Antes do fim de semana, o japonês conhecia o VCARB-03 apenas por um dia de trabalho no simulador.
Ainda assim, terminou o Q2 somente 0,102s atrás de Arvid Lindblad. Portanto, os dois substitutos se adaptaram rapidamente aos novos carros.
Para Verstappen, esses resultados reforçam uma tendência observada desde o início da temporada. Segundo ele, tornou-se mais fácil atingir o limite dos carros durante as classificações.
Verstappen vê menor influência dos pilotos
As exigências energéticas do regulamento mudaram a maneira de completar uma volta rápida. Em diferentes pontos das pistas, a bateria fornece menos potência e impede que o piloto ataque como fazia anteriormente.
Consequentemente, as voltas agressivas e ousadas perderam parte de sua importância. Essa característica provoca frustração em pilotos como Verstappen e Charles Leclerc, reconhecido por sua velocidade nas classificações.
“Principalmente na classificação, acho que hoje em dia é muito mais fácil encontrar o limite com esses carros”, afirmou Verstappen.
“Existem vários pontos em que a bateria está um pouco baixa. Portanto, tudo se torna um pouco mais fácil de acertar.”
O tetracampeão não demonstrou surpresa com a pequena diferença registrada em Zandvoort.
“Acho que isso ficou bem evidente neste fim de semana, em comparação com os carros anteriores. Para mim, não é surpresa nenhuma.”
Diferenças permanecem muito pequenas
Verstappen também destacou a proximidade entre os pilotos durante toda a temporada.
“Todo mundo fica sempre na casa de um ou dois décimos. Se você faz uma classificação muito ruim, fica a três décimos. As margens são sempre pequenas.”
Lawson apresentou diferenças variadas para Verstappen ao longo do fim de semana. No TL1, ficou 0,536s atrás. Depois, foi 0,165s mais rápido no SQ1 e terminou 0,374s atrás no SQ2.
Na classificação principal, ficou 0,102s atrás no Q1 e 0,427s no Q2. Finalmente, reduziu a diferença para apenas 0,115s no Q3.
Ao considerar as duas classificações, Lawson registrou uma desvantagem média de 0,245s. O número se aproxima da diferença média de 0,232s apresentada por Hadjar em relação a Verstappen nesta temporada.
Familiaridade ajudou Lawson
Embora nunca tivesse pilotado o RB22, Lawson já conhecia profundamente a unidade de potência Red Bull Ford. Afinal, a Racing Bulls utilizou o mesmo motor durante todo o campeonato.
Além disso, o neozelandês realiza uma excelente temporada. Portanto, fazia sentido esperar uma atuação melhor do que aquela apresentada em sua passagem pela Red Bull no início de 2025.
Hadjar também vem surpreendendo. Sua diferença média para Verstappen é menor do que qualquer uma registrada por outro companheiro do holandês desde Daniel Ricciardo, em 2018.
A Red Bull, inclusive, não cogita procurar outro segundo piloto. Essa estabilidade representa uma situação incomum para a equipe nos últimos anos.
Assim, a proximidade entre os pilotos não pode ser explicada apenas pelo regulamento. O bom desempenho de Lawson e Hadjar também precisa entrar na análise.
Ficou mais difícil avaliar os pilotos
Mesmo assim, Verstappen levanta uma hipótese interessante. Em 2026, tornou-se mais difícil separar o desempenho do piloto da competitividade do carro.
O ranking semanal elaborado por Edd Straw para o The Race, por exemplo, enfrenta esse problema. As pequenas diferenças complicam qualquer julgamento definitivo sobre os confrontos internos das equipes.
Oscar Piastri também reclamou que o funcionamento dos computadores muitas vezes interfere no resultado das classificações. Dessa forma, uma falha nos sistemas pode reduzir a influência do piloto.
Os números gerais mostram uma aproximação entre companheiros de equipe. Em seis das dez equipes presentes em 2025 — sem considerar a estreante Cadillac —, a diferença interna diminuiu nesta temporada.
Verstappen já não domina tanto os companheiros
A maior disparidade de 2026 aparece entre Fernando Alonso e Lance Stroll. O espanhol possui uma vantagem média de 0,303s sobre seu companheiro na Aston Martin.
Em 2025, porém, a maior diferença chegou a 0,735s entre Verstappen e Tsunoda na Red Bull. Além disso, a segunda maior foi de 0,453s entre George Russell e Kimi Antonelli.
Diante desses números, talvez tenha se tornado mais difícil para Verstappen “destruir” seus companheiros como ocorria anteriormente.
Contudo, os dados exigem cautela. Hamilton e Antonelli, por exemplo, estão mais competitivos do que em determinados momentos de 2025.
Além disso, apenas metade da temporada foi concluída. Portanto, as diferenças ainda podem aumentar ou diminuir até o último GP.
Stella considera os carros mais difíceis
Andrea Stella não concorda com a avaliação de Verstappen. Segundo o chefe da McLaren, seus pilotos consideram os carros de 2026 muito difíceis de controlar.
“Definitivamente, no ano passado, víamos uma dispersão muito menor entre os nossos dois pilotos”, afirmou Stella.
“Agora, quando um piloto está um pouco em desvantagem, essa diferença pode ser grande.”
O italiano explicou que os problemas mudaram ao longo da temporada. No começo do ano, as dificuldades apareciam tanto nas curvas quanto nas retas.
Nas curvas, a menor pressão aerodinâmica e os pneus mais estreitos reduziam a aderência. Nas retas, as inconsistências na entrega de potência complicavam a pilotagem.
Clipping prejudica as referências
O clipping e o superclipping também dificultam o trabalho dos pilotos. Um corte repentino na potência antes da frenagem pode alterar completamente a referência utilizada naquela curva.
Em outros casos, acelerar cedo em um trecho rápido provoca uma perda de potência mais adiante. Assim, o piloto precisa modificar sua abordagem durante a própria volta.
“Existem vários aspectos que tornam a pilotagem do carro deste ano mais difícil”, explicou Stella.
O chefe da McLaren reconhece que pilotos e engenheiros compreendem melhor o comportamento das unidades de potência. Consequentemente, os problemas energéticos provocam menos dificuldades do que no começo da temporada.
“Ainda assim, nas análises após a classificação, os pilotos mencionam aspectos da unidade de potência que afetam a consistência ao pilotar no limite.”
Portanto, o problema diminuiu, mas não desapareceu completamente.
Falta de aderência é o grande desafio
Para Stella, as maiores dificuldades atuais envolvem o comportamento do carro nas curvas. Mesmo com o aumento da pressão aerodinâmica, os pilotos não conseguem prever exatamente o que acontecerá.
Em algumas voltas, o problema surge durante a frenagem. Em outras, a traseira perde aderência repentinamente na saída da curva.
A sensibilidade ao vento também prejudicou as equipes na Hungria e na Holanda. Segundo Stella, esse fator impediu vários pilotos de completar uma volta limpa.
Os carros da geração anterior possuíam mais pressão aerodinâmica e pneus com maior aderência. Por isso, ofereciam um comportamento mais previsível.
“Embora fosse difícil para os pilotos devido à velocidade com que tudo acontecia, normalmente você tinha apenas uma coisa com a qual lidar”, explicou.
Quero ser VIPStella discorda da avaliação de Verstappen
Os modelos de 2026 podem apresentar vários problemas durante a mesma volta. A aderência muda constantemente, enquanto o vento e a entrega de potência aumentam a imprevisibilidade.
Stella evitou avaliar a experiência de Verstappen na Red Bull. Entretanto, ao considerar o comportamento da McLaren, chegou à conclusão oposta.
“Não tenho tanta certeza de que este regulamento exige menos habilidade. Seria impreciso comentar em nome de outra equipe”, ponderou.
“Se eu considerar aquilo que entendi na McLaren, diria que este ano está ainda mais difícil.”
Segundo Stella, os carros de 2025 exigiam adaptação à velocidade. Agora, os pilotos precisam estar preparados para enfrentar diferentes problemas a qualquer momento.
“Talvez isso dependa das características do carro ou até das características do piloto. Mas, levando em conta nossa experiência na McLaren, diria que está mais difícil neste ano.”
Lawson e Tsunoda mostraram que um piloto pode se adaptar rapidamente aos carros de 2026. Contudo, isso ainda não comprova que a F1 ficou mais fácil.
Para Verstappen, o novo regulamento diminuiu a influência dos pilotos. Stella, por outro lado, acredita que a imprevisibilidade tornou a pilotagem ainda mais complexa. O debate, portanto, continuará durante o restante da temporada.
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