McLaren “decepcionada” com atraso na asa traseira giratória

segunda-feira, 10 de agosto de 2026 às 9:17

Asa traseira da McLaren

A McLaren admitiu que ficou “decepcionada” por não ter identificado tão rapidamente quanto a Ferrari o potencial da inovadora asa traseira rotativa. Agora, a equipe de Woking está perto de levar sua própria versão para o carro.

A solução surgiu com o novo regulamento da Fórmula 1 para 2026. Desde então, as equipes passaram a explorar diferentes interpretações das regras. Entre elas, algumas são mais visíveis. Outras trabalham de maneira mais discreta.

Foi justamente nesse cenário que a Ferrari surpreendeu durante os testes de pré-temporada no Bahrain. A equipe italiana apresentou uma asa traseira capaz de girar 180 graus entre o modo de curva e o modo de reta.

Com isso, o componente consegue reduzir o arrasto aerodinâmico nas retas. Ao mesmo tempo, mantém características importantes de carga aerodinâmica nas curvas.

Naturalmente, a solução chamou a atenção dos fãs e despertou imediatamente o interesse dos rivais.

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Ferrari obrigou rivais a reagir

Assim que a Ferrari mostrou o conceito, os departamentos técnicos das equipes concorrentes começaram a investigar a solução. Afinal, ninguém queria descobrir tarde demais que havia deixado um ganho de performance sobre a mesa.

A Red Bull foi uma das primeiras a apresentar sua própria interpretação. No entanto, a equipe adotou um conceito diferente e precisou revisar o sistema depois de dois incidentes envolvendo Max Verstappen na Áustria e em Silverstone.

Depois disso, a McLaren também entrou na corrida pelo desenvolvimento da tecnologia. Ainda assim, o projeto enfrentou dificuldades antes de chegar ao estágio atual.

Um teste planejado para o primeiro treino livre do GP da Áustria, por exemplo, precisou ser cancelado. A equipe encontrou um problema enquanto a peça ainda estava na garagem. Por isso, decidiu levar o componente de volta à fábrica para novas análises.

Posteriormente, após mais uma rodada de desenvolvimento, a McLaren voltou a testar a asa. Dessa vez, a equipe utilizou o componente como item experimental durante o GP da Hungria. Os resultados aparentemente foram positivos.

Houldey admite que McLaren demorou

Neil Houldey, diretor técnico da McLaren, reconheceu que a equipe gostaria de ter percebido o potencial da solução mais cedo.

“Ficamos decepcionados por não termos identificado isso tão rapidamente quanto a Ferrari e depois a Red Bull”, disse Houldey ao motorsport.com. “Assim que vimos, percebemos que havia uma oportunidade e começamos a analisá-la por algum tempo”.

Ainda assim, a McLaren tinha outras prioridades. Por isso, a asa rotativa não se tornou o principal projeto naquele momento.

“Existem grandes ganhos de desempenho disponíveis na asa. Portanto, esse não era nosso projeto prioritário e trabalhávamos nele em segundo plano”, afirmou Houldey.

Nesse período, a equipe realizou testes de laboratório. Depois, levou a peça para o primeiro treino livre na Áustria. No entanto, o problema encontrado na garagem interrompeu o programa. Agora, o cenário mudou.

“Acreditamos que encontramos um conceito que funciona e criamos uma solução confiável. Também entendemos alguns dos riscos aerodinâmicos envolvidos”, afirmou o diretor técnico.

Red Bull mostrou os riscos da solução

Os problemas enfrentados pela Red Bull também ajudaram a McLaren a compreender melhor os desafios da tecnologia.

Na Áustria e em Silverstone, Verstappen sofreu duas rodadas fortes depois que a primeira versão da asa traseira da Red Bull demorou mais do que o esperado para fechar.

Como resultado, o componente não entregou imediatamente o nível de carga aerodinâmica esperado. Consequentemente, o comportamento do carro mudou de forma bastante agressiva durante a transição.

Por isso, os incidentes reforçaram que a asa traseira rotativa não é uma solução simples de acertar. O sistema apresenta riscos aerodinâmicos que precisam ser compreendidos antes de sua utilização em corrida.

Houldey explicou que o principal desafio está justamente no tempo de ativação e na recuperação da carga aerodinâmica.

“O tempo de ativação pode ser um pouco maior. Da mesma forma, pode levar um pouco mais de tempo para a carga aerodinâmica retornar quando o sistema é reativado”, explicou.

McLaren prepara estreia após as férias

Apesar dos desafios, a McLaren continua avançando com o projeto. A equipe inclusive testou sua versão mais recente durante o GP da Hungria. Agora, a expectativa é transformar o conceito em um componente de corrida depois das férias de verão da F1.

Entretanto, o objetivo vai além de simplesmente copiar a solução da Ferrari. A McLaren pretende incorporar o conceito à sua próxima geração de asas traseiras.

“Estudamos isso enquanto desenvolvíamos asas traseiras para buscar performance de maneira geral”, explicou Houldey.

“Agora estamos tentando encontrar uma maneira de introduzir esse conceito em nossa nova geração de asas traseiras, o que deve acontecer nas próximas corridas”.

Dessa forma, a McLaren espera ganhar ainda mais eficiência aerodinâmica, já que a possibilidade de reduzir o arrasto nas retas sem comprometer excessivamente a carga nas curvas pode representar uma vantagem importante no atual regulamento.

A equipe terá a oportunidade de aproveitar tudo o que aprendeu com os testes próprios e também com os problemas enfrentados pela Red Bull.

Por fim, caso a solução funcione como esperado, a McLaren poderá transformar uma tecnologia inicialmente desenvolvida pela Ferrari em mais uma ferramenta para buscar desempenho ao longo da temporada 2026.

 

LS - www.autoracing.com.br

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