Vowles explica crise da Williams: “Voando e reconstruindo”
domingo, 9 de agosto de 2026 às 8:40James Vowles explicou o desafio enfrentado pela Williams depois do início difícil da temporada 2026. O chefe da equipe afirmou que a organização precisa evoluir seus processos enquanto disputa o campeonato, em uma situação que comparou a “voar o avião e reconstruí-lo ao mesmo tempo”.
O FW47 chegou atrasado aos testes de pré-temporada. Além disso, a Williams não participou do teste de pista realizado em Barcelona. Quando finalmente entrou em ação, o carro também apresentou um peso consideravelmente acima do ideal, o que prejudicou diretamente seu desempenho.
Vowles já havia explicado que a equipe não consegue reduzir o peso do FW47 de uma só vez. Por causa do limite de custos, a perda de peso precisa acontecer de forma gradual ao longo de vários GPs.
A Williams terá sua próxima grande atualização no GP do Azerbaijão, em setembro. Até lá, porém, Vowles precisa conduzir a evolução do carro enquanto também transforma a estrutura interna da equipe.
Quero ser VIPVowles compara Williams a um avião
Desde que assumiu o comando da Williams, Vowles tenta implementar uma nova cultura e modificar a maneira como a equipe trabalha. Segundo ele, um atraso de três semanas teve impacto decisivo na capacidade de desenvolvimento do FW47.
“Nós precisamos, como empresa, provar para nós mesmos que conseguimos fazer a engenharia no nível de qualidade correto e construir um carro nesse nível de qualidade durante a temporada. Isso é, na prática, o equivalente a voar o avião e reconstruí-lo ao mesmo tempo”, disse Vowles à imprensa.
O dirigente considera que a Williams precisa mostrar que mudou em relação à estrutura que existia três anos atrás. Naquele período, segundo Vowles, a organização ainda não contava com os processos e sistemas necessários para acompanhar as principais equipes.
“Nós precisamos provar para nós mesmos que mudamos em relação ao que éramos três anos atrás. Não tínhamos os sistemas de processos nem a estrutura por trás deles.”
“Eu sei como são as organizações eficientes. Mesmo hoje, ainda temos dificuldades para fazer muitas das coisas que as outras equipes conseguem fazer neste momento. Isso é algo que cabe a nós corrigir. Só precisamos fazer isso enquanto seguimos avançando.”
Reconstrução exige tempo
Vowles também destacou que a transformação da Williams não pode acontecer de maneira imediata. O primeiro plano estruturado elaborado pela equipe surgiu apenas no ano passado, enquanto a contratação de profissionais de alto nível exige planejamento com bastante antecedência.
“O primeiro ano em que fizemos um plano foi efetivamente o ano passado. E você precisa mudar pessoas, normalmente, 24 meses antes de conseguir colocá-las dentro da organização, se não três anos.”
“Não conseguíamos atrair os melhores profissionais três anos atrás. As pessoas precisam enxergar que você está fazendo progresso, e realizar mudanças fundamentais na maneira como trabalha não é algo que acontece da noite para o dia.”
Atraso de três semanas foi decisivo
Vowles reconheceu ainda que os problemas enfrentados pela Williams foram maiores do que ele havia previsto. Inicialmente, o dirigente esperava que a equipe conseguisse produzir um carro ligeiramente acima do peso, mas dentro do cronograma.
“Os problemas foram tão grandes quanto eu havia previsto? Não. Eu achava que conseguiríamos produzir um carro ligeiramente acima do peso, mas, de maneira geral, dentro do prazo, embora de forma alguma ele fosse uma referência.”
“Não foi isso que conseguimos. Tivemos um desempenho abaixo do esperado em relação a isso, e a razão é que tínhamos alguns dos dados, mas nem sequer confiávamos neles.”
O problema acabou sendo identificado tarde demais para permitir uma correção eficiente. Para Vowles, esse atraso de três semanas criou um efeito dominó impossível de reverter.
“A primeira vez que esses dados foram sinalizados aconteceu tarde demais no processo para fazermos correções. E o mais estranho é que, quando você fica três semanas atrasado, como ficamos, não há como recuperar.”
“Não existe maneira de voltar atrás, porque todo o restante já está programado no sistema, pronto para seguir nessas datas. Então, quando uma parte sai do lugar, tudo o restante também acaba saindo do lugar.”
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