Domenicali: F1 pode encerrar temporada 2026 na Europa

quarta-feira, 29 de julho de 2026 às 8:59

Stefano Domenicali

A Fórmula 1 poderá encerrar a temporada 2026 na Europa caso a guerra no Irã impeça a realização dos GPs do Catar e de Abu Dhabi. Nesse cenário, a categoria acionará um plano alternativo para concluir o campeonato.

Stefano Domenicali, CEO e presidente da F1, confirmou que a organização trabalha com meados de setembro como prazo para definir o futuro das duas etapas. Até lá, Catar e Abu Dhabi continuarão oficialmente no calendário.

As hostilidades entre o Irã e forças dos Estados Unidos e de Israel começaram em fevereiro. Desde então, o conflito continua e já provocou mudanças importantes na programação da categoria.

Como consequência, a F1 adiou os GPs do Bahrain e da Arábia Saudita. Inicialmente, as duas provas estavam previstas para abril. Assim, os adiamentos reduziram temporariamente o calendário de 2026 para 22 etapas.

No entanto, a categoria encontrou uma solução para preservar o GP do Bahrain. No último fim de semana, a F1 anunciou que a corrida será disputada na Malásia entre 2 e 4 de outubro.

O evento formará uma rodada tripla com os GPs do Azerbaijão e de Singapura. Ainda assim, a prova manterá oficialmente a denominação de GP do Bahrain.

Com essa alteração, o calendário voltou a contar com 23 corridas programadas. Enquanto isso, os GPs do Catar e de Abu Dhabi permanecem previstos para 29 de novembro e 6 de dezembro, respectivamente.

As duas etapas também formariam uma rodada tripla com o GP de Las Vegas, marcado para 21 de novembro. Contudo, a continuidade do conflito mantém o futuro das provas no Oriente Médio em aberto.

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F1 espera até setembro para decidir

A situação voltou a gerar preocupação na terça-feira, 28 de julho. Na ocasião, o Comando Central dos Estados Unidos, conhecido como CENTCOM, informou que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou um ataque com mísseis contra forças americanas.

O episódio encerrou um período recente de redução das hostilidades. Consequentemente, a instabilidade do processo de paz voltou a aumentar as dúvidas sobre a realização das corridas.

Por isso, ainda não está claro se a F1 correrá no Oriente Médio em 2026. Apesar da incerteza, a categoria pretende aguardar o máximo possível antes de tomar uma decisão.

Segundo Domenicali, a F1 acompanhará a evolução da situação durante as próximas semanas. Depois disso, a organização avaliará se poderá manter Catar e Abu Dhabi no calendário.

“A forma como estamos estruturados é aproveitar o máximo de tempo possível para observar como a situação vai evoluir. Então, tomaremos a decisão no momento certo”, declarou Domenicali a um grupo de jornalistas.

“Esse momento não será antes de meados de setembro. Portanto, hoje as corridas no Catar e em Abu Dhabi estão confirmadas e já tiveram todos os ingressos vendidos. Esse é um sinal incrível de como o esporte é maior do que os problemas que o nosso mundo enfrenta”.

“Naturalmente, se a situação não estiver clara da forma que acreditamos ser necessária antes de meados de setembro, tomaremos uma decisão. Caso não seja possível correr no Oriente Médio, o fim da temporada será na Europa porque não podemos ir para outros lugares”.

Imola e Portimão aparecem entre as opções

Nesse contexto, Imola e Portimão surgiram como possíveis alternativas. Os dois circuitos poderiam entrar no calendário caso a F1 precisasse substituir as etapas do Oriente Médio.

Entretanto, Domenicali evitou confirmar qualquer escolha. Embora reconheça que existem possibilidades em análise, o dirigente não pretende antecipar decisões.

“Sei que existem algumas possibilidades em discussão, mas não considero correto fazer promessas ou antecipar determinadas situações. Essa é a situação atual”.

“Mesmo que eu realmente espere que isso não aconteça, se a situação não permitir que estejamos no Catar e em Abu Dhabi, terminaremos o campeonato na Europa”.

Dessa forma, a F1 continuará avaliando os cenários disponíveis. Contudo, a categoria não anunciará mudanças antes do prazo estabelecido.

Segundo Domenicali, nada acontecerá antes de meados de setembro. Depois disso, caso a situação ainda impeça a realização das provas, a organização tomará uma decisão e revelará o local da etapa europeia.

“O prazo para decidir qualquer mudança no calendário é meados de setembro. Portanto, nada acontecerá antes disso”.

“Depois, se a situação não nos fornecer as informações necessárias para avançar com Catar e Abu Dhabi, tomaremos uma decisão e informaremos onde a corrida europeia será realizada”.

Ao ser questionado especificamente sobre Imola, Domenicali confirmou que o circuito integra o grupo de alternativas. Ainda assim, ele ressaltou que a pista italiana não recebeu uma indicação definitiva.

“Imola está no grupo de opções, mas não está definida como a escolha. É uma possibilidade”.

F1 busca manter “credibilidade e consistência” no calendário

A transferência do GP do Bahrain para a Malásia criou uma situação incomum. Porém, a F1 já adotou soluções semelhantes no passado. O exemplo mais conhecido envolve o GP de San Marino.

Entre 1981 e 2006, a categoria realizou a prova no circuito de Imola. No entanto, o autódromo fica na Itália, e não em San Marino.

O histórico da F1 inclui outros casos. O GP da Suíça, por exemplo, foi disputado em Dijon, na França. Da mesma forma, o GP de Luxemburgo aconteceu em Nurburgring, na Alemanha. A categoria realizou a prova nas temporadas de 1997 e 1998.

Por isso, Domenicali foi questionado sobre uma possibilidade semelhante. Caso Catar e Abu Dhabi fossem cancelados, Imola ou Portimão poderiam receber as corridas e manter os nomes oficiais das etapas?

Contudo, o dirigente descartou essa alternativa. Segundo ele, a F1 precisa preservar sua credibilidade e agir de forma consistente.

“Vocês viram que somos criativos o suficiente para manter o calendário vivo. Contudo, não acredito que essa possa ser uma abordagem de longo prazo porque precisamos ser críveis e consistentes”.

Assim, embora a categoria tenha encontrado uma solução para manter o GP do Bahrain no calendário, Domenicali não considera esse modelo adequado para uma utilização contínua.

Ainda assim, o dirigente espera que a situação internacional melhore. Dessa maneira, a F1 poderia retornar à programação original e realizar cada prova no país escolhido.

“Acredito e realmente espero que a situação mundial nos permita voltar à normalidade e estar no país correto em que desejamos realizar o GP”.

Por fim, Domenicali destacou que a solução envolvendo Bahrain e Malásia permitiu preservar a etapa no campeonato. Contudo, ele afirmou que prefere ver a corrida realizada no local inicialmente definido.

“O que fizemos com o Bahrain e a Malásia foi fantástico porque realmente queríamos permitir que o GP do Bahrain fizesse parte do calendário. Porém, como ser humano, espero que a situação permita realizar a corrida no local que selecionamos para o nosso campeonato”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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