Gestão de energia tornará GP da Bélgica agitado, diz Stella

quinta-feira, 16 de julho de 2026 às 9:09

Andrea Stella

Andrea Stella, chefe da McLaren, acredita que a gestão de energia terá papel decisivo no GP da Bélgica.

O dirigente avalia que as limitações dos motores de 2026 podem transformar a prova em Spa-Francorchamps em uma das mais movimentadas da temporada, principalmente por causa das diferentes estratégias que os pilotos precisarão adotar durante toda a corrida.

A etapa belga desponta como um dos maiores desafios do calendário para as novas unidades de potência. Isso acontece porque o regulamento estabelece uma divisão de 50% da potência entre o motor a combustão (ICE) e o sistema elétrico.

Dessa forma, cada equipe precisará encontrar o equilíbrio ideal entre performance e eficiência energética.

Fernando Alonso já alertou para esse cenário. Segundo o espanhol, os pilotos podem ficar praticamente sem energia caso utilizem toda a carga elétrica muito cedo na volta.

Como consequência, eles perderão desempenho justamente na longa aceleração entre a Stavelot e a reta principal, o que poderá facilitar ataques dos adversários.

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Spa exigirá administração precisa da energia

Spa-Francorchamps possui apenas três grandes zonas de frenagem: La Source, Les Combes e a chicane Bus Stop. Por esse motivo, os pilotos terão poucas oportunidades para regenerar energia ao longo dos 7,004 km do circuito.

O setor intermediário torna esse desafio ainda maior. Afinal, curvas de alta velocidade, como Pouhon, praticamente impedem qualquer recuperação significativa de energia.

Consequentemente, os pilotos precisarão administrar a carga elétrica durante toda a volta. Caso contrário, poderão ficar sem potência justamente nos trechos mais importantes da pista.

Essa característica pode proporcionar um espetáculo semelhante ao visto em Silverstone. Embora a situação aumente o nível de dificuldade para os pilotos, ela também cria mais oportunidades de ultrapassagem e diferentes abordagens estratégicas entre as equipes.

Stella explica os desafios do modo reta

Ao analisar o cenário para Spa, Stella afirmou que o gerenciamento de energia será um dos principais fatores da corrida. Ele destacou que o chamado modo reta contará com cinco zonas de utilização ao longo do circuito.

Entretanto, o recurso não poderá ser acionado em todos os trechos de aceleração máxima. Isso porque curvas com elevada carga lateral, como Eau Rouge, Raidillon e Blanchimont, impedem a utilização do sistema.

“Spa será um circuito interessante, e assim como Silverstone, sofrerá bastante com a limitação de energia”, afirmou Stella.

“Em Silverstone, nossa preocupação inicial com a falta de energia acabou sendo parcialmente reduzida. Ainda assim, tivemos boas disputas. Contudo, os pilotos continuam alertando sobre o quanto as diferenças de velocidade podem se tornar imprevisíveis”.

“Por isso, devemos ouvir esse tipo de comentário. Quando os pilotos levantam esse tipo de preocupação, existe um motivo. Portanto, precisamos considerar esse aspecto com bastante atenção”.

Regulamento pode mudar as escolhas aerodinâmicas

Na sequência, Stella explicou que Spa apresentará desafios ainda maiores devido às longas retas do circuito.

“A situação pode ser semelhante em Spa. No entanto, as retas são mais longas e por isso haverá desafios adicionais na exploração da UP”.

“Tudo dependerá da forma como a energia será utilizada. Em algumas áreas não será possível ativar o modo reta. Embora sejam trechos percorridos com o acelerador totalmente aberto, ainda existe carga lateral”.

“Dessa maneira, o sistema não poderá ser utilizado. Também teremos desafios relacionados à abertura das asas e ao contato do carro com o solo”.

Em seguida, o dirigente destacou que as equipes podem interpretar o regulamento de maneiras diferentes. Segundo ele, será interessante observar se algumas voltarão a utilizar configurações de baixo arrasto, algo tradicional em Spa-Francorchamps.

“Veremos se algumas equipes levarão pacotes de baixo arrasto, como acontecia no passado. Será interessante acompanhar a interpretação deste regulamento porque, com o modo reta, existe um incentivo menor para utilizar asas menores”.

“Antigamente, era comum chegar a Spa com uma asa traseira menor. No entanto, essa prática deixou de ser frequente. Portanto, será interessante descobrir se ela voltará neste fim de semana”.

Por fim, Stella demonstrou otimismo em relação ao espetáculo na pista. Na visão do chefe da McLaren, a limitação de energia deve aumentar as oportunidades de ultrapassagem, exatamente como aconteceu em Silverstone.

“Acredito que veremos corridas bastante emocionantes quando o assunto for ultrapassagem. Afinal, a forma de utilizar a energia criará diferenças de performance, exatamente pelo mesmo motivo da limitação de energia que vimos em Silverstone”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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