Binotto pede mudanças no sistema ADUO da FIA

sexta-feira, 10 de julho de 2026 às 11:52

Mattia Binotto

Mattia Binotto defendeu mudanças no sistema ADUO, mecanismo criado pela FIA para permitir maior desenvolvimento aos fabricantes de unidades de potência que estiverem atrás da concorrência. Para o chefe da Audi na Fórmula 1, o regulamento atual precisa de ajustes porque avalia apenas o desempenho visto na pista, o que pode esconder o verdadeiro potencial de um motor.

Em entrevista exclusiva ao Autosport, Binotto explicou que um carro superior pode impedir uma análise precisa da unidade de potência. Segundo ele, isso pode favorecer fabricantes que já contam com um pacote mais competitivo.

Binotto questiona critérios do ADUO

Na avaliação do dirigente, o sistema atual considera apenas o resultado obtido na pista. Com isso, um fabricante pode acabar recebendo benefícios mesmo sem apresentar uma desvantagem real no motor.

“Na minha opinião, a limitação está no fato de que o sistema mede exclusivamente o desempenho na pista. Um carro que possui uma vantagem geral pode se dar ao luxo de não explorar totalmente o potencial da sua unidade de potência.”

Em seguida, Binotto usou a Mercedes como exemplo para ilustrar sua preocupação.

“É possível, por exemplo, que a Mercedes tivesse um motor com potencial superior, mas não precisasse levá-lo ao limite porque já contava com uma vantagem proporcionada pelo carro. Se esse fosse o caso, ela também poderia ganhar uma margem adicional de desenvolvimento.”

Por isso, o italiano acredita que a FIA precisa revisar o regulamento.

“É por isso que acredito que o regulamento precisa ser repensado nesse aspecto. Essa não era a intenção original do ADUO. O objetivo era ajudar quem realmente estivesse ficando para trás, e não criar situações em que o verdadeiro potencial de uma unidade de potência fosse difícil de avaliar.”

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Chefe da Audi elogia trabalho da FIA

Apesar das críticas ao modelo atual, Binotto deixou claro que não questiona a atuação da FIA na aplicação do regulamento.

“Em relação aos resultados, não estou questionando o trabalho realizado pela FIA. Ela tem todas as ferramentas e os dados necessários para fazer suas avaliações, apesar das limitações que qualquer sistema de medição inevitavelmente apresenta.”

Ainda assim, o dirigente reforçou que o conceito original do ADUO não deve ser perdido.

Objetivo era reduzir diferenças entre fabricantes

Segundo Binotto, a proposta inicial do sistema sempre foi impedir que um fabricante carregasse uma grande desvantagem durante todo o ciclo regulamentar.

“No entanto, acredito que seja importante lembrar o objetivo original do ADUO. Quando ele foi discutido pela primeira vez, a ideia era funcionar como uma espécie de rede de segurança. Se um fabricante ficasse muito atrás no início do ciclo regulamentar, com regras praticamente congeladas e pouquíssimo espaço para desenvolvimento, correria o risco de carregar essa desvantagem por cinco anos.”

Na sequência, ele explicou que o conceito segue a mesma lógica utilizada para chassis e aerodinâmica.

“Foi daí que surgiu o conceito de convergência de desempenho: permitir que quem estivesse mais atrás tivesse uma oportunidade maior de alcançar os concorrentes. No fim das contas, é o mesmo princípio que já existe para chassis e aerodinâmica.”

“Quem está mais atrás no campeonato recebe mais horas de túnel de vento. Da mesma forma, quem apresenta menor desempenho na unidade de potência recebe mais oportunidades de desenvolvimento para alcançar os demais e tornar o campeonato cada vez mais equilibrado.”

EB - www.autoracing.com.br

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