Newey revela alerta que expôs crise da Aston Martin

terça-feira, 30 de junho de 2026 às 9:10

Adrian Newey

Adrian Newey explicou qual foi o momento em que a Aston Martin percebeu a dimensão dos problemas enfrentados na temporada 2026 da Fórmula 1.

Segundo o engenheiro, o GP da Austrália serviu como um verdadeiro “alerta” para a equipe. Isso aconteceu depois que atrasos no processo de construção do carro comprometeram o desenvolvimento do AMR26.

O britânico chegou à Aston Martin na primavera de 2025 para assumir o cargo de sócio-gerente técnico após deixar a Red Bull cercado de expectativa. No entanto, o primeiro carro desenvolvido sob sua liderança ficou abaixo do esperado.

Como resultado, a equipe vem andando nas últimas posições das tabelas de tempos até agora nesta temporada. Além disso, o projeto acumulou uma série de dificuldades desde o início do campeonato.

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Problemas atrasaram a evolução do AMR26

A Aston Martin enfrentou falhas na unidade de potência da Honda. Ao mesmo tempo, a equipe precisou resolver problemas de vibração no conjunto mecânico.

Posteriormente, Fernando Alonso também relatou defeitos na nova caixa de câmbio produzida internamente durante os GPs de Miami e Mônaco.

Na ocasião, o espanhol afirmou que o carro perdia a sincronização das marchas em curvas de baixa velocidade. Consequentemente, a performance ficava comprometida em diversos trechos do circuito.

Enquanto isso, o AMR26 segue sem receber atualizações desde a abertura da temporada. A principal evolução do carro está prevista para antes das férias de verão da F1.

Segundo Newey, a origem desse cenário está no atraso para iniciar o desenvolvimento do ousado projeto de 2026. Enquanto as equipes rivais começaram os trabalhos no túnel de vento em 1º de janeiro de 2025, a Aston Martin só deu início ao processo meses depois.

“Tanto do lado do chassi quanto da UP, começamos a temporada em desvantagem. Olhando para trás, provavelmente criamos expectativas altas demais. Nunca podemos esquecer a qualidade dos adversários que enfrentamos no grid”, afirmou Newey ao site oficial da Aston Martin.

Aston Martin perdeu meses para as rivais

Em seguida, Newey revelou que a equipe só iniciou o trabalho realmente sério no carro de 2026 em meados de março de 2025. O primeiro modelo chegou ao túnel de vento apenas em meados de abril.

Por causa disso, a Aston Martin acumulou um atraso de vários meses em relação às concorrentes.

“Só começamos a trabalhar seriamente no carro de 2026 em março de 2025 e colocamos um modelo no túnel de vento apenas em meados de abril. Isso nos deixou vários meses atrás dos nossos rivais, e essa é uma diferença enorme para recuperar”.

Além do atraso, o engenheiro admitiu que o AMR26 nasceu acima do peso ideal. De acordo com ele, parte desse problema surgiu durante a integração da UP com o chassi. Paralelamente, a equipe também precisou solucionar as vibrações em parceria com a Honda.

Mesmo assim, Newey reconheceu que a Aston Martin poderia ter executado um trabalho melhor para reduzir o peso do carro.

“Quando você projeta um carro às pressas, o peso é a primeira coisa que sofre porque simplesmente não há tempo para otimizar cada detalhe”.

Por outro lado, o britânico destacou que a equipe escolheu um conceito aerodinâmico bastante ousado. Entretanto, a falta de tempo impediu uma avaliação completa de diferentes alternativas antes da definição do projeto. Ainda assim, Newey acredita que o conceito não está errado.

“Optamos por uma direção aerodinâmica bastante ousada, em grande parte por minha decisão. Porém, não tivemos o luxo de explorar vários conceitos em profundidade porque o tempo estava contra nós”.

“Não acredito que o conceito esteja fundamentalmente errado, mas ele trouxe desafios que não prevíamos”.

GP da Austrália representou um ponto de virada

Por fim, Newey revelou que o GP da Austrália mudou completamente a percepção da equipe sobre o projeto. Segundo ele, os problemas com a UP impediram a Aston Martin de aproveitar adequadamente a pré-temporada.

Dessa forma, o primeiro teste realmente produtivo aconteceu apenas durante o terceiro treino livre em Melbourne.

“Melbourne foi o nosso alerta. Por causa de vários problemas na UP, nossa primeira sessão realmente útil aconteceu apenas no TL3 do GP da Austrália”.

Antes disso, a equipe perdeu muito tempo tanto nos testes de Barcelona quanto nas sessões realizadas no Bahrain.

Durante esse período, os engenheiros concentraram esforços para fazer a UP funcionar corretamente em conjunto com o chassi e a caixa de câmbio. Por isso, Newey comparou o início do projeto a uma sequência de problemas que surgiram ao mesmo tempo.

“Existe um ditado que diz que os problemas nunca vêm sozinhos. Esse foi exatamente um daqueles casos em que parecia que tudo o que podia dar errado realmente deu errado”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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