Ferrari encontrou a solução para os pneus em Barcelona?

terça-feira, 16 de junho de 2026 às 20:35

Roda BBS Japan da Ferrari

A vitória dominante de Lewis Hamilton no GP da Espanha pode ter escondido um detalhe técnico que passou despercebido pela maioria dos fãs da Fórmula 1.

Enquanto os holofotes se concentravam nas atualizações aerodinâmicas do SF-26 e na primeira vitória do heptacampeão pela Ferrari, os engenheiros de Maranello estrearam uma solução muito interessante na traseira do carro.

Segundo uma análise técnica publicada pelo Motorsport Itália, a Ferrari utilizou novas rodas traseiras desenvolvidas em parceria com a BBS Japan para melhorar o controle térmico dos pneus.

A novidade não aumenta potência, não gera downforce extra e tampouco altera diretamente o equilíbrio aerodinâmico do carro.

Mesmo assim, ela pode ter desempenhado um papel importante no excelente gerenciamento de pneus demonstrado pela Ferrari em Barcelona.

O problema que a Ferrari tentou resolver

Os carros atuais da Fórmula 1 produzem enormes quantidades de calor na região dos freios.

Durante uma volta, os discos de carbono operam em temperaturas extremamente elevadas e transferem parte desse calor para os componentes ao redor.

Uma parte dessa energia térmica chega naturalmente às rodas.

Posteriormente, o calor pode alcançar os pneus através da condução e da irradiação térmica.

Quando isso acontece, a temperatura da carcaça do pneu aumenta.

Como consequência, a pressão interna também sobe.

Pequenas variações de pressão podem alterar significativamente o comportamento do pneu.

Além disso, o desgaste tende a aumentar quando a temperatura ultrapassa a faixa ideal de funcionamento.

Controlar essa transferência de calor tornou-se ainda mais importante em 2026.

As equipes já perceberam que manter a temperatura e a pressão dos pneus dentro da janela ideal representa um dos fatores mais decisivos para o desempenho ao longo de um stint.

Como funciona a nova solução da Ferrari

De acordo com o Motorsport Itália, os engenheiros de Maranello desenvolveram uma nova arquitetura para a região interna das rodas traseiras.

A solução utiliza um “cestello”, estrutura interna responsável por suportar diversos componentes da montagem da roda.

Dentro desse conjunto, a Ferrari criou uma cavidade de ar fresco entre duas paredes de carbono.

Essa câmara recebe fluxo de ar através de entradas dedicadas e independentes do sistema que resfria os freios e as pinças.

Na prática, a cavidade funciona como uma barreira térmica.

O objetivo é impedir que o calor gerado pelos freios se propague para a roda e, posteriormente, para o pneu.

Além disso, a BBS Japan desenvolveu uma evolução de suas rodas de magnésio forjado para melhorar a dissipação de calor.

O trabalho conjunto entre Ferrari e BBS procura reduzir a transferência térmica entre os freios e os pneus.

Por que isso pode ser tão importante?

O benefício não está relacionado à velocidade máxima ou à potência do motor.

O ganho potencial aparece no comportamento dos pneus ao longo da corrida.

Se menos calor chegar ao pneu, a equipe consegue controlar melhor sua temperatura de operação.

Com isso, a pressão permanece mais estável.

Consequentemente, o desgaste pode diminuir.

Esse efeito ajuda a preservar o desempenho durante stints longos.

Também facilita o trabalho dos engenheiros na busca pela janela ideal de funcionamento dos compostos.

Barcelona foi um circuito perfeito para testar essa filosofia.

O traçado espanhol exige muito dos pneus, principalmente nas curvas rápidas e de longa duração.

Por isso, qualquer melhoria no gerenciamento térmico tende a aparecer com mais clareza.

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A solução explica a vitória de Hamilton?

Não é possível afirmar isso. A própria fonte não atribui a vitória às novas rodas traseiras.

A Ferrari levou outras atualizações para Barcelona e também apresentou um carro extremamente competitivo durante todo o fim de semana.

Além disso, Hamilton executou uma corrida praticamente perfeita com as atualizações que ele pediu para os Vermelhos.

Mesmo assim, a análise italiana sugere que a novidade pode ter contribuído para a excelente gestão dos pneus demonstrada pelo SF-26.

Isso ajuda a explicar por que a Ferrari apresentou ritmo tão forte nos stints mais longos da corrida.

Também reforça uma velha máxima da Fórmula 1.

Frequentemente, os maiores ganhos não surgem de componentes chamativos ou visíveis.

Muitas vezes, a diferença está escondida em vários pequenos detalhes de engenharia.

E a Ferrari pode ter encontrado justamente um desses detalhes em Barcelona.

AS - www.autoracing.com.br

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