Piastri detona decisão da FIA que devolveu pódio a Gasly

sábado, 13 de junho de 2026 às 14:28

Oscar Piastri

Oscar Piastri demonstrou enorme surpresa com a decisão da FIA de cancelar as penalizações de Pierre Gasly no GP de Mônaco e devolver ao piloto da Alpine o terceiro lugar conquistado na pista.

Segundo o australiano, a medida criou uma situação extremamente confusa e estabeleceu um precedente preocupante para a Fórmula 1.

Na sexta-feira, em Barcelona, os comissários aceitaram o Pedido de Revisão apresentado pela Alpine. Como resultado, retiraram as duas punições de cinco segundos aplicadas a Gasly por excesso de velocidade no pit lane.

Dessa forma, o francês recuperou o terceiro lugar que havia perdido após a prova. Entretanto, a decisão provocou forte repercussão no paddock. Mercedes, McLaren e Red Bull estudam ações legais ou possíveis recursos contra o veredito.

Isso ocorre porque George Russell e o próprio Piastri receberam exatamente as mesmas penalizações durante a corrida.

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Falha no sistema de medição gera nova polêmica

Durante a análise do caso, os comissários identificaram uma inconsistência nos sensores responsáveis pela medição da velocidade no pit lane de Mônaco. Mais especificamente, uma das zonas de cronometragem possuía 77 centímetros a menos do que o previsto.

Por esse motivo, a FIA concluiu que as punições aplicadas a Gasly tiveram origem em dados incorretos. Ainda assim, a situação gerou questionamentos imediatos. Isso porque o francês não cumpriu nenhuma das penalizações durante a corrida.

Por outro lado, Russell e Piastri enfrentaram consequências diretas. O piloto da Mercedes, por exemplo, recebeu um drive-through após não cumprir corretamente sua primeira punição de cinco segundos. Consequentemente, terminou apenas na 12ª colocação.

Enquanto isso, Piastri cruzou a linha de chegada em quarto lugar. No entanto, após a restituição do pódio a Gasly, o australiano caiu para quinto na classificação oficial.

Existe outro fator que aumenta ainda mais a controvérsia. Atualmente, o regulamento não prevê um mecanismo formal para cancelar uma penalização já aplicada e apagar todos os seus efeitos esportivos.

Dessa maneira, abre-se uma discussão complexa. Como Piastri terminou a menos de cinco segundos de Gasly na pista, ele entende que deveria herdar a terceira posição caso as punições permanecessem válidas.

Contudo, Russell também possui argumentos sólidos. Afinal, o britânico ocupava o terceiro lugar na pista antes de entrar nos boxes após a relargada provocada pela bandeira vermelha para cumprir seu drive-through.

Piastri questiona lógica da decisão

Ao comentar o caso publicamente pela primeira vez, Piastri deixou claro seu espanto com a decisão tomada pelos comissários. O australiano alertou para os riscos que esse precedente pode gerar no futuro.

“Estou realmente impressionado com essa decisão. Como é possível reverter uma punição que, no fim das contas, estava errada, quando outras pessoas receberam exatamente a mesma punição e a cumpriram durante a corrida?” declarou.

“Como você muda apenas uma penalização sabendo que provavelmente cinco ou seis resultados foram afetados? É algo impressionante. Eu perdi uma posição, mas também dá para imaginar como George deve estar se sentindo”.

Piastri argumentou que a interpretação adotada pela FIA criou um impasse difícil de resolver.

“Eu perdi a posição porque cumpri a punição. Portanto, tecnicamente, eu deveria ser o terceiro colocado. No entanto, tecnicamente, George também deveria ser. Então, agora tudo virou uma bagunça”.

Australiano teme precedente para disputas judiciais

Na sequência, o piloto da McLaren afirmou que a decisão pode incentivar equipes e pilotos a recorrerem aos tribunais para alterar resultados de corridas. Segundo ele, essa possibilidade contraria o espírito esportivo da categoria.

“É uma situação muito complicada. Não sei como eles pretendem resolver isso. Porque agora o precedente parece ser não cumprir a penalização, levar o caso aos tribunais e esperar meses para descobrir o resultado da corrida”.

Piastri ressaltou que esse cenário pode gerar insegurança para competidores, equipes e torcedores.

“Quem gostaria de correr desse jeito? A palavra que eu usaria é perplexidade”.

Por fim, o australiano destacou que, antes da revisão do caso, todos os pilotos afetados pela falha haviam recebido tratamento igual. Entretanto, a devolução do pódio a Gasly mudou completamente essa percepção.

“Antes era possível dizer que foi um erro e azar para todos. Estava errado para todo mundo e todos receberam o mesmo tratamento. Agora, tudo ficou muito nebuloso”.

“Como você julga uma situação dessas? Não acredito que a corrida será cancelada, mas toda essa situação se tornou extremamente complicada”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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