Red Bull tem o melhor motor. Todas as demais se qualificam para o Aduo

domingo, 7 de junho de 2026 às 19:41

Motor Fórmula 1 2026

O motor da Red Bull lidera a atual hierarquia da Fórmula 1 segundo a FIA. A entidade apontou a unidade de potência da Red Bull Powertrains/Ford como a referência do grid dentro do sistema de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO).

A conclusão surpreendeu muita gente. Afinal, a Mercedes domina o campeonato e muitos acreditavam que sua unidade de potência ocuparia o topo da lista. Porém, a FIA chegou a uma conclusão diferente. Como consequência, Mercedes e Ferrari poderão receber atualizações extras de motor durante a temporada de 2026.

O The Race revelou que a FIA informou as montadoras sobre sua primeira avaliação durante o GP de Mônaco. A análise definiu a hierarquia das unidades de potência e identificou quais fabricantes teriam direito aos benefícios previstos pelo ADUO.

Pelas regras atuais, uma fabricante que fique mais de 2% atrás do padrão de referência pode realizar uma atualização em 2026 e outra em 2027.

Por outro lado, uma fabricante que apresente uma diferença superior a 4% pode utilizar duas atualizações nesta temporada e outras duas no próximo ano.

Embora a Mercedes tenha construído sua reputação como referência em unidades de potência e lidere o campeonato, a FIA colocou o motor da Red Bull no topo da classificação.

Melhor motor não significa melhor carro

O resultado reforça uma tese que o Autoracing defende há anos: o melhor carro é o resultado do conjunto, não de uma única peça.

Muitos analistas procuram explicar o desempenho de uma equipe apontando apenas o motor, a aerodinâmica, o assoalho ou outro componente isolado. No entanto, a Fórmula 1 nunca funcionou dessa forma.

A própria decisão da FIA oferece uma prova prática disso.

A Red Bull possui o melhor ICE segundo os critérios utilizados pela entidade. Mesmo assim, a equipe ocupa apenas o P4 no campeonato de construtores.

Além disso, seus pilotos Max Verstappen e Isack Hadjar aparecem apenas em P8 e P9 no campeonato de pilotos.

Se o melhor motor fosse suficiente para produzir o melhor carro, a Red Bull lideraria ambos os campeonatos com facilidade. Claramente não é isso que acontece.

Por esse motivo, o Autoracing sempre sustentou que o desempenho de um carro nasce da combinação entre motor, aerodinâmica, assoalho, suspensão, gerenciamento de energia, pneus, acerto mecânico e diversos outros fatores. Além do piloto, obviamente.

Em outras palavras, ter a melhor peça não garante ter o melhor carro.

Como a FIA realizou a avaliação

A FIA não divulgou as métricas exatas utilizadas na avaliação e nem vai divulgar, provavelmente

A entidade preferiu manter os critérios em sigilo porque temia tentativas de manipulação por parte das fabricantes.

Segundo os relatos, algumas montadoras poderiam desenvolver determinados elementos com desempenho inferior de forma estratégica para aparentar uma desvantagem maior e, assim, conquistar acesso aos benefícios do ADUO.

Outro detalhe importante chama atenção.

A FIA analisou apenas um componente da unidade de potência: o motor de combustão interna.

Portanto, a entidade ignorou fatores como gerenciamento de energia, eficiência de recuperação, controle do MGU-K e tecnologia das baterias.

Isso significa que a classificação não representa uma avaliação completa da unidade de potência. Na prática, ela mede apenas a qualidade do ICE dentro dos parâmetros definidos pela FIA.

Consequentemente, o motor da Red Bull tornou-se a referência do sistema e ficou fora dos benefícios oferecidos pelo ADUO.

Além disso, a decisão derruba outro argumento que circulou durante muito tempo em parte da imprensa especializada.

Alguns veículos de imprensa afirmavam que o motor Mercedes aumentava sua taxa de compressão quando atingia a temperatura ideal de funcionamento e, por isso, gerava mais potência.

O Autoracing desmentiu essa teoria há muito tempo através de sua própria fonte dentro da Mercedes, o Dude, que disse: “A FIA pode medir nossa taxa na hora que quiserem e na temperatura que quiserem. Os fiscais sempre encontrarão a mesma relação de 16:1 exigida pelo regulamento.”

Agora, a decisão da FIA enfraquece ainda mais essa narrativa irresponsável de algumas mídias.

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Atualizações extras para Mercedes, Ferrari e Honda

A Mercedes recebeu o enquadramento de mais de 2% de diferença para o padrão estabelecido pela FIA.

Por isso, a fabricante terá direito a uma atualização extra.

Já as demais fabricantes, incluindo a Ferrari, ultrapassaram a marca de 4%.

Dessa forma, elas poderão utilizar duas atualizações extras.

Entretanto, essa classificação não indica que Ferrari e Honda possuam exatamente o mesmo desempenho.

Na realidade, ela apenas mostra que ambas superaram o limite de 4% previsto no regulamento.

A FIA e as fabricantes também conhecem uma informação que permanece confidencial para o público.

A entidade definiu uma escala variável de benefícios financeiros e horas extras de testes em bancada conforme o tamanho da diferença encontrada em cada caso.

A Mercedes, por exemplo, receberá US$ 3 milhões adicionais dentro do teto orçamentário e mais 70 horas de testes em bancada.

Em seguida, os benefícios crescem de forma progressiva.

Uma fabricante com diferença entre 4% e 6% recebe US$ 4,65 milhões e 100 horas extras de testes.

Já uma diferença entre 6% e 8% garante US$ 6,35 milhões e 150 horas.

Por sua vez, uma diferença entre 8% e 10% rende US$ 8 milhões e 190 horas adicionais.

Recentemente, a FIA criou uma nova faixa para ajudar especialmente a Honda.

Assim, qualquer fabricante que apresente uma discrepância superior a 10% passa a receber US$ 11 milhões e mais 230 horas de testes em bancada para acelerar seu desenvolvimento.

Essa estrutura mostra novamente que a FIA busca equilibrar o grid. Porém, ela também reforça uma lição que o Autoracing destaca há anos: na Fórmula 1, o melhor carro nasce da qualidade do conjunto. Uma única peça, por melhor que seja, nunca conta toda a história.

AS - www.autoracing.com.br

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