Anderson critica mudanças dos motores para 2027

sábado, 9 de maio de 2026 às 11:30

Gary Anderson

Gary Anderson acredita que as mudanças anunciadas pela FIA para os motores da Formula 1 em 2027 não resolverão um dos principais problemas reclamados pelos pilotos.

Na última sexta-feira, a FIA confirmou novos ajustes nas regras das unidades de potência da categoria para a próxima temporada. O objetivo das alterações é melhorar a experiência de pilotagem, além de tornar as disputas mais intuitivas para pilotos e equipes.

Entre as principais mudanças aprovadas em princípio para 2027 está o aumento de aproximadamente 50 kW na potência do motor a combustão. Ao mesmo tempo, a entidade pretende reduzir em cerca de 50 kW a potência de utilização do ERS.

Anderson vê problema estrutural no regulamento

Apesar das alterações, Anderson entende que a Formula 1 ainda não atacou a raiz do problema.

O ex-projetista utilizou um circuito genérico como exemplo para explicar por que considera equivocada a divisão praticamente equilibrada entre potência do motor a combustão e recuperação elétrica através do MGU-K.

Segundo o engenheiro, em uma volta ideal, os pilotos gostariam de acelerar no limite durante aproximadamente 60% do traçado e frear forte em cerca de 15% da volta.

Com isso, restaria uma grande faixa do circuito em que o gerenciamento de energia se tornaria artificial.

“Isso é algo que nunca fez sentido para mim. Ao longo de uma volta, você está pedindo potência máxima durante 60 segundos e freando por 20 segundos. Então, na prática, 33% da volta representa seu potencial máximo para recuperação de energia, e isso sendo generoso”, explicou Anderson em sua coluna para o The Race.

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Ex-projetista critica lift and coast

Na visão de Anderson, o modelo atual obriga os pilotos a recorrer constantemente ao lift and coast e também ao chamado super clipping.

Essas técnicas reduzem significativamente a possibilidade de pilotar no limite durante toda a volta.

“Então, para preencher essas lacunas, surge o lift and coast e o temido super clipping. Todos nós sabemos o que pensamos disso e também o que os pilotos acham dessa exigência”, afirmou.

Segundo os cálculos apresentados pelo ex-projetista, a potência máxima da bateria deveria cair teoricamente para algo próximo de 70 kW para tornar o sistema mais eficiente dentro das necessidades reais de uma volta.

Anderson cobra reação da FIA

Ao finalizar sua análise, Anderson afirmou que a FIA ainda não compreendeu totalmente a dimensão do problema criado pelo atual conceito dos motores híbridos.

O engenheiro também demonstrou preocupação com a repetição de erros já vistos anteriormente na Formula 1.

“Cometi muitos erros na minha vida, mas uma coisa que tentei não fazer foi cometer o mesmo erro duas vezes.”

“O que estou vendo nessa declaração é que as pessoas no comando não parecem ter levado em consideração o quão dramático realmente é o problema em que se colocaram”, concluiu.

EB - www.autoracing.com.br

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