Ferrari removeu mini asas do halo após conversas com FIA

segunda-feira, 16 de março de 2026 às 9:14

Mini asas no halo da Ferrari

A Ferrari decidiu retirar suas novas mini asas instaladas no halo durante o fim de semana do GP da China de Fórmula 1. A decisão ocorreu após discussões com a FIA sobre a interpretação do regulamento técnico.

Inicialmente, o novo conceito apareceu no treino livre em Xangai e passou normalmente pela inspeção técnica antes da corrida curta. No entanto, poucas horas depois, a equipe removeu o componente dos carros no sábado.

Isso aconteceu porque a federação levantou dúvidas sobre a interpretação regulatória adotada pela Ferrari. Dessa forma, a equipe avaliou que não valeria a pena prolongar o debate durante o evento.

Além disso, existia o risco de enfrentar problemas após a corrida caso a FIA adotasse uma posição contrária ou algum rival apresentasse protesto formal.

Portanto, as conversas devem continuar nas próximas semanas. Assim, a Ferrari pretende obter uma definição clara sobre a legalidade da solução antes de decidir se voltará a utilizar as pequenas asas em corridas futuras.

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Atualizações aerodinâmicas chamaram atenção no paddock

A Ferrari chegou ao circuito de Xangai com duas novidades aerodinâmicas que rapidamente chamaram a atenção no paddock.

Na traseira do carro, a equipe testou pela primeira vez em um fim de semana de corrida seu conceito de asa traseira “flip-flop” invertida. Durante os treinos livres, tanto Lewis Hamilton quanto Charles Leclerc utilizaram o componente.

Nesse caso, o desenho permite que o elemento superior da asa traseira gire até 180 graus quando o modo de reta é ativado.

Como resultado, o carro consegue reduzir significativamente o arrasto aerodinâmico. O conceito pode até gerar uma pequena sustentação, o que ajuda a diminuir a resistência de rolagem dos pneus.

Ao mesmo tempo, a Ferrari também instalou duas pequenas asas em cada lado do suporte central do halo. Segundo a própria equipe, tratava-se apenas de uma atualização aerodinâmica menor.

Inclusive, em sua submissão oficial à FIA, a Ferrari descreveu o componente da seguinte forma: “Não é específico para um evento. Em vez disso, simplesmente proporciona um pequeno ganho de carga aerodinâmica”.

Na prática, o formato das asas indicava um objetivo claro. Elas ajudariam a direcionar o fluxo de ar ao redor do cockpit. Consequentemente, o ar chegaria mais limpo às áreas posteriores do carro, o que poderia melhorar tanto a eficiência aerodinâmica quanto o nível de downforce.

Ganho pequeno não compensou o risco

Curiosamente, a Ferrari optou por não utilizar sua nova asa traseira após os treinos. A equipe concluiu que ainda precisava entender melhor o comportamento da peça antes de utilizá-la em corrida.

Por outro lado, as asas do halo foram mantidas para a corrida curta de sábado, já que ofereciam um pequeno ganho de performance.

Mesmo assim, o componente desapareceu antes da classificação principal. Como consequência direta, as peças não poderiam retornar ao carro por causa das regras de parque fechado.

Embora a Ferrari não tenha divulgado uma explicação oficial, fontes indicam que a decisão ocorreu após conversas com a FIA sobre a legalidade da solução.

De acordo com uma fonte sênior da equipe, havia receio de que o conceito estivesse “no limite” do regulamento técnico. Assim, a Ferrari preferiu agir com cautela.

O ganho de desempenho era mínimo, estimado em apenas alguns centésimos de segundo. Portanto, a equipe considerou mais prudente evitar qualquer possibilidade de protesto ou investigação após a corrida.

Regulamento limita uso de peças no halo

Ainda não está totalmente claro o que chamou a atenção da FIA antes da classificação. Afinal, tanto o carro de Hamilton quanto o de Leclerc passaram pela inspeção técnica após a corrida curta.

No entanto, existe a possibilidade de que uma equipe rival tenha levantado dúvidas sobre o conceito e apresentado uma interpretação alternativa do regulamento.

Na F1, as equipes enfrentam restrições bastante rígidas sobre onde podem instalar elementos de carroceria. Em outras palavras, cada peça precisa permanecer dentro de áreas específicas chamadas de “caixas de legalidade”.

De fato, o regulamento técnico permite adicionar carenagens ao halo. Porém, normalmente essas soluções aparecem apenas ao longo da parte superior da estrutura.

Nesse contexto, também existe a possibilidade de que a FIA esteja adotando cautela adicional. Afinal, caso aprove completamente a solução da Ferrari, outras equipes poderiam desenvolver conceitos ainda mais agressivos nessa área do carro.

Ferrari já explorou limites do halo no passado

Vale lembrar que não é a primeira vez que a Ferrari explora soluções aerodinâmicas no halo.

Durante o GP da Espanha de 2018, por exemplo, a equipe utilizou uma interpretação específica do regulamento para instalar espelhos e aletas aerodinâmicas na estrutura.

Naquele momento, a FIA decidiu proibir o conceito logo após a corrida em Barcelona. A federação concluiu que a Ferrari utilizava os suportes de maneira destinada a gerar ganho aerodinâmico adicional.

Nova asa traseira deve voltar no GP do Japão

Enquanto o futuro das asas do halo ainda permanece incerto, a nova asa traseira “flip-flop” deve retornar no próximo evento do calendário.

Frederic Vasseur, chefe da equipe, explicou que a Ferrari pretende acumular mais quilometragem com o componente durante o GP do Japão. Segundo ele, a equipe precisa testar a peça em sessões de treinos livres antes de tomar uma decisão definitiva.

“Se queremos colocar quilometragem nas peças, precisamos usar o TL1”, afirmou Vasseur. “Provavelmente faremos isso novamente na próxima semana no Japão. Se a confiabilidade estiver boa e a quilometragem também, então poderemos introduzir a asa durante o fim de semana”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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