Crise com a Honda pode levar Aston Martin a trocar motor

sábado, 7 de março de 2026 às 15:00

Aston Martin

A crise entre Aston Martin e Honda ganhou novos capítulos durante o fim de semana do GP da Austrália. Segundo o ex-piloto de Fórmula 1 Timo Glock, a equipe pode até considerar encerrar o acordo de fábrica com a fabricante japonesa ainda durante a temporada.

O comentarista da Sky alemã avaliou a situação de forma extremamente crítica. Para ele, os problemas enfrentados pela parceria em Melbourne representam um início desastroso para o projeto.

“Isto é uma catástrofe completa, um golpe muito duro para a Honda. Aston Martin e Honda investiram muito na parceria, e agora só conseguem correr de forma limitada na Austrália. Que início de temporada desastroso.”

Além disso, Glock acredita que a equipe pode revisar os termos do acordo com a fabricante japonesa.

“A Aston Martin certamente vai revisar os acordos porque a Honda pode não ter cumprido certos compromissos. Consigo imaginar perfeitamente que uma troca para outro fabricante de motores seja considerada.”

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Discussões já surgem no paddock

Enquanto isso, jornalistas da Sky Italia afirmam que o assunto já circula no paddock em Melbourne. Segundo Matteo Bobbi e Marc Gene, pessoas próximas à equipe discutem a possibilidade de uma mudança de fornecedor de motor ainda no meio da temporada.

De acordo com os relatos, o proprietário da equipe, Lawrence Stroll, e o projetista Adrian Newey estariam insatisfeitos com o desempenho atual da Honda.

A situação também levantou dúvidas sobre o processo de verificação inicial da parceria. O próprio Newey revelou que a equipe só descobriu em novembro que muitos engenheiros experientes não haviam retornado ao programa de Fórmula 1 da Honda quando a fabricante reorganizou seu departamento.

Glock demonstrou surpresa com essa revelação.

“Por que a Aston Martin só percebeu em novembro que muitos engenheiros experientes não estavam mais trabalhando no programa de Fórmula 1 da Honda? Por que a equipe não reconheceu isso antes?”

“Honestamente, eu não consigo entender.”

Até o presidente da Fórmula 1, Stefano Domenicali, admitiu surpresa ao comentar o tema.

“Não quero mentir”, disse Domenicali sorrindo. “Fiquei surpreso com essa situação.”

Equipe precisa lidar com falta de peças

Enquanto isso, a realidade imediata da equipe continua complicada. O presidente da Honda Racing, Koji Watanabe, confirmou que a equipe precisa atravessar o fim de semana utilizando apenas as duas baterias já instaladas nos carros.

Caso ambas apresentem problemas, a equipe simplesmente não poderá continuar na pista.

“Sim”, respondeu Watanabe quando questionado se a equipe ficaria impossibilitada de correr caso as duas baterias se tornem inutilizáveis.

Ele também explicou que a equipe não tem como transportar novas peças com urgência.

“Não podemos transportar baterias com urgência, então vamos lutar com o que temos.”

Por esse motivo, a equipe acompanha os dados com extremo cuidado.

“Vamos monitorar os dados cuidadosamente e talvez impor restrições de uso se necessário.”

Segundo Watanabe, o foco principal agora está na solução de um problema de vibração identificado no sistema.

“O que é importante para nós agora é superar os problemas que estão à nossa frente. Se não resolvermos o problema de vibração, não podemos avançar para o próximo passo de confirmar o desempenho.”

Ele também descartou a possibilidade de acelerar atualizações enquanto a causa do problema não estiver identificada.

“Se não identificarmos primeiro a causa da vibração, não importa quantas atualizações façamos, isso não terá significado.”

Honda encontra pequeno sinal positivo

Apesar da situação complicada, os engenheiros da Honda identificaram um pequeno avanço. O chefe de engenharia da fabricante, Shintaro Orihara, afirmou que algumas medidas implementadas na fábrica de Sakura começaram a mostrar resultados.

“Como Lance e Fernando completaram 31 voltas juntos, conseguimos reunir os dados necessários para determinar que as coisas que implementamos primeiro no banco de testes da HRC em Sakura estão funcionando na pista.”

“De acordo com nossa análise, há menos vibrações na bateria.”

Alonso mantém discurso cauteloso

Fernando Alonso também comentou a situação da equipe. O espanhol reconheceu frustração com a falta de peças de reposição, mas evitou críticas públicas mais duras.

“Eu dirijo o carro. Claro que fico decepcionado por não termos peças de reposição quando elas são fornecidas apenas para uma equipe.”

“Mas essa é a situação.”

Além disso, Alonso afirmou que a visão interna da equipe é mais positiva do que a percepção externa.

“Somos muito mais positivos do que a mídia, as pessoas ao nosso redor e o que é dito de fora.”

“Por enquanto não vemos o progresso que gostaríamos, mas pequenas melhorias estão aparecendo.”

Cenário preocupa observadores do paddock

Mesmo assim, alguns observadores enxergam a situação de forma bastante preocupante. Marc Gene, da Ferrari, classificou o momento da Aston Martin como algo difícil até de imaginar.

“A crise da Aston Martin é uma situação impensável, inimaginável. É algo que você não conseguiria imaginar nem no pior filme possível.”

Por outro lado, o ex-piloto Pedro de la Rosa, hoje embaixador da equipe, adotou uma visão mais equilibrada sobre o cenário.

“É uma situação ruim, mas ninguém deve pensar que isso vai nos acompanhar durante toda a temporada.”

Segundo ele, o principal problema envolve a confiabilidade ligada às vibrações do conjunto.

“Existe um problema de confiabilidade ligado às vibrações. Depois disso, o outro Everest será fazer o motor e o chassi renderem melhor.”

De la Rosa também ressaltou que o projeto ainda está no início do desenvolvimento.

“Estamos apenas começando agora, e estamos descobrindo os problemas justamente antes da primeira corrida, e agora fomos pegos em flagrante.”

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