Saga dos motores de 2026 ganha mais um capítulo
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 às 9:23
Dentro da câmara de combustão
A disputa em torno dos novos motores da Fórmula 1 ganhou um desdobramento relevante. Desta vez, a FIA praticamente abandonou sua proposta original para resolver o impasse sobre a taxa de compressão.
No lugar da ideia inicial, dirigentes e fabricantes articulam um novo compromisso político que altera prazos e sobretudo mexe no equilíbrio técnico entre as montadoras.
De acordo com a revista alemã Motorsport Magazin, a Comissão da F1 aprovou um plano durante os testes de pré-temporada no Bahrain. Ainda assim, o próprio ambiente político interno esvaziou rapidamente essa proposta.
Dessa forma, o texto sequer entrou em vigor e já enfrenta reavaliação. Com isso, dirigentes passaram a defender uma alternativa mais viável.

Plano inicial perde sustentação política
No formato original, a proposta estabelecia mudanças no regulamento a partir de 1º de agosto de 2026. Para viabilizar a alteração, os cinco fabricantes de unidades de potência – Mercedes, Ferrari, Red Bull, Honda e Audi – precisariam votar ao lado da F1 e da FIA.
Como o regulamento exige supermaioria de seis votos, a Mercedes não conseguiria barrar a mudança sozinha. Ainda assim, a fabricante poderia buscar apoio político da F1 ou da federação. Portanto, o desfecho dependeria tanto de articulação estratégica quanto de argumentos técnicos.
O texto original exigia medições da taxa de compressão em duas condições distintas: fria (temperatura ambiente) e quente (130 °C). Atualmente, o regulamento menciona apenas medições em condição ambiente. Por isso, a alteração mudaria diretamente a interpretação técnica da regra.
Curiosamente, Toto Wolff manifestou apoio público à proposta. Mesmo assim, as demais fabricantes rejeitaram a ideia. Assim, o consenso se desfez em poucos dias.
Novo acordo antecipa prazo e cria sistema em duas etapas
Diante da resistência, as rivais contestaram a obrigatoriedade de medições nas duas temperaturas. Em resposta, representantes das montadoras negociaram um novo compromisso. Com isso, a Comissão da F1 passou a discutir uma alternativa politicamente mais aceitável.
Agora, o novo plano antecipa o prazo da mudança regulatória de 1º de agosto para 1º de junho de 2026. Além disso, o texto estabelece um modelo em duas fases. Entretanto, F1, FIA e Mercedes ainda precisam alinhar posições para confirmar a adoção definitiva.
A partir de 1º de junho de 2026, os fiscais medirão a taxa de compressão em condição fria e quente até o fim da temporada. Já em 2027, a federação permitirá medições apenas em condição quente. Assim, o regulamento cria uma transição clara entre os dois formatos.
Impacto direto na vantagem competitiva
Na prática, a revisão vai além de um simples ajuste de calendário. Ao impor medições exclusivamente em condição quente a partir de 2027, o acordo elimina boa parte do benefício técnico que a Mercedes poderia manter.
Consequentemente, a fabricante alemã e suas equipes clientes precisarão adaptar a unidade de potência no médio prazo. Caso o novo formato avance, engenheiros terão de revisar conceitos e parâmetros internos.
Por outro lado, se mantivessem o sistema duplo de forma permanente, os reguladores permitiriam que a Mercedes preservasse parte da vantagem, ainda que reduzida. Contudo, com a nova redação, esse ganho deixa de existir no ciclo seguinte.
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