FIA determinada a evitar protestos no início de 2026
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026 às 9:14
Nikolas Tombazis
A FIA deixou claro que quer evitar qualquer tipo de disputa legal logo após a primeira corrida da temporada 2026 da Fórmula 1.
Nesse contexto, Nikolas Tombazis, diretor técnico de monopostos da federação, afirmou que o foco está em resolver divergências técnicas antes que elas se transformem em protestos formais.
A declaração surge em meio a uma crescente controvérsia envolvendo os novos motores que entrarão em vigor com o próximo regulamento técnico.

Suspeita envolve taxa de compressão acima do limite
Durante o inverno europeu, surgiram informações de que a Mercedes High Performance Powertrains e possivelmente a Red Bull Powertrains teriam desenvolvido um sistema capaz de elevar a taxa de compressão dos motores de 2026 para 18:1. No entanto, o regulamento atual estabelece um limite máximo de 16:1.
Caso essa solução seja confirmada, o impacto no desempenho seria relevante. Afinal, uma taxa de compressão maior pode resultar em um ganho de até 0.3s por volta em Melbourne. Assim, ao longo das 58 voltas da corrida, a vantagem poderia chegar a aproximadamente 17.4s em tempo total.
Método de medição gera desconfiança entre rivais
O ponto mais sensível da discussão, porém, está na forma como a FIA mede a taxa de compressão. Atualmente, a verificação ocorre em temperatura ambiente, nos boxes. Nessas condições, os motores estariam dentro do limite permitido.
Entretanto, segundo as suspeitas, o uso de metais expansivos poderia fazer com que a taxa aumentasse quando o carro estivesse em pista. Ainda assim, essa variação não seria detectada pelos métodos atuais de fiscalização. Por consequência, o tema ganhou força nos bastidores do paddock.
Ferrari, Honda e Audi pressionam por esclarecimentos
Diante desse cenário, Ferrari, Honda e Audi, os outros fornecedores de unidades de potência para 2026, demonstraram insatisfação. Por isso, uma reunião decisiva foi marcada para esta quinta-feira com o objetivo de esclarecer o impasse e alinhar interpretações técnicas.
Além disso, uma das alternativas discutidas envolve a adoção de regras mais rígidas a partir de 2027. Ainda assim, a prioridade imediata é garantir que não haja conflitos logo na abertura da nova era técnica.
Tombazis minimiza crise e afasta protestos na Austrália
Falando pela primeira vez sobre o tema, Tombazis adotou um tom cauteloso. Segundo ele, apesar da intensidade do debate, a situação não deve evoluir para protestos formais no GP da Austrália.
“Claro que todos são extremamente apaixonados e competitivos. Quando as pessoas estão nesse estado de espírito, isso pode gerar certa cegueira para outros argumentos”, explicou à Reuters durante o Autosport Business Exchange.
Na sequência, o dirigente ressaltou que diferentes interpretações fazem parte do ambiente competitivo da F1. Ainda assim, cabe à FIA esclarecer os limites técnicos.
“Algumas pessoas apresentam seu ponto de vista como a única verdade. Infelizmente, as coisas nunca são completamente simples. É aí que entramos para esclarecer esses pontos”.
Além disso, Tombazis minimizou a dimensão da controvérsia. “Não acredito que seja um tema tão grande quanto está sendo retratado atualmente na imprensa”.
Prioridade é correr, não discutir nos tribunais
Quando questionado diretamente sobre a possibilidade de um protesto em Melbourne, Tombazis foi direto e confiante. “Acredito que ficará tudo bem”.
Por fim, o dirigente reforçou o principal objetivo da entidade. Segundo ele, evitar polêmicas logo no início da temporada é fundamental para a categoria.
“É uma prioridade máxima garantir que não tenhamos controvérsias, porque queremos correr, e não ficar sentados em tribunais e audiências após a primeira etapa”.
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