Ex-comissário diz que Masi “deu” título de 2021 a Verstappen
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 às 10:11
Michael Masi
Um ex-piloto de Fórmula 1 que também atuou como comissário da FIA em 2021 afirmou que o então diretor de prova Michael Masi “presenteou” Max Verstappen com o título mundial daquela temporada.
Segundo ele, a decisão tomada no GP de Abu Dhabi foi determinante e acima de tudo evitável.
A FIA acabou demitindo Masi após sua condução amplamente criticada da final de 2021. Naquela corrida, ele autorizou uma relargada lançada na última volta.
No entanto, permitiu apenas que parte dos retardatários recuperasse a volta perdida. Como consequência direta, o pelotão foi reorganizado de forma desigual.
Dessa maneira, Verstappen encontrou espaço livre para atacar Lewis Hamilton. Assim, ultrapassou o rival na última volta, venceu a prova e garantiu o campeonato mundial.

Relargada polêmica mudou o rumo do campeonato
Danny Sullivan, campeão da IndyCar em 1988, foi comissário em duas etapas da F1 em 2021. Apesar disso, ele não esteve presente na controversa final em Abu Dhabi.
Ainda assim, analisou o episódio com firmeza. Segundo Sullivan, a decisão de Masi deixou Hamilton sem qualquer possibilidade de defesa.
“Os comissários não tiveram poder algum naquela situação”, afirmou ao Epartrade. “Além disso, havia pessoas pressionando para que a corrida não terminasse sob bandeira amarela porque isso não ficaria bem”.
Por esse motivo, Masi liberou apenas cinco carros retardatários. Dessa forma, criou-se uma situação específica que favoreceu Verstappen. Entretanto, conforme o regulamento, o procedimento correto exigia a liberação de todos os retardatários.
Contudo, se isso tivesse ocorrido, a corrida não terminaria em bandeira verde. Pelo contrário, o pelotão não teria tempo suficiente para se reagrupar antes da linha de chegada. Assim, o GP terminaria sob safety car.
Diferença de pneus tornou o desfecho inevitável
Após a liberação seletiva, Masi posicionou Verstappen imediatamente atrás de Hamilton. A partir daí, o resultado tornou-se previsível.
“Max tinha parado para trocar pneus, enquanto Lewis não”, explicou Sullivan. “Portanto, um estava com pneus vermelhos novos, praticamente de classificação. O outro, por sua vez, tinha pneus com 44 voltas”.
Nesse cenário, a ultrapassagem era apenas uma questão de tempo. “Não havia a menor chance de Max não ultrapassar”, afirmou. “Por isso, aquela decisão basicamente entregou o campeonato mundial”.
FIA admitiu erro humano meses depois
Três meses após a corrida, a FIA divulgou um relatório oficial sobre o caso. Nele, a federação reconheceu que Masi cometeu um “erro humano”. Além disso, recomendou mudanças estruturais, incluindo a redução da carga de trabalho do diretor de prova nas temporadas seguintes.
Apesar disso, o impacto esportivo já estava consolidado. Afinal, o título da F1 de 2021 não poderia mais ser alterado.
Pressão extrema influenciou a decisão, diz Sullivan
Ainda assim, Sullivan contextualizou o ambiente em que Masi tomou a decisão. Para ele, a pressão acumulada ao longo da temporada foi um fator relevante.
“Para ser justo com Michael, eram 23 corridas na temporada”, explicou. “Esses profissionais viajam sem parar, sofrem pressão constante das equipes e lidam com controvérsias o tempo todo”.
Além disso, o momento era crítico. “Era literalmente o final do campeonato, nos últimos minutos da temporada. Portanto, a tensão era enorme”.
Mesmo assim, Sullivan manteve sua posição. “Sou fã de Max, não me entenda mal. Se eu fosse holandês, provavelmente diria que ‘a decisão foi correta’. E de fato, Max não fez nada de errado”.
No entanto, ele reforçou: “Ainda assim, para mim, não foi uma boa decisão. Essa é apenas a minha opinião e todos vão debater isso por muito tempo”.
Pós-Fórmula 1 e ambiente considerado tóxico
Depois de deixar a F1, Masi assumiu a presidência da Comissão da Supercars. Posteriormente, no início deste ano, passou a ocupar um novo cargo no MotorSport New Zealand. Uma entrevista concedida em 2022 revelou inclusive que ele assinou um acordo de confidencialidade com a FIA.
Enquanto isso, Sullivan destacou que não foi o único ex-piloto a se afastar da função de comissário. Johnny Herbert, por exemplo, encerrou sua participação de 15 anos no programa em 2024. Segundo ele, houve pressão interna junto ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, para sua substituição.
Para Sullivan, o ambiente enfrentado pelos oficiais se tornou “um pouco tóxico”. Além disso, ele criticou a impossibilidade de comentar publicamente decisões das quais participou.
“Havia muitas viagens, e com o tempo, a situação ficou tóxica”, afirmou. “Os comissários sofrem enorme pressão para acertar. Porém, éramos julgados sem poder responder. Isso não parecia justo”.
Decisões são coletivas e sem favorecimento
Apesar das críticas, Sullivan negou qualquer tipo de viés entre os comissários da FIA. “Existe um comissário piloto na sala, mas há outros três também. Portanto, as decisões são sempre coletivas”.
Ele acrescentou que já foi voto vencido em algumas ocasiões. “Em certos casos, achei que estava certo. No entanto, os outros discordaram com base nas informações disponíveis”.
Por fim, ele destacou a robustez dos dados analisados. “Temos todas as câmeras onboard, além de telemetria completa, freio, acelerador e volante. Em muitos casos, ainda entrevistamos os pilotos”.
Assim, Sullivan concluiu: “Em 14 anos, nunca senti qualquer viés. Ninguém decidia a favor de amigos. No fim das contas, tudo sempre foi muito direto”.
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