Ex-diretor de prova da F1 ainda não sabe por que foi demitido

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 às 9:09

Niels Wittich

Niels Wittich, ex-diretor de prova da Fórmula 1, afirmou que a FIA o dispensou sem apresentar qualquer explicação. Além disso, classificou o episódio como “a verdade decepcionante” sobre a forma como a entidade trata dirigentes seniores sob a atual liderança.

Em entrevista à agência DPA, Wittich explicou que a FIA o convocou para Genebra durante uma pausa no calendário no fim da temporada 2024. Inicialmente, ele esperava apenas uma reunião rotineira de coordenação. No entanto, ao final do encontro, deixou a Suíça sem emprego.

“Isso por si só não era algo incomum, pois já havíamos consultado ou coordenado assuntos com colegas no local”, afirmou. “Porém, sem que nada tivesse ocorrido entre a FIA e eu, pelo menos até onde me lembro, perdi meu cargo ao fim da reunião”.

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Wittich contesta versão oficial da FIA

Além de relatar a surpresa, Wittich reforçou que não pediu demissão. Dessa forma, contradisse diretamente a versão divulgada pela FIA, que afirmou que ele teria deixado o cargo para buscar “novas oportunidades”.

“Durante a conversa, perguntei repetidamente qual era o motivo dessa decisão”, explicou. “Ainda assim, até hoje não recebi resposta alguma. Ou seja, simplesmente não sei a razão”.

Embora a FIA tenha elogiado seu “profissionalismo e dedicação” no comunicado oficial, Wittich destacou que fez parte de um processo mais amplo de afastamentos internos. Segundo ele, isso ocorreu sob a presidência contínua de Mohammed Ben Sulayem.

Saídas em série e clima interno na entidade

Nesse contexto, Wittich afirmou que diversos dirigentes experientes também acabaram afastados. Entre os nomes citados, estavam o chefe de comissários Tim Mayer e a diretora-adjunta de provas da Fórmula 2, Janette Tan.

“De fato, deixa um gosto amargo saber que tantas pessoas tiveram de sair”, disse. “Além disso, não foram apenas freelancers. Muitos profissionais perderam cargos permanentes, igualmente sem qualquer explicação”.

Passagem pela direção de prova da F1

Vale lembrar que Wittich assumiu como diretor único de prova da F1 em 2023. A mudança aconteceu após a saída de Michael Masi e o fim do modelo compartilhado com Eduardo Freitas.

Desde então, sua gestão também gerou debates, especialmente sobre a aplicação das regras relacionadas ao uso de joias pelos pilotos.

“A abordagem da FIA era clara: existe um conjunto válido de regras e elas devem ser aplicadas”, explicou. “Por isso, garanti que essas normas fossem cumpridas. Além disso, os pilotos da F1 são referências, pois a próxima geração observa cada detalhe”.

Críticas externas e desfecho amargo

Anteriormente, o ex-piloto Ralf Schumacher já havia classificado a demissão de Wittich como um “erro absoluto”. Na mesma linha, ele sugeriu que pressões políticas podem ter influenciado a decisão.

Atualmente diretor de provas do GT World Challenge e comentarista da Sky, Wittich manteve o tom crítico ao falar sobre o desfecho.

“Ficou claro que nenhum de nós era realmente valorizado. Ao mesmo tempo, outras questões tiveram prioridade maior do que o desempenho individual”, afirmou.

“Essa foi a verdade decepcionante com a qual me deparei de repente”, concluiu. “Sinceramente, não espero receber uma resposta nem em 100 anos. Foi um bom período, mas inevitavelmente chegou ao fim”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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