Buemi avalia motor da Red Bull para 2026

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 às 8:56

Red Bull-Ford

Com a chegada iminente de uma nova era na Fórmula 1, impulsionada por uma reescrita profunda do regulamento técnico, cresce de forma significativa a curiosidade sobre qual unidade de potência surgirá como referência quando a temporada 2026 começar.

Além disso, como as regras de motores passam por sua primeira grande reformulação desde 2014, um novo redesenho do cenário competitivo pode acontecer mais cedo do que muitos imaginam.

Na mudança anterior, por exemplo, a Mercedes acertou em cheio e dominou desde as primeiras corridas. Desta vez, no entanto, o desfecho segue em aberto. Ao mesmo tempo, a categoria contará com duas novas fornecedoras de motores, o que aumenta ainda mais o nível de incerteza.

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Audi e Red Bull assumem projetos de fábrica

Por um lado, a Audi fará sua estreia oficial na F1 como equipe de fábrica após assumir o controle total da Sauber. Por outro, a Red Bull também iniciará uma nova fase dentro da categoria.

Depois de duas décadas no grid e seis títulos de construtores, a equipe de Milton Keynes produzirá seus próprios motores pela primeira vez.

Esse passo acontece por meio da Red Bull Powertrains (RBPT) em parceria técnica com a Ford, que entrou no projeto após a saída da Honda para a Aston Martin.

Dessa forma, a Red Bull abandona o modelo de cliente e assume uma operação completa de fábrica. Não por acaso, muitos no paddock descrevem essa transição como equivalente a escalar o Monte Everest. Afinal, além do novo motor, o regulamento de chassi também muda em 2026.

Mesmo assim, Sebastien Buemi, piloto da Envision Racing na Fórmula E e responsável por trabalhar no simulador da Red Bull, vê sinais positivos. Entretanto, ele adota um discurso cauteloso.

Buemi reforça cautela e destaca o peso da pista

Em entrevista ao racingnews365.com, Buemi fez uma avaliação direta do estágio atual do projeto, ao mesmo tempo em que reconheceu a magnitude do desafio.

“Eu acho que está indo bastante bem”, afirmou o suíço. “Porém, é um desafio enorme para a Red Bull fabricar seu próprio motor. Você realmente só descobre onde está quando coloca o carro na pista e se compara com os outros”.

Segundo ele, dados internos ajudam, mas contam apenas parte da história. A confiabilidade, por exemplo, costuma aparecer cedo. A competitividade real, entretanto, surge apenas em confronto direto.

“Você até consegue saber se o conjunto é confiável ou se existem grandes problemas”, explicou. “No entanto, em termos de performance, é preciso correr contra os outros”.

Além disso, Buemi destacou como referências internas podem ser enganosas quando analisadas de forma isolada.

“Você pode achar que fez algo incrível. Ainda assim, se outras equipes fizeram muito melhor, o resultado será ruim”, disse de forma franca. “Estamos trabalhando muito há meses. Em algum momento, precisamos descobrir se isso é suficiente”.

Um projeto construído do zero

O regulamento de 2026 dará maior ênfase à parte elétrica e ao uso de combustíveis sustentáveis. Ao mesmo tempo, eliminará o MGU-H. Por isso, a experiência de Buemi na Fórmula E ganha ainda mais valor dentro do projeto.

Contudo, para a Red Bull, o desafio cresce porque toda a operação de motores precisou ser criada do zero.

“Eles têm metas claras e a intenção é alcançá-las”, afirmou o campeão da FE em 2015 e 2016. “Mas é importante lembrar que começaram do nada: sem fábrica, sem funcionários, sem estrutura”.

Desde então, a evolução da RBPT chama atenção. Segundo Buemi, o departamento de motores já conta com cerca de 500 profissionais.

Além dos números, a filosofia adotada também se destaca.

“O que eles têm hoje – motor, túnel de vento, chassi, bancadas de teste, marketing, tudo no mesmo local – eu acho que só a Ferrari possui algo parecido”, observou. Porém, vale ressaltar que o túnel de vento ainda não está totalmente pronto.

Simulação ajuda, mas não garante resultados

Apesar do avanço estrutural, Buemi deixou claro que a busca pela perfeição nunca termina na F1, principalmente em sistemas híbridos tão complexos.

“Queremos sempre mais: mais dirigibilidade, confiabilidade e potência”, explicou. “Até agora, tudo parece ir bem. Mesmo assim, só vamos ter certeza quando realmente pilotarmos”.

Por fim, o suíço destacou os limites das ferramentas modernas de desenvolvimento.

“A simulação do motor ou o teste na bancada podem parecer ótimos”, disse. “Porém, quando o motor entra no carro, podem surgir vibrações que causam danos. É muito difícil prever tudo”.

Assim, enquanto 2026 se aproxima rapidamente, a Red Bull avança com ambição e estrutura. Ainda assim, como Buemi fez questão de frisar, apenas a pista revelará a verdadeira força do projeto.

 

LS - www.autoracing.com.br

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