Polêmica em torno dos motores de 2026 se intensifica
terça-feira, 23 de dezembro de 2025 às 9:06
Motor F1 2026
A polêmica em torno das unidades de potência da Fórmula 1 para 2026 ganhou ainda mais força. Agora, além da Mercedes, surgem indícios de que outras fabricantes também tentam explorar uma possível brecha no regulamento técnico.
Segundo o Corriere dello Sport, a Red Bull Powertrains também trabalha para reproduzir um sistema que permitiria aos motores atingir, em condições reais de funcionamento, uma taxa de compressão próxima de 18:1. Isso ocorre apesar de o regulamento impor um limite teórico de 16:1.
De acordo com a publicação italiana, um engenheiro que deixou a Mercedes e passou a integrar a Red Bull Powertrains teria revelado os detalhes do conceito há cerca de sete meses.

Desde então, a estrutura da Red Bull tenta aplicar a ideia. Ainda assim, os resultados práticos seguem abaixo do esperado.
“Há sete meses, um engenheiro da Mercedes contratado pela Red Bull Powertrains compartilhou esse segredo. Desde então, a Red Bull tenta reproduzir o sistema”, relata o jornal.
Mercedes amplia vantagem após longo desenvolvimento
Entretanto, apesar das tentativas da concorrência, a diferença técnica permanece significativa. Isso ocorre porque a Mercedes desenvolve esse conceito há mais de um ano. Como consequência, a fabricante construiu uma vantagem difícil de ser neutralizada em curto prazo.
Enquanto isso, a Red Bull Powertrains ainda não conseguiu replicar a mesma performance em condições reais de pista. Por outro lado, a Mercedes já teria comprovado o funcionamento do sistema em situação dinâmica.
“A Red Bull ainda não conseguiu se aproximar de uma taxa de compressão de 18:1 durante a pilotagem. A Mercedes, por sua vez, alcançou esse patamar”, afirma o Corriere dello Sport.
Caso essa interpretação do regulamento seja mantida, o impacto vai além da equipe oficial da Mercedes. Afinal, todas as equipes clientes da fabricante alemã podem se beneficiar em 2026. Entre elas estão McLaren, Williams e Alpine, que também utilizam a mesma UP.
Fiscalização vira ponto-chave do impasse
Além da vantagem técnica, outro fator alimenta a controvérsia: a fiscalização. O regulamento estabelece que a taxa de compressão deve ser verificada à temperatura ambiente. Contudo, essa regra abre uma zona cinzenta quando o motor atinge temperaturas reais de operação em pista.
Segundo o jornal italiano, os fabricantes que solicitam esclarecimentos à FIA defendem que os carros devem cumprir o regulamento em todos os momentos. Ainda assim, provar uma infração se mostra extremamente complexo, mesmo após eventuais protestos formais.
“Os fabricantes pedem à FIA uma interpretação clara, pois é difícil provar o descumprimento das regras, mesmo depois de um protesto”, destaca a reportagem.
Além disso, o próprio texto do regulamento acabaria permitindo interpretações alternativas.
“O regulamento especifica que a verificação ocorre à temperatura ambiente. Dessa forma, ele abre espaço para leituras livres, algo que não existia nas regras anteriores”, acrescenta o diário italiano.
Oito carros podem ganhar potência extra
Com isso, a preocupação entre os rivais aumenta de forma consistente. Afinal, oito carros equipados com motores Mercedes devem alinhar no grid de 2026. Portanto, qualquer ganho de potência pode se traduzir em vantagem direta em corridas e campeonatos.
“As equipes tentam resolver esse tipo de situação em reuniões semanais. No entanto, cresce o receio de que os oito carros com motores Mercedes tenham mais potência”, aponta o jornal.
FIA enfrenta dilema técnico e político
Diante desse contexto, a FIA se vê diante de um dilema complexo. Por um lado, proibir o sistema pode comprometer seriamente a Mercedes, que teria projetado sua unidade de potência de 2026 com base nesse conceito.
Por outro, permitir o uso pode gerar protestos imediatos e forte desgaste político ao longo da temporada.
Segundo o Corriere dello Sport, uma solução intermediária já circula nos bastidores. A proposta permitiria que a Mercedes utilizasse o sistema apenas em 2026, desde que se comprometesse oficialmente a abandoná-lo em 2027.
Mesmo assim, essa alternativa encontra resistência crescente. Afinal, ela garantiria às equipes motorizadas pela Mercedes uma vantagem clara durante uma temporada inteira.
Por isso, rivais já demonstram oposição firme à ideia, elevando ainda mais a tensão nos bastidores da F1.
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