Tony Kanaan e a última ligação do Brasil com sua época de ouro

Tony Kanaan – Indy 500 2013

Por: Bruno Aleixo

Na última semana, Tony Kanaan anunciou que vai disputar sua última temporada na Fórmula Indy. Quer dizer: mais ou menos a última temporada, porque correrá apenas nos cinco ovais selecionados para 2020, incluindo Indianapolis. O carro #14 será conduzido por Sebastien Bourdais e Dalton Kellett nas provas restantes. Um clássico da Foyt, indubitavelmente a pior equipe do grid da Fórmula Indy.

A saída de Tony é triste, mas não inesperada. O piloto de 45 anos já não apresentava um desempenho exemplar há algum tempo, e nem estou falando de sua passagem pela péssima equipe de A.J. Foyt. Basta voltar um pouquinho e lembrar que ele jamais conseguiu resultados convincentes quando esteve na poderosa Chip Ganassi. Seu derradeiro brilho foi quando pilotou pela KV, sagrando-se vencedor das 500 Milhas de Indianapolis, em 2013.

Tony Kanaan é um ótimo piloto e sua presença na Indy representava, talvez, a última ligação do Brasil com sua época de ouro no automobilismo. Tony começou a carreira em monopostos no país e na América do Sul, quando Ayrton Senna ainda brilhava na F1. Mudou seu direcionamento para os Estados Unidos, quando os brasileiros perceberam que a Indy seria uma excelente opção e invadiram a categoria na metade da década de 1990. Kanaan chegou em 98, após a cisão entre a Indy e a Cart, mas ainda pegou uma turma forte pela frente.

Foi campeão em 2004 pela Andretti, completando todas as voltas daquela temporada, numa incrível demonstração de regularidade. Ao longo dos anos, juntamente com Hélio Castroneves, figurou entre os principais pilotos da Indy, sempre mantendo-se relevante.

Definitivamente, Kanaan merecia uma despedida mais digna, mas não na Foyt. Correndo 5 ou 20 corridas, não faria diferença, como não fez no ano passado. Tony merecia uma despedida em uma boa equipe, com chances de brigar na ponta, fazendo aquilo que se acostumou a fazer em suas 377 corridas na Fórmula Indy. Mas, não vai rolar. E que ele possa encontrar um bom lugar para correr a partir de 2021. Categorias não faltam.

A Fórmula Indy, assim como a F1, não terá brasileiros no grid, pela primeira vez em muitos anos. Mas, ao contrário da categoria europeia, a Indy não tem o mesmo apelo. Não será transmitida por nenhuma TV aberta em 2020 e, suspeito, desaparecerá da pauta no Brasil (não no Loucos por Automobilismo, garanto!). Agora, só nos resta torcer para que algum brasileiro, sem chance de correr na F1 (alô Sette Câmara, tudo bem?), possa se interessar pela Indy e mostrar que há muita vida no automobilismo norte americano.

Bruno Aleixo
São Paulo – SP

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