Superbike – Foi dada a largada

Jonathan Rea

Jonathan Rea

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

A Stock Car nasceu em provas realizadas com carros de passeio adaptados para competições, basicamente modelos disponíveis nas concessionárias aliviados de equipamentos sem utilidade prática em uma pista. A profissionalização do esporte, com a consequente necessidade de criar condições de competitividade para atrair espectadores, forçou a evolução para equipamentos mais complexos, desvirtuando a ideia original. Nos dias atuais os campeonatos mais badalados têm abrangência regional, o Stock Car Brasil, Nascar (EUA), Corona Series (México) e diversas competições no Reino Unido, Canadá e Austrália.

O correspondente ao Stock Car em motovelocidade é representado pelo mundial de Superbike (WSBK), disputado desde 1988 e reconhecido por eleger todos os anos a moto com melhor desempenho que pode ser adquirida no mercado. A base para uma Superbike é obrigatoriamente uma versão homologada de um equipamento produzido em série e com um número mínimo de unidades comercializadas nos mercados dos Estados Unidos, União Europeia e Japão. O chamado Motul FIM Superbike World Championship é dividido em várias classes, com o objetivo de incentivar a concorrência entre fabricantes e proporcionar oportunidades para pilotos de várias faixas etárias.

A principal classe, Superbike, utiliza máquinas baseadas em equipamentos de linha de produção com pequenas modificações na gestão do motor, sistema de escape, suspensão, freios e umas poucas peças do motor. A moto deve ter um peso mínimo de 168kg e um motor entre 750cc e 1200cc, dependendo do número de cilindros. Modificações técnicas limitadas foram permitidas para a temporada de 2015 e mantidas desde então.

A Supersport contempla máquinas mais leves e com menor potência, capacidade cubica limitada entre 400cc a 750cc dependendo do número de cilindros. A classe é muito competitiva, produz algumas incríveis batalhas na pista e é de vital importância para os fabricantes.

A Superstock 1000 apresenta motos com quase 100% de componentes de estoque e são o mais próximo possível de motos encontradas nas estradas todos os dias. A classe é orientada para corredores jovens e ambiciosos, a idade limite é de 28 anos e apenas um tipo de pneu com ranhuras é permitido.

Supersport 300 é uma nova classe criada em 2017, especifica motos leves e está aberta a condutores com idade mínima de 15 anos, um campeonato facilmente acessível no cenário mundial com muitos pilotos inscritos, tende a ser uma classe muito disputada. A motivação dos organizadores foi facilitar o acesso para equipes e pilotos com baixo orçamento. Todas as motos são homologadas pela FIM e estão sujeitas a modificações nos limites de peso (lastro) e limitadores de rotações para garantir a maior equalização de condições de competitividade.

O mundial de WorldSBK realizou a primeira etapa da temporada 2017 no último fim de semana em Phillip Island, Austrália. A pole cravou um tempo menor que a da MotoGP no mesmo circuito em outubro de 2016, 1.29,573 de Jonathan Rea contra 1.30,189 de Marc Márquez (com diferentes condições de clima). As duas provas, sábado e domingo, foram eletrizantes. No sábado houve oito trocas de liderança e na bandeirada final a diferença entre a Kawasaki ZX-10R de Rea para a Ducati Panigale R de Chaz Davies foi de 0,042 seg. Os cinco primeiros colocados nesta prova são britânicos, um contraponto com a armada espanhola da MotoGP. A Kawasaki ficou com o primeiro, terceiro e décimo lugares, Ducati com segundo e sexto, Yamaha com quarto e nono, Agusta com o quinto, BMW com o sétimo e Aprilia com o oitavo, seis fabricantes diferentes entre os dez primeiros.

A prova de domingo repetiu a disputa acirrada entre Rea e Davis, com o atual campeão do mundo cruzando a linha final com uma diferença ainda menor, 0,025 segundos. Entre os dez primeiros a Kawasaki colocou duas motos (primeiro e sexto), a Ducati três (segundo, terceiro e quinto), a Yamaha duas (quarto e sétimo), Aprilia duas (nono e décimo) e Agusta uma (oitavo), comprovando o grande equilíbrio da prova.

O ponto negativo da primeira etapa da temporada foi o péssimo desempenho das Honda CBR1000RR de Nicky Hayden e Stefan Bradl.

Para os que acompanham as categorias de acesso, na WorldSSP a vitória de Roberto Rolfo (MV Agusta F3) sobre Lucas Mathias (Yamaha YZF R6) por inacreditáveis 0,001 segundos valeu pelo espetáculo. A diferença tão exígua obrigou a equipe de cronometragem da Tissot a realizar a confirmação pelo Photo Finish. Nesta mesma prova um grave acidente de Jules Cluzel (Honda CBR600RR) resultou na suspeita (não confirmada posteriormente) de fratura na pélvis do piloto, e uma jornada épica de Anthony West (Yamaha YZF R6) que disputou como WildCard e, com um motor cedido por amigos, conseguiu a terceira colocação.

Falta pouco mais de um mês para o início da temporada da MotoGP, porém as emoções da motovelocidade em 2017 já começaram, e bem.

Carlos Alberto Goldani
Poeto Alegre – RS

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