SBK – Primeira vitória do Kentuky Kid

Nicky Hayden em Sepang

Nicky Hayden em Sepang

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

A temporada da MotoGP em 2006 foi estranha. Valentino Rossi buscava o sexto campeonato consecutivo, era o melhor piloto, tinha a melhor moto, venceu cinco corridas e, na contagem geral, perdeu para a regularidade de Nicky Hayden, que com apenas duas vitórias acumulou cinco pontos a mais. Hayden interrompeu a sequência de três títulos mundiais pela Honda (2001, 2002 e 2003) e dois pela Yamaha (2004 e 2005) obtidos por Valentino Rossi.

Nicholas “Nicky” Patrick Hayden (30 de julho de 1981) pertence a uma família com longa tradição em corridas de motos em estradas nos EUA, onde iniciou a sua carreira. Nas primeiras competições em que participou era obrigado a largar na última posição do grip porque necessitava o auxílio de um membro da sua equipe para manter a moto na posição vertical, seus pés não alcançavam o chão. Até os dias atuais ostenta o título de piloto mais jovem a conquistar o campeonato AMA (American Motorcyclist Association) de SuperBike, em 2002.

O reconhecimento do talento de Hayden justificou em 2003 o contrato com a então principal equipe da MotoGP, a Repsol Honda, para atuar como companheiro do bicampeão mundial Valentino Rossi. Sem um desempenho excepcional, mas também não comprometedor, em sua primeira temporada recebeu o prêmio “Rokie-of-the-Year”. O norte-americano pilotou para a Honda até 2008, mudando no ano seguinte para a Ducati, onde foi companheiro de Casey Stoner. Entre 2011 e 2012, ainda na Ducati, Hayden reeditou a parceria com Valentino Rossi e continuou na equipe em 2013 tendo como companheiro Andrea Dovizioso. Seus últimos anos na MotoGP, 2014 e 2015) foram inespressivos a bordo de uma Honda satélite. A carreira de Nicky Hayden na MotoGP não foi brilhante, seu histórico na principal categoria do motociclismo contabiliza apenas 3 vitórias, 5 poles, 7 melhores voltas e 28 pódios, num total de 215 corridas.

O campeonato de 2006 foi conquistado graças a sua incrível regularidade, conquistou 2 vitórias, marcou pontos em 16 das 17 corridas da temporada e, em 15, classificou-se entre os 5 primeiros. A confirmação do título aconteceu apenas na última prova em Valencia, onde conseguiu a terceira colocação gracas a uma queda de Valentino na quarta volta (Rossi recuperou a moto e cruzou a linha de chegada na 13ª colocação). Antes desta prova, na conferência de imprensa que precedeu o GP, Hayden insistiu que Rossi não era imbatível e tudo o que necessitava era um mau dia do piloto da Camel Yamaha para conquistar o título, previsão que acabou se realizando.

Nicky Hayden, também conhecido como The Kentucky Kid, transferiu-se para a SBK neste ano com o objetivo declarado de ser o primeiro ser campeão na MotoGP e no mundial de Superbike.

Se a atual temporada da Superbike fosse uma série de TV, o roteirista não estaria sendo muito criativo. Até a de sexta etapa, onze corridas, só a Ducati de Chaz Davies desafiou as Kawasaki do atual campeão Jonathan Rea e de Tom Sykes. Jonathan Rea venceu cinco provas e compareceu no pódio em todas as oportunidades. A pior coisa que pode acontecer para uma disputa é a previsibilidade do resultado, e é o que estava acontecendo na temporada. O princípio básico que a corrida só encerra na bandeirada final havia perdido o significado, logo depois da largada onde todos ainda andam agrupados, inicia um desfile monótono de participantes cumprindo o percurso da prova até a última volta, sem disputas pelas primeiras colocações. Na primeira prova da sexta etapa, realizada neste fim de semana em Sepang, mais de 200m separaram as Kawasaki do vencedor e do segundo lugar, a primeira Ducati chegou em terceiro 300m atrás.

Como atração inesperada, em uma prova realizada em condições adversas, o monopólio de vitórias das Kawasaki/Ducati na temporada foi quebrado e a Honda de Nicky Hayden venceu a décima segunda prova, a segunda da sexta etapa. A última vitória de uma Honda nesta categoria foi obtida pelo atual piloto da Kawasaki Jonathan Rea no Estoril, em 2014.

A corrida foi atípica, a primeira com pista molhada na temporada. Uma tempestade abateu-se sobre Sepang pouco antes do horário previsto para a prova da WorldSSP e, como as condições meteorológicas pioraram, a programação foi alterada para manter o horário da SBK (compromissos com TV). A corrida iniciou com a sinalização de “Wet Race”. Neste ambiente de condições hostis, o piloto norte-americano, novato na categoria, conseguiu realizar uma exibição soberba de controle e velocidade em uma pista complicada.

Um fato auspicioso, apesar do piso molhado foram registradas apenas duas quedas durante a corrida, fato creditado à pista ter sido recapada recentemente e apresentar um grip extraordinário.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

Quer ver todos os textos de colaboradores? Clique AQUI

Os artigos publicados de colaboradores não traduzem a opinião do Autoracing. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre automobilismo e abrir um espaço para os fãs de esportes a motor compartilharem seus textos com milhares de outros fãs.

AS - www.autoracing.com.br

Tags
, , , ,

ATENÇÃO: Comentários com textos ininteligíveis ou que faltem com respeito ao usuário não serão aprovados pelo moderador.