Rush – simplesmente espetacular. Por Fernanda de Lima

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Rush - Lauda vs Hunt

“Twenty-five people start Formula One and each year, two die. What kind of person does a job like this?”, é assim que somos introduzidos por Niki Lauda a toda a adrenalina, tensão e drama de Rush, No Limite da Emoção.

Já começo dizendo que: independentemente se você curte automobilismo, não tem como deixar de assistir a esse filme, capaz de “falar” pro público fanático por F1 ou para qualquer outro.

Está bem, talvez eu tenha entrado num estado de emoção maior por ser apaixonada pela Fórmula 1 desde antes de entender o esporte. Lembro pouco da era Senna, lembro da minha primeira paixão, Jacques Villeneuve, e da minha consequente e controversa escolha por Michael Schumacher.

Obviamente de James Hunt e Niki Lauda eu não presenciei absolutamente nada. Mas ao longo dos anos, acompanhando a categoria, procurei pesquisar e entender a história de alguns de seus nomes mais importantes (e especialmente depois de Rush, pesquisarei ainda mais a história desses dois pilotos). Talvez venha daí toda a bagagem que carreguei para a sala 06 do cinema no último sábado à tarde.

Há tempos eu não criava tanta expectativa em torno de uma estreia de filme no cinema. Sábado à tarde, calor de 30ºC em São Paulo e um público razoável, de diferentes idades e uma boa mescla entre o feminino e o masculino.

Se você ainda não assistiu, assista e me leia depois. Se não liga para possíveis spoilers, siga em frente :)

Impressionante a semelhança dos atores que interpretam Niki Lauda e James Hunt! Chris Hemsworth (Hunt) e Daniel Bruhl (Lauda) abrilhantaram o longa sobre uma das rivalidades mais bacanas presenciadas na história da Fórmula 1.

Ron Howard, que foi responsável pela direção de filmes como Uma Mente Brilhante e Frost/Nixon, merece créditos absurdos por manter o filme envolvente do começo ao fim. A expectativa, apesar de, de certa forma, saber qual seria o desfecho, manteve-se a mesma durante os 123 minutos do longa. Rush foge ao rótulo de mais um filme sobre automobilismo, é um filme sobre paixão, a paixão de dois pilotos pelo esporte, cada um à sua maneira, emocionante, dramático, por vezes, engraçado.

Performances convincentes tanto de Hemsworth quanto de Bruhl simplesmente me impossibilitaram de escolher um ou outro. Ouvi muita gente dizendo que o Lauda do filme chegou a soar muito arrogante em comparação ao real. Não achei, não. Qual o problema de se declarar o melhor? Quando se não era, estava muito perto de ser? Os dois personagens, pra mim, são ao mesmo tempo heróis e vilões, ou melhor, é um filme que não tem herói ou vilão, os dois personagens se completam, o que falta a Hunt de disciplina, sobra a Lauda, o que falta a Lauda de espontaneidade, sobra a Hunt.

Um completa o outro, e, certamente, como no final do filme fica explícito pelo diálogo entre os dois, eles colaboraram para o crescimento um do outro. É como no futebol, um time só é grande porque tem um grande rival do outro lado. O Hunt celebridade e rodeado por pessoas mostra-se solitário e, em determinados momentos, muito mais do que o próprio Lauda, em toda a sua “robotização” e antissociabilidade.

Nada em Rush parece ficar em segundo plano. A trama é forte dentro e fora das pistas. Sequências de disputas que elevaram o nível da produção, câmeras em lugares estratégicos e recursos digitais que propiciaram minutos extraordinários aos espectadores. O mais importante, as cenas não beiram à ficção. São “reais”, nada de “Velozes e Furiosos”. A cena do acidente que marcou a trajetória de Lauda foi reproduzida com perfeição! O espectador não perceber em que ponto a fotografia termina e os efeitos visuais começam é algo para aplaudir de pé!

Howard foi perfeito até nas “invencionices”, que foram poucas, há de ressaltar. Me apaixonei terrivelmente pelos dois personagens. Num “mundo imaginário”, com a rivalidade dos anos 70 rolando agora, não sei qual seria a minha escolha. Hunt ou Lauda? Hunt lembra vida, diversão, paixão, perigo. Mas por outro lado tenho profundo respeito pelo foco, pela disciplina, e mais tarde, pelo autoconhecimento que acho que Lauda adquiriu. A busca pela perfeição do rapaz com cara “rato” é encantadora. A cena de Niki colocando o capacete pela primeira vez após o seu acidente foi de arrepiar!

Deixei o cinema emocionada, e com a sensação de que, hoje, talvez a F1 precise de mais homens assim, como James e Niki. Gente que se diferencie com o que tem, gente que busque o que não tem. Gente que pense, que não pense. Gente que tenha medo ou não tenha. Gente diferente. Teríamos candidatos a Hunts e Laudas da vez?

Mais uma vez: não é porque eu gosto desse mundo, não. Mas vá! Assista! Dificilmente irá se arrepender.

Fernanda de Lima

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