Realizando um sonho!

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Semana passada realizei um sonho, e que sonho! Quando criança – não me lembro a idade – ganhei um pôster de uma Lamborghini Countach. Fiquei fascinado por aquele carro na hora, parecia uma mistura de carro com nave espacial. Pendurei o pôster na parede da frente da cama e na hora de dormir ficava olhando para aquela Lambo até pegar no sono. Ele era branca e tinha uns dizeres no canto dizendo que chegava a 315 km/hora.

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Passaram-se muitos anos até que eu visse uma Lamborghini de “carne e osso” na minha frente. Foi numa viagem. A Lambo que vi era cor de abóbora, parecia uma barata gigante andando nervosa pela rua. Eu estava de carro e a segui até que ela entrasse numa garagem. O motorista ficou olhando pra mim com cara de paisagem, foi bem engraçado…

Aqui em São Paulo só vi uma Lamborghini até hoje. E estava numa loja na Avenida Europa que eu passava sempre que podia para ficar olhando. Sonho mesmo, pois um carro desse valor sempre esteve muito além de minhas possibilidades.

Mas, contudo, entretanto, eis que surge a oportunidade de guiar uma. Não apenas guiar, mas guiar numa pista. E não apenas guiar numa pista, mas poder guiar de forma rápida, experimentando mesmo o touro. Fui passar uma semana em Las Vegas com minha esposa depois de sei lá quantos anos sem viajar. Antes de irmos, minha mulher descobriu pela net que era possível realizar meu sonho. Uma empresa chamada Exotics Racing tem todos os superesportivos que você possa imaginar prontos para você guiá-los no circuito interno do oval de Las Vegas, aquele onde a Nascar faz uma de suas etapas. Fiquei maluco, troquei ansiosos e-mails com os caras e deixei tudo acertado para o dia 15 de fevereiro, às 11 horas da manhã. Passei então a contar as horas para que esse dia chegasse logo.

E chegou. Dia 15 saí do hotel lá pelas 10 horas e até já sabia o caminho para chegar ao autódromo, mesmo porque já tinha ido lá três dias antes para não correr o menor risco de me perder ou chegar atrasado. É bem fácil, é na rua principal da cidade, a Las Vegas Boulevard, também conhecida como “The Strip”. O problema é que a rua é enorme e o autódromo fica no norte, cerca de 9 km do bochicho da Strip. Um pouco antes do autódromo, que na verdade é um complexo enorme e muito legal de automobilismo, fica a base aérea de Nellis. Voce pode dar sorte como eu e ver alguns caças decolando e fazendo manobras radicais de combate bem na sua frente. Não na terça-feira, mas no domingo vi dois caças F-14 Tomcat um perseguindo o outro. Indescritível!

Bem, chegando ao autódromo já tenho uma surpresa ao ver o lugar da Exotics Racing com muita gente. Eu imaginava que ia ter no máximo uma dúzia de gatos pingados lá, mas tinha mais de 100 pessoas, entre elas um chefe de equipe da nossa Stock Car. O estacionamento já é um luxo… Limusines, Porsches e Ferraris à vontade!

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A adrenalina vai a mil e o coração velho dá claros sinais que está firme e batendo forte. A coisa começa quando os caras te chamam junto com uma turma grande para uma sala de briefing. Lógico, o negócio tem regras, os caras não vão deixar você acelerar tudo no limite em carros de 1 milhão! No briefing eles mostram o traçado, dão algumas dicas básicas e deixam as regras claras; nada de tirar racha na pista, nada de frear além dos cones e nada de se preocupar com os retrovisores, pois um instrutor vai junto com você no carro para olhar isso e cuidar para que você não faça uma besteira daquelas…

Nesse briefing você fica sabendo que vai dar 2 voltas numa Porsche Cayenne GTS com um instrutor dirigindo para conhecer a pista. Show! Acaba a reuniãozinha e descubro que sou da última leva que vai guiar os carros. Droga!

Mas enquanto espero pela minha volta na Cayenne fico olhando aquelas maravilhas de Lambos, Ferraris, Porsches, Nissans GTRs, Maseratis, Aston Martins, Corvettes e etc bem de pertinho, batendo fotos e acariciando as belezuras…

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Minha vez na Cayenne chega e entro atrás. Estamos em quatro dentro do carro e o instrutor entra na pista cheia daquelas belezuras andando. A primeira volta é tranqüila, mas na segunda o cara resolve mostrar do que uma Cayenne é capaz. E olha…. é capaz de muito! Mais do que você imagina que uma SUV jamais faria! Acelera muito, freia como nenhum carro que já guiei e contorna as curvas numa velocidade inimaginável para um carro pesado e alto como ela. Assusta! O cara do meu lado estava nitidamente apavorado quando estávamos chegando no final da reta e nada do instrutor pensar em frear… Tinha uma Ferrari na nossa frente e o cara não conseguiu abrir um metro sequer da gente na volta rápida.

De volta ao box fiquei ainda mais ansioso, pois se uma perua podia andar daquele jeito, imagine uma Lambo Gallardo LP 560!

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Finalmente chega “o momento” e a ansiedade passa na hora. Coloco o capacete e entro no carro. Surpresa, o capacete bate no teto, sou muito alto para usar capacete num carro tão baixo. “Pode tirar o capacete”, diz Peter, o instrutor que vai comigo. Colocamos o banco tudo para trás e nem olho para o resto. Só quero saber de olhar para a pista, acelerar e ver o que “aquilo” é capaz de fazer.

Peter pede para entrar devagar na pista para aquecer os pneus e sentir um pouco o carro na primeira volta. “Mas eu só tenho 7 voltas”, protesto! “Calma que você vai ver”, diz ele. A entrada na pista é no início da reta e eu logo vejo que aqueles cones de freada no final dela estão com muita margem, dá para frear bem depois, muito depois. O ronco da Lambo é animal, uma sinfonia que te convida a acelerar. ‘Impossível andar devagar num carro desses’, penso.

Quando entramos na segunda volta eu soco o acelerador com vontade e a terceira marcha faz os giros subirem como numa moto. É um coice nas costas e logo você tem que colocar a quarta. Os cones da freada estão um pouco antes do final da quarta marcha quando você está perto dos 200 km/h. Mas nem parece, o carro é tão no chão, tem uma aderência tão impressionante que você pensa que está a 60 km/hora. Freio só um pouquinho depois dos cones e o Peter já protesta. Finjo que não ouço e vamos para o setor mais travado da pista. O carro aceita tudo com uma tranqüilidade assustadora. Parece um kart grande. O Peter fica falando um monte, mas eu não escuto mais nada. Estou curtindo aquilo de uma maneira inexplicável, uma coisa sublime mesmo. É melhor do que eu esperava. Na próxima volta freio ainda depois no final da reta e Peter não reclama. Na outra um pouco mais, começo a acelerar cada vez mais cedo nas saídas de curva e de repente sinto como se eu fosse o carro. Todos os outros carros que estão na pista vão ficando para trás, parecem extremamente lentos. E então, quando eu chego facilmente para ultrapassar a Lambo Superleggera, tinha acabado minhas voltas. E entramos no box. Fim de papo. Pareceu que a coisa toda durou 2 minutos. Eu queria mais, mas não dava tempo, os outros carros iam parar na volta seguinte e eles fechariam.

Mas valeu demais, recomendo mesmo. É uma experiência única. O carro é mais do que maravilhoso, o pessoal da Exotics é muito gente boa, o ambiente é super gostoso e a estrutura dos caras é simplesmente fantástica!

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Ah, quase ia esquecendo… nesse dia estreei uma camiseta Polo da loja do Senna que meu filho mais velho me deu no natal passado. Que sucesso! Os instrutores da Exotics queriam comprar a minha camiseta ali mesmo. Pagavam uma grana por ela e me davam duas da Exotics de lambuja. Preferi manter a minha e comprar uma deles…

Lamborghini GALLARDO LP560
*Motor: 5.2L V10 – Cambio: borboleta 6 marchas
Potencia: 560hp a 8.000rpm – Torque: 540Nm
Velocidade máxima: 325 km/h
Aceleração: 0-96 km/h em 3.7s

*Dados da Exotics Racing

Um abraço e até a próxima!

Adauto Silva
adauto@autoracing.com.br

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