Pilotos da F1 querem apimentar o esporte. Como?

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O F1 do futuro, segundo a Ferrari

Por: Adauto Silva

Os chefes da F1 e as equipes grandes se reunirão para discutir uma reformulação do esporte e expor as suas preocupações técnicas, mas com consideráveis ​​dúvidas a respeito de quanto eles realmente vão concordar.

As últimas reuniões do Grupo de Estratégia, cada vez mais classificadas como “cruciais”, raramente tem alcançado até mesmo expectativas modestas.

A Formula 1 tem grandes desafios pela frente, incluindo custos crescentes, equipes em sérias dificuldades financeiras, índices de audiência caindo em algumas regiões, e uma incapacidade de envolver um público mais jovem.

A equipe Ferrari está entre aqueles que querem uma revolução nas regras de 2017, com motores maiores e som mais alto em carros mais acessíveis e agressivos. As fotos que ilustram esse texto são do Centro Stile Ferrari, de como seria um F1 do futuro.

Os pilotos da Formula 1 vão dar um passo incomum e possivelmente sem precedentes, ao fazerem um levantamento com os fãs, enquanto Bernie Ecclestone e outras figuras-chave vão novamente tentar explorar maneiras de apimentar o esporte.

2015 é a sexta temporada seguida onde apenas uma equipe domina, por isso a F1 está sob fogo cerrado por falta de competitividade na frente do grid envolvendo mais equipes, e consequentemente mais pilotos.

Existe também um forte boato no paddock, iniciado pelos ex-pilotos de F1 Mark Webber e David Coulthard, que os próprios pilotos não estão satisfeitos com a F1 atual. Eles querem carros mais rápidos, pneus mais aderentes e mais duradouros e não querem saber de economizar combustível, querem poder acelerar mais e por mais tempo.

Por isso eles decidiram tomar as rédeas em suas próprias mãos, perguntando aos fãs o que eles fariam.

Eles pretendem usar as mídias sociais para angariar pontos de vista sobre uma vasta gama de questões – comerciais, técnicas, comportamentais e etc – até mesmo perguntando aos fãs se a F1 deve ser vista como esporte ou entretenimento.

A Associação de Pilotos de Grande Prêmio (GPDA), presidida pelo ex-piloto de F1 Alexander Wurz, discutiu a ideia no GP da Espanha e planeja lançar a pesquisa no fim de semana do GP de Mônaco, de 20 a 24 de maio.

Na perspectiva do Autoracing, algumas poucas mudanças bastariam para transformar o esporte sem aumentar seus custos.

A primeira delas seria aumentar o fluxo de combustível permitido de 100 para 120 kg/h, além de permitir mais 20 kg de combustível no tanque. Isso elevaria a potência dos carros dos atuais 780 – 820 hp para algo em torno de 920 – 980 hp e resolveria o problema do som dos motores.

Outra medida urgente seria em relação aos pneus. A F1 precisa de mais aderência mecânica, não aerodinâmica. Isso porque grip mecânico proporciona mais batalhas roda a roda, enquanto grip aerodinâmico dificulta muito um carro seguir o outro de perto, ou seja, separa ainda mais os carros na pista. E isso não é difícil resolver, basta aumentar a largura dos pneus em 15 – 20% e liberar pelo menos mais uma fornecedora de pneus, além da atual.

Isso criaria uma concorrência feroz entre as fabricantes de pneus e consequentemente a qualidade da borracha iria aumentar exponencialmente, o que faria com que os carros ficassem mais rápidos ainda e com pneus muito mais duráveis dos que os atuais, além de mais bonitos.

O último ponto e talvez o mais difícil de todos, seria melhorar a distribuição dos prêmios. É aqui que o bicho pega. Não faz sentido apenas cinco equipes ficarem com cerca de 80% dos prêmios destinados a todas as equipes. Lógico que quem faz mais pontos, vence corridas e campeonato tem que ganhar mais. Mas você não pode simplesmente ignorar as equipes médias e pequenas tratando-as como inimigas.

A F1 precisa de no mínimo doze equipes e todas elas precisam receber uma parte relevante do bolo, desde que evidentemente consigam competir em todas as corridas de uma temporada com dois carros capazes de fazer tempos dentro dos 107%, que é o que prevê o regulamento, que aliás, devia ser alterado para 105%.

Assim, mesmo a pior equipe do grid poderia receber USD 50 milhões de premiação ao final da temporada, valor que cobriria boa parte dos custos. O resto evidentemente ela teria que conseguir com patrocínios, que inclusive se tornariam mais fáceis com uma F1 muito mais espetacular.

Com essas medidas – que são realistas do ponto de vista técnico e financeiro – a Formula 1 seria uma nova categoria, muito mais rápida, espetacular de ser vista e comercialmente viável para todas as equipes, ou pelo menos para mais equipes…

Adauto Silva

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