Parceria McLaren-Honda perto da “encruzilhada”

McLaren-Honda

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A parceria da McLaren com a Honda não funcionou até agora e a equipe agora está se aproximando de uma “encruzilhada”, disse o diretor executivo, Zak Brown, na quarta-feira.

Falando à Reuters em seu escritório, Brown indicou claramente que tomar outro caminho é uma opção real em consideração pela administração.

O americano disse que as atualizações do motor prometidas para o GP do Canadá deste fim de semana não estavam prontas e que o fabricante japonês não sabia dizer quando ficariam.

E enquanto a McLaren ainda queira ganhar campeonatos com a Honda, há sérias preocupações quanto ao fato de isso ser possível.

“A Honda está trabalhando muito, mas parece um pouco perdida”, disse Brown, que substituiu Ron Dennis no comando no final do ano passado.

“Nós fomos informados recentemente que não teríamos as atualizações do motor em Montreal. E não temos uma linha de tempo definida, o que é preocupante porque a dor é grande e não podemos esperar para sempre.”

“Estávamos aguardando ansiosamente esta atualização, assim como os nossos pilotos, e é uma grande decepção que isso não tenha acontecido. Não é falta de esforço, mas eles estão com muitas dificuldades para conseguir”.

A McLaren, a segunda equipe mais antiga e mais bem sucedida na Formula 1, depois da Ferrari em termos de vitórias em corrida, é a única que não marcou um ponto sequer nesta temporada. Eles não ganham uma corrida desde 2012, quando Lewis Hamilton ainda estava ao volante e o motor era o Mercedes.

A parceria renovada com a Honda em 2015 foi saudada como um retorno aos dias de glória, quando o francês Alain Prost e o brasileiro Ayrton Senna dominaram o final da década de 80 e início da década de 90.

Em vez disso, trouxe quebras e constrangimento aos antigos campeões mundiais, cujos carros não conseguiram terminar as corridas – e, às vezes, mesmo iniciá-las – devido a falhas no motor.

O piloto espanhol Fernando Alonso, um bicampeão mundial cujo futuro é incerto, disse em março que “temos apenas um problema, que é a unidade de potência. Não há confiabilidade e não há potência”.

A McLaren foi a nona em 2015, sexta no ano passado, e esta temporada pode se tornar sua pior.

“O comitê executivo agora nos deu nossas ordens expressas”, disse Brown, que também é presidente do grupo de mídia Motorsport Network. “Nós não ficaremos mais um ano assim, na esperança”.

“Eu não quero entrar nas opções que temos. Nossa preferência é conquistar o campeonato mundial com a Honda. Mas, em algum momento, você precisa tomar uma decisão sobre se isso é viável. E temos sérias preocupações.”

“Faltam atualizações e quando elas chegam, não entregam ao nível ao qual nos diziam que estavam. Não podemos continuar assim. Estamos perto do nosso limite”.

A McLaren falou sobre os ex-parceiros Mercedes sobre um possível fornecimento de motores, de acordo com relatos de mídia não confirmados.

“Tudo pode acontecer”, disse Brown, que afirmou que há algumas grandes decisões a tomar nos próximos 90 dias com a equipe precisando planejar o novo carro e dar a Alonso um motivo para ficar.

“Há muitas coisas que entram na decisão e estamos entrando naquela janela agora “de quando você chega numa encruzilhada numa estrada”.

Brown disse que a decisão de se associar com a Honda no que foi até agora um acordo exclusivo foi “100 por cento certa”.

“No entanto, até agora não funcionou”, acrescentou. “Um ano na Fórmula 1 é uma eternidade. Três anos é uma década. E você simplesmente não pode continuar assim para sempre”.

Os porta-vozes da Honda não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

Brown disse que há vantagens claras em uma parceria como “equipe de fábrica”, mas apontou para a Red Bull e a Brawn GP como exemplos de equipes “clientes” que ganharam títulos.

“Se eu acho que você pode ganhar com um motor de clientes? Eu acho que você pode”, disse ele.

A Honda contribui com mais de USD 100 milhões por ano com o orçamento da McLaren, e alguns questionam se a equipe pode se dar ao luxo de perder esse dinheiro.

Brown disse que a realidade é que a McLaren perdeu alguns grandes patrocinadores de longo prazo e significativos prêmios em dinheiro nos últimos três anos.

“Quando você realmente olha o impacto da perda de dinheiro do FOM (pagamento de Fórmula 1) e a perda de patrocínios, isso começa a diminuir os benefícios comerciais do que a Honda traz à mesa”, disse ele.

“E quando você começa a colocar na ponta do lápis, não tem o benefício comercial que parece para quem está de fora”.

Reuters

AS - www.autoracing.com.br

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