O hino continua alemão. Por Fernanda de Lima

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Nico Rosberg comemora vitória em Melbourne 2014

Nico Rosberg chega na frente num ano de mudanças na F1

Em 2011, quando terminei minha pós-graduação, fui estudar inglês no Canadá por um tempo, em Toronto, a cidade conhecida por ser a mais multicultural do mundo, com metade de sua população composta por não-canadenses.

Morei numa casa de família filipina, com irmãos franceses, taiwaneses, espanhóis e russos. Na escola, os brasileiros e coreanos dominavam as salas. Mas, apesar desse domínio, alunos de uma outra nacionalidade conseguiam se destacar. Bons camaradas (ao menos pra mim), muitas vezes confundidos com brasileiros, com primeiros nomes americanos(?) e fáceis de se pronunciar, sempre solícitos e diretos, com um espírito de liderança nato. Inteligentes, boa postura, simplicidade eram outras características desses alunos que não faziam parte dos países que dominavam em número os cinco andares da escola. Falavam sempre muito rápido, por um instante era até possível dizer que eram afoitos. Porém, era só reparar com o mínimo de atenção para perceber que, na verdade, o raciocínio deles, além de lógico, era muito rápido.

Pontuais e disciplinados. Em uma conversa sobre as características de cada povo, um deles uma vez disse: “Eu não consigo entender os brasileiros. Vocês se atrasam. Se marcamos 12h é 12h. Em ponto”.

O livro “O mundo nos vê assim”, da Editora Westend, apresenta a visão que o mundo tem sobre a nacionalidade alemã, que vem dominando o circo da F1 há tanto tempo. O livro expõe alemães egocêntricos e indiferentes. A pesquisa correu mais de 15 países e colheu opiniões tanto de cidadãos comuns como de pessoas com grande representatividade para seus países de origem.

A jornalista alemã Hanni Hüsch, talvez tenha a melhor definição para a visão que o mundo tem sobre os alemães: “Nós somos respeitados mas não somos amados”, disse Hanni, que foi correspondente por anos nos Estados Unidos. E as características associadas aos alemães nos levam a crer que é exatamente isso. Apesar da não empatia pelos germânicos, a organização e o alto grau de eficiência são características quase que naturalmente associadas a eles.

Encontrei uma declaração bastante interessante dos chineses sobre os alemães: “Os alemães se baseiam demais em regulamentos legais, e são pouco capazes de resolver problemas informalmente, no nível pessoal”, disse o jornalista chinês Erning Zhu que trabalha na redação da Deutsche Welle. Perfeito! Está aí uma boa explicação para a tal frieza alemã.

Acho que é possível se aprender muito com o povo alemão, com a cultura, os valores, as características de um povo que se reergueu após um passado tenebroso, que lutou e talvez ainda lute com disciplina, arrojo e efetividade para apagar o passado nazista. Programados para dizer o que pensam, os alemães, tão eficientes, metódicos e robotizados, ainda têm, sim, que trabalhar o aspecto humano, mas a cada geração que surge isso parece ficar mais fácil. Schumacher, Vettel, Rosberg. Queriam mudar a F1, mas a verdade é que a temporada 2014 começa como tem terminado há muitos anos… com um alemão no domínio!

A também alemã Mercedes tem uma das melhores duplas do grid e larga na frente de todas as outras no quesito carro, seguida pela Williams, que teve um excelente desempenho com o seu piloto que permaneceu na pista. Valtteri Bottas não é alemão mas não vem para ser coadjuvante. Não fossem os problemas que teve durante a primeira corrida do ano, sua estreia na Williams teria sido ainda mais brilhante. Rosberg e Bottas estão nos lugares certos e na hora certa. De um lado o alemão tem uma equipe que lhe dá a vantagem de não ser submisso a um campeão mundial. Do outro, Bottas entra em pé de igualdade com seu companheiro de equipe, mas já aproveitou da melhor maneira possível a primeira oportunidade que teve. O finlandês que já foi especulado no lugar do próprio Massa na Ferrari, promete não respeitar os mais velhos. Com tudo isso, quem ganha somos nós, já que perdemos o ronco dos motores no caminho…

Comparação entre o ronco dos motores em 2013 e a “tosse” em 2014

pit stop: Apesar do resultado desastroso da Red Bull, com a desclassificação do carro de Daniel Ricciardo e do abandono de Sebastian Vettel, ainda há luz no fim do túnel. A Red Bull está longe de ser um peso morto.

pit stop 2: Onde vocês assistem às corridas? Eu não sei o que nosso narrador oficial tomou mas o primeiro GP do ano foi insuportavelmente difícil de acompanhar, e olha que gosto dele. Nem o rádio se respeita mais!

Fernanda de Lima

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