O futuro de Kimi Raikkonen. Por Fernanda de Lima

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Rivais ou companheiros de equipe em 2014?

A “silly season” vai chegando ao fim, e de concreto sobre a dança das cadeiras de três das principais equipes do grid, nós ainda não temos quase nada. O único intocável a essa altura do campeonato é o tricampeão Sebastian Vettel. As confirmações das duplas de Ferrari, Lotus e Red Bull são, sem dúvida, as mais aguardadas, e também as que mais geram especulações.

Não sei se vocês concordam comigo, mas a chave-mestra desse mistério parece ser Kimi Raikkonen. Para onde vai o homem de gelo? Acho que todas as outras definições se darão a partir da tomada de decisão do campeão mundial de 2007.

O empresário de Kimi já coloca a Red Bull fora da jogada. Steve Robertson declarou que as conversas com os austríacos estariam encerradas, ao que tudo indica mais por impedimento da Red Bull, entenda-se Helmut Marko, do que por falta de interesse do atual piloto da Lotus. Acho que pra Raikkonen a ida para a Red Bull não seria interessante. É claro que uma eventual disputa interna entre ele e Vettel seria espetacular, no entanto, tenho a impressão de que o alemão levaria a melhor. Falou-se muito na criação de um “dream team” com a possível vinda de Raikkonen, mas se pararmos pra pensar, a Red Bull já não é o time dos sonhos dessa atual F1? Afinal, não tem só o piloto tricampeão mundial como também os títulos de construtores. Colocar dois dos mais talentosos pilotos e competidores natos lado a lado não poderia vir a tornar o sonho em pesadelo? Um deles não acabaria naturalmente sacrificado e insatisfeito? Podem me chamar de covarde, mas eu, na posição de conselheira de Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, teria feito o mesmo que Marko: “Kimi. Aqui. Não”.

Com a prova de Spa-Francorchamps batendo à porta, o nome mais forte para fazer dupla com Sebastian Vettel é o de Daniel Ricciardo. O jornal alemão Sport Bild já dá como certo o australiano no lugar de Mark Webber em 2014. Ricciardo vem correndo esse ano pela Toro Rosso, a “equipe junior” da Red Bull. Pra mim, mais uma prova da visão de futuro da equipe.

Se as portas da Red Bull se fecharam para Raikkonen, para onde ele irá em 2014? A Lotus já deu sinais de que não fará loucuras para mantê-lo para a próxima temporada. E se a questão for financeira mesmo, creio que não valha a pena, não é segredo pra ninguém que o cofre da equipe não anda recheado. E aí, investe até o que não pode no piloto e corre o risco de naufragar no próximo ano? Mas vamos lá, além de correr, Kimi, obviamente, quer ser campeão, certo? A Lotus teria condições de vencer um Mundial? De continuar trabalhando e apresentar um carro competitivo em 2014?

Acho que o não da Red Bull foi extremamente favorável à Lotus. Ainda que o empresário de Kimi diga que tem opções, ressaltadas no plural, a não ida para uma equipe de ponta está descartada, restariam assim, a própria Lotus e a Ferrari, levando-se em conta que Mercedes e McLaren já estão ocupadas. Parece uma questão de Kimi ceder um pouquinho daqui, Lotus ceder um pouquinho de lá.

Só que tudo isso que eu acho pode ir por água abaixo a qualquer momento. Isso porque nessa terça-feira, os rumores sobre a ida de Kimi para a Ferrari se intensificaram. Uma avalanche de notas por jornais dos quatro cantos do mundo apontam que o finlandês voltará a pilotar o carro italiano em 2014. A Ferrari faz o certo, vai, ao menos publicamente, mantendo o foco na temporada 2013. Não fala sobre Kimi, não fala sobre Massa. Não fala sobre Alonso. Sincera e honestamente? Eu não vejo a Ferrari ser boa opção pra ninguém nos últimos anos. A “involução” nítida do cavalinho de Maranello privou o tido por muitos como melhor piloto em atividade, Fernando Alonso, do título.

A volta de Kimi à Ferrari me parecia a mais improvável das especulações, mas ficarei tentada a discorrer sobre elas (torcendo para que não se concretizem). É sempre bom lembrar que a sua saída de lá, no final de 2009, não foi nada amistosa. A Ferrari o colocou pra fora antes do término do contrato para dar lugar a Fernando Alonso. Águas passadas para Kimi?

Abrem-se duas fortes possibilidades para esse retorno. A primeira colocaria Raikkonen ao lado de Fernando Alonso. Daí nos resta pensar: o espanhol funcionaria com um companheiro de equipe tão bom quanto ele? Ele teria voz ativa para vetar essa vinda? A resposta evidenciando seu descontentamento público, “Aquele que os outros têm”, quando questionado por repórteres sobre o tipo de carro que ele gostaria de ganhar de presente de aniversário, ainda ecoa em Maranello? Pra mim, a chegada de Kimi na próxima temporada poderia ser uma porta de saída para Fernando Alonso, ao final de 2014. Com todas as mudanças para a categoria, é quase impossível prever que tipo de campeonato teremos, mas se não for positivo para a Ferrari, Alonso aguentaria mais um ano sem título? A Ferrari, com um piloto campeão por lá, poderia facilitar essa saída…

A segunda possibilidade surgida nessa terça-feira é de chutar o balde, pra mim a mais inesperada. Kimi Raikkonen retornaria à Ferrari em 2014, mas não para ser companheiro de Fernando Alonso, mas sim para substituí-lo! E esse Alonso partiria para o lugar de Raikkonen na Lotus. Por que Lotus? A Renault entraria na jogada. Uma relação mais próxima entre Lotus e a montadora francesa, responsável pelo bicampeonato de Alonso, atrairia o espanhol pras bandas de Enstone.

É, a “silly season” deu mesmo o que falar… A minha clara preferência por Raikkonen não quer aceitá-lo na Ferrari no próximo ano. Mas devo admitir que qualquer uma dessas mudanças daria uma agitada interessante no grid, não?

Fernanda de Lima

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