O Apocalipse do automobilismo?

Eu com o Ross Brawn

Por: Adauto Silva

Nunca na história desse planeta (hehehe) se viu algo igual, pelo menos nos esportes a motor!

Não sei você, leitor, não sei como você é e nem tenho como saber. Mas só pelo fato de você estar lendo essas linhas, numa coisa somos parecidos: gostamos demais de automobilismo.

Isso une a nós e mais umas centenas de milhares de pessoas no Brasil. O Autoracing existe por isso, pelo amor ao automobilismo. Sem esse amor e a determinação que vem junto com ele, eu já teria fechado o site há muito tempo atrás e certamente estaria numa situação financeira bem mais privilegiada.

Além disso, quem é empresário sabe, é muito difícil manter e crescer um negócio no Brasil “andando na linha”, pois vivemos num dos países mais hostis ao empreendedorismo no mundo. Tudo joga contra, da falta de educação, passando pelos impostos e burocracia até a mentalidade brasileira.

Mas não, não estou reclamando disso. Eu sempre soube que o jogo aqui é assim. Eu escolhi e escolho trabalhar com minha paixão enfrentando essas dificuldades – que não deveriam existir, mas sempre existiram aqui.

O problema é que minha paixão está toda adiada, cancelada ou suspensa. O automobilismo parou sem data certa para voltar.

Muitas coisas pararam e muitas ainda vão parar? Provavelmente, mas essa paixão que me faz trabalhar 12 a 14 horas por dia com alegria está parada. Aí é bravo…

Você pode argumentar: mas e na pré-temporada, Adauto, como você e eu passamos por ela?

Na pré-temporada nós sabemos o que vai acontecer, quando as corridas vão voltar e até tentamos adivinhar como as corridas vão voltar. Quem estará melhor, pior, quais serão as novidades, quem chegará, quem partirá.

Na verdade eu até gosto da pré-temporada, que é quando eu posso me aprofundar mais nos bastidores e na questão técnica da F1, que amo e imagino que você também, pois os acessos ao Autoracing caem cada vez menos na pré-temporada em relação a 8, 10, 15 anos atrás.

Aliás, o Autoracing bate seguidos recordes de acesso em todas as pré-temporadas da Formula 1 há tempos. Faz mais ou menos seis anos que o melhor mês do ano para nós – em quantidade de acessos – é justamente fevereiro, quando a F1 faz a sua pré-temporada e o Autoracing acompanha ao vivo durante seis horas por dia.

Nesse ano, mesmo com a pré-temporada mais curta, a “concorrência” da F1 TV e de inúmeras URLs no Youtube mostrando os carros na pista tempo todo ao vivo, nós batemos nosso recorde de novo, que aliás, era do ano passado. Inclusive te agradeço por isso!

Mas e agora, o que faremos sem corrida?

Só vejo uma saída para a tristeza não virar desgraça nos nossos corações.

Vamos considerar que este ano teremos a maior pré-temporada de todos os tempos!

As corridas vão voltar, as coisas vão se acalmar. Não é um maldito vírus de gripe, que por sinal mata menos que a esmagadora maioria dos vírus, que vai arrefecer nossa paixão. Não, ela vai até aumentar quando o mundo, hoje em estado de histeria coletiva, voltar ao normal.

Lá na China, que é onde essa merda se originou, as coisas já estão melhorando. O número de infectados já começou a descer e o de mortes também, mais ainda.

As coisas ainda estão feias para nossos irmãos italianos, iranianos, sul-coreanos e espanhóis, mas tenho certeza que com as medidas que os governos e as pessoas desses países estão tomando, em pouco tempo isso vai se reverter.

Lendo feito louco tudo que consigo de fontes que considero confiáveis, chego à conclusão que o isolamento social voluntário é a melhor saída. É isso que parece determinar a evolução do número de infectados. Quanto menos a gente sair de casa, menos infectados teremos. E para quem precisa sair de qualquer maneira, deve procurar se proteger, usar máscara trocando-a a cada 4 horas, lavar as mãos, braços e rosto com água e sabão quando chegar e sair de qualquer lugar.

Eu me enfurnei no meu home office e daqui não saio nem a pau. Supermercado? Eles trazem em casa. Farmácia? Eles também trazem em casa e / ou no escritório. Cumprimentar alguém na rua ou em qualquer lugar dando as mãos? Nem a pau.

O vírus ainda não matou ninguém no nosso país, mas mesmo assim a maioria das pessoas que conheço estão conseguindo licença do trabalho ou fazendo home office também. O negócio é se isolar do mundo por pelo menos 20 a 30 dias. Se a maioria conseguir fazer isso, nós brasileiros passaremos por essa crise sem tantas baixas.

Ontem eu tive que sair de casa, tinha uma reunião inadiável. Passei primeiro na farmácia, comprei máscara cirúrgica fui no banheiro da farmácia mesmo me lavar antes de colocá-la. Fui para o meu compromisso, cheguei de máscara, todo mundo me olhou como se eu fosse um ET e na hora quase tirei a máscara e forcei umas tossidas pra ver a reação da galera. Imagine a cena…

Sentamos todos na mesa e eu disse que tínhamos que resolver o assunto em 15 minutos, porque depois disso eu iria embora sem me importar com o resultado da reunião. Saúde em primeiro lugar, “nem deveríamos estar aqui”, eu disse. “Poderíamos fazer uma conference call.”

Todo mundo ali achou que eu era louco. Ninguém me conhecia antes e portanto ficaram chocados com minha atitude, mas quer saber? Resolvemos a parada – de modo positivo – em menos de 20 minutos, o que é um verdadeiro milagre, pois esse tipo de reunião leva horas sem ninguém resolver nada. É aquela famosa mentalidade brasileira que me referi acima…

De qualquer maneira, o negócio é não nos deixar abater. Vamos continuar atrás de todas as informações possíveis sobre automobilismo, em especial a F1, tentar trazer opiniões e quem sabe uns papos com pessoas do meio!

É isso leitor, vamos em frente!

Ah, uma última coisa. Aquela série “Drive to Survive” é bem legal. Tanto a primeira quanto a segunda temporada!

A primeira temporada já vi inteira. A segunda até o episódio 6. O Dude e o Mate apareceram algumas vezes já… só o maledetto do “Bambino” que ainda não vi !!

Eta italiano difícil esse!

Adauto Silva
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