MotoGP – Sachsenring 2018

Sachsenring

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

Em abril deste ano o Autoracing publicou um texto (MotoGP – Hábito Estranho) sobre um costume bizarro dos pilotos na etapa de Austin do mundial da FIM. Anualmente realizam um ritual para decidir quem deve ser o segundo colocado no GP disputado no Circuito das Américas, a primeira colocação está reservada para a RC213V #93 de Marc Márquez. A história se repete em Sachsenring, Márquez venceu as últimas nove provas disputadas no circuito saxão, em três classes diferentes, as últimas seis na MotoGP.

De certa forma o piloto espanhol está tornando previsível o roteiro das provas na Alemanha. No fim de semana programado 24 pilotos se apresentam na sexta-feira, assistem Márquez a conquistar a pole no sábado e vencer no domingo por uma margem segura. A exemplo do que aconteceu no GP dos EUA, a certeza de vitória do espanhol era tão grande que as raras casas de Londres que aceitaram apostas no #93 da Honda este ano praticamente devolveram o valor. O resultado esperado não implicou em um fim de semana com falta de emoções, a conquista da pole só foi obtida na última volta do Q2 com o tempo já zerado, com direito inclusive a uma recuperação fantástica de um princípio de perda da traseira em uma curva.

O transcorrer da prova são entusiasmou muito o público porque a partir da volta 14 (de 30) o vencedor já estava definido, nas voltas finais Rossi não ameaçou Márquez e sua segunda colocação não foi desafiada. Não houve na Alemanha o festival de ultrapassagens entre os líderes como aconteceu em Assen (Holanda), a única troca nas seis primeiras posições entre as voltas 13 e 22 aconteceu quando Rossi assumiu a vice-liderança que pertencia até então a Jorge Lorenzo. As últimas voltas foram um pouco mais agitadas, houve a escalada de Maverick Vinales que saiu da sétima posição para ocupar um lugar no pódio e Lorenzo caiu do terceiro para o sexto lugar. O resultado final registrou a quinta vitória de Márquez nas nove etapas realizadas antes das férias de verão (na Europa), uma inédita dobradinha da Yamaha no pódio este ano e um relativo fracasso para as Ducati, que não apresentaram na pista o mesmo desempenho dos testes livres e tomada de tempos. A quarta colocação de Danilo Petrucci foi amarga por ter perdido o pódio nas duas voltas finais, Alvaro Bautista vibrou com a sua quinta colocação com uma GP17, à frente das duas GP18 da equipe oficial de fábrica, Jorge Lorenzo fechou os seis primeiros penando com o equipamento, ainda assim na frente de Andrea Dovizioso.

A MotoGP entra em recesso por três semanas para uma curta temporada de férias. A próxima prova está prevista para 5 de agosto em Brno na República Checa na pista chamada oficialmente de Circuito Masaryk, que abre a segunda metade da temporada 2018. Em 2017 Marc Márquez venceu esta etapa e iniciou a escalada que o levou a conquistar o seu quarto título mundial.

O atual campeão tem uma vantagem cômoda de 46 pontos em relação ao seu mais próximo desafiante, o italiano Valentino Rossi. Nas nove etapas já realizadas o espanhol venceu 5, chegou em segundo em duas e não pontuou em outras duas. O italiano ainda não obteve vitórias e esteve no pódio em 5 oportunidades, só não marcou pontos ao se envolver com Márquez e cair na Argentina.

Este ano a chamada “Temporada Maluca”, a formação do grid para a próxima temporada foi antecipada. Praticamente todas as equipes já firmaram contratos com seus pilotos para 2019. Os fatos mais significativos foram o anúncio da aposentadoria de Dani Pedrosa e a mudança de Jorge Lorenzo, que finalmente voltou a vencer, para a equipe oficial da Honda.

Os tempos obtidos na formação do grid em todas as provas estão muito próximos, só 174 milésimos de segundo separaram o pole do 5º colocado em Sachsenring, o que indica que os fabricantes estão disponibilizando para os pilotos equipamentos com desempenho muito próximo. Entre os dez primeiros colocados no campeonato até agora estão 4 Ducati (Dovizioso, Lorenzo, Petrucci e Jack Miller), três Yamaha (Rossi, Vinales e Zarco), duas Honda (Márquez e Crutchlow) e uma Suzuki (Iannone). Os irmãos Espargaró comparecem como os mais bem colocados dos dois outros fabricantes, Pol com a KTM em 14º e Aleix a Aprilia em 18º.

A explicação simplista de que a atual vantagem de Márquez no mundial se deve à superioridade do equipamento Honda não encontra apoio nos registros oficiais. A fábrica fornece protótipos para seis pilotos e o mais próximo do espanhol na pontuação do campeonato é o britânico Cal Crutchlow, que venceu na Argentina e contabiliza menos da metade dos pontos do colega.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

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