MotoGP – Holeshot

Danilo Petrucci – Ducati 2019

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

No jargão do motociclismo esportivo “holeshot” é um termo utilizado para identificar o competidor que lidera na primeira curva depois da largada. Por extensão, “dispositivo holeshot” é um equipamento utilizado exclusivamente na largada para proporcionar uma vantagem que permita ao protótipo chegar na frente no primeiro contorno. Em um esporte onde seis fabricantes distintos produzem protótipos de competição conduzidos pelos melhores pilotos do mundo e percorrem voltas separados por milésimos de segundos, contornar a primeira curva na liderança pode significar uma vantagem no resultado final de uma corrida.

O recurso de “dispositivos holeshot” não é propriamente uma inovação técnica, foi utilizado à mais de uma década atrás pela Honda na Superbike britânica (BSB). O princípio era comprimir o garfo da suspensão dianteira para reduzir o “wheelie”, tendência da moto empinar quando é aplicada potência na roda motriz. Trabalhar o curso dos garfos de suspensão é um recurso comum no motociclismo esportivo, enquanto na motocross pilotos ou mecânicos tem que executar esta regulagem à mão com a moto parada, o sistema utilizado pela Honda na BSB era pneumático, ativado por controle eletrônico com o equipamento em movimento.

O “dispositivo holeshot” voltou às manchetes relacionadas com a MotoGP depois que uma chave de comutação (“wingnut”) foi fotografada no grampo entre os garfos da Desmosedici GP19 no teste de Sepang. A Ducati não divulga qual a finalidade do comutador, assim como nunca explicou a finalidade e detalhes do conteúdo de sua “lancheira”, entretanto o fato de caracterizar um acionamento mecânico, associado com o regulamento vigente da competição, levanta sérios indícios que se trata de um controle relacionado com a suspensão.

As regras de Mundial de MotoGP que endereçam suspensão e amortecedores são específicas: “Não são permitidos controles elétrico/eletrônicos para alterar regulagens da suspensão e amortecedores. Adequações só podem ser feitas manualmente por mecânicos ou por dispositivos mecânico/hidráulicos”. O tamanho e a localização comutador sugerem que foi projetado para ser usado por um piloto com luvas e a moto em movimento, mas seguramente não durante as voltas rápidas da corrida, onde a lógica e o bom senso indicam que ambas as mãos devem estar no volante.

Os três pilotos que utilizam GP19, Andrea Dovizioso, Danilo Petrucci e Jack Miller, a exemplo do que acontece com a “lancheira”, não comentam a finalidade da chave de comutação.

A Ducati está sedimentando nos últimos anos um histórico de liderança em buscar soluções criativas para obter vantagens competitivas, inclusive recuperando ideias que foram utilizadas com sucesso no passado e posteriormente abandonadas. Em temporadas anteriores a fábrica italiana já tinha inovado com o recurso aerodinâmico das asas, que acabaram disciplinadas pelo regulamento e atualmente integram as carenagens de todos os fabricantes. Também criou a “lancheira” que alguns imaginam que possa conter componentes eletrônicos ou algum tipo de amortecedor de massa. Na etapa de Jerez o piloto Alvaro Bautista testou um braço de torque para melhorar a aderência traseira, nos testes do Catar as GP19 inovaram com um tipo de carenagem no braço oscilante aparentemente baixar a temperatura da roda traseira para prolongar a vida útil do pneu.

O início da temporada de 2019 está próximo e os resultados dos últimos testes sugerem uma competitividade muito grande. Nos resultados finais da etapa de testes do Catar os seis melhores tempos ficaram separados por meio segundo, todos os fabricantes estiveram representados entre os top ten, com não mais de um segundo de diferença, entretanto já está arraigada na cultura esportiva o dito popular que “Treino é treino, jogo é jogo”.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

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