MotoGP – Buriram 2019

Marquez x Quartararo

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

O circuito de Chang situado nas cercanias de Buriram na Tailândia foi o cenário de mais uma etapa eletrizante da MotoGP. As fortes emoções já começaram nos testes livres da sexta-feira, seguindo sua estratégia habitual, Marc Márquez conseguiu um tempo suficiente para evitar o Q1 no sábado e reservou o resto do teste para ajustar a configuração da moto para a prova. Em uma saída para pista, estava contornando uma curva em baixa velocidade quando sofreu um highside assustador. O piloto foi ejetado da moto, que capotou diversas vezes. Márquez sofreu um grande impacto e ficou atordoado, foi atendido pelos paramédicos e conduzido a um hospital para realizar exames complementares. Não houve registros na TV oficial e o acidente foi capturado exclusivamente por câmeras de segurança, cuja qualidade deixa a desejar. O equipamento ficou seriamente danificado.

Existem duas versões para explicar o acidente, Márquez assume que foi um erro seu, como estava em velocidade baixa fechou totalmente o acelerador e, como resultado, o freio motor foi acionado e provocou o imprevisto. Alguns representantes da imprensa especializada, que tiveram acesso aos destroços da moto, acreditam ter identificado indícios de uma falha mecânica (quebra) do braço oscilante.

Instado a comentar o incidente Andrea Dovizioso, até então o único com alguma possibilidade de postergar a decisão do título, explicou que existem dois tipos de pilotos, (1) os que exageram eventuais problemas de saúde para justificar baixa performance e (2) os estoicos que omitem o que sentem. Marc Márquez pertence ao segundo grupo, mesmo que estivesse sentindo algum desconforto em função do acidente, nunca utilizaria o fato como um atenuante para o seu desempenho.

Marc Márquez era a grande atração da prova na Tailândia, bastava abrir dois pontos sobre Andrea Dovizioso para conseguir o seu 6º título mundial na categoria principal. Houve algum tipo de apreensão até as autoridades médicas o liberaram para participar dos eventos de sábado e domingo. Na prova qualificação Márquez voltou a cair, desta vez sem maiores consequências, e conseguiu a última vaga da primeira fila.

Houve ainda uma ocorrência incomum no procedimento de largada, depois da volta de apresentação e antes da bandeira verde liberar o acionamento das luzes, a Ducati de Jack Miller (6º colocado no grid) simplesmente apagou. As máquinas italianas (e de quase todos os fabricantes) têm um modo específico para auxiliar o arranque inicial, que deve ser acionado instantes antes da largada. Miller, provavelmente confuso pelo excesso de adrenalina, acionou o botão errado e desligou o motor. O australiano largou dos boxes e manteve um excelente ritmo de corrida e, sem o atraso inicial se classificaria no entre os Top Five no final da prova.

Déjà vu é um galicismo que descreve o sentimento que um fato em andamento já aconteceu antes. O termo é uma expressão da língua francesa que significa: “Já visto”.

A prova em Buriram foi um Déjà vu da 13ª etapa realizada nesta temporada em Misano, GP de San Marino. A Yamaha de Fábio Quartararo assumiu a liderança na largada e foi seguida de perto pela Honda de Marc Márquez. O líder na contagem de pontos não tinha a menor necessidade de correr riscos, seu único concorrente ao título estabilizou-se na quarta posição e nunca constituiu uma real ameaça. O espanhol e o francês forçaram o ritmo e não foram acompanhados pelos outros competidores. Enquanto agiam como gato e rato, os dois quebraram o recorde da pista diversas vezes, nos registros finais a volta mais rápida da prova foi realizada por Marc Márquez. Acompanhando os tempos por volta ficou claro que a Honda era mais efetiva nos setores 1 e 2 e a Yamaha utilizava a sua melhor velocidade em curvas para obter vantagem nos trechos mais sinuosos, setores 3 e 4. Márquez estava decidido a comemorar o seu 8º título com uma vitória e ultrapassou Quartararo no início da última volta, o francês tentou o revide avançando por dentro na última curva, mas entrou sem trajetória e abriu demais na saída, permitindo que a Honda aplicasse o X e cruzasse a linha 0,171 segundos à sua frente. Assim como em Misano, Márquez tirou a vitória de Quartararo a poucos metros do final. A euforia do agora seis vezes campeão do mundo da MotoGP contrastou com a decepção do piloto francês, novato na categoria e que tem uma única vitória em mundiais, obtida em 2018 na Moto2.

O box da Honda não aprovou a decisão de seu principal piloto em perseguir a vitória, a segunda colocação já garantia o título e não fazia o menor sentido entrar em uma disputa intensa que poderia resultar em abandono. A TV conseguiu captar uma imagem de Carlos Puig, chefe da equipe, visivelmente contrariado com os riscos que Márquez corria nas voltas finais.

Além da disputa entre Márquez e Quartararo houve vida inteligente no GP da Tailândia. Depois de umas poucas voltas, as posições de Maverick Vinales (3ª) e Andrea Dovizioso (4º) ficaram estabilizadas, do 5º em diante houve alguma disputa de posições entre as Suzuki de Rins (5º) e Mir (7º) e as Yamaha de Rossi (8º) e Morbidelli (6º). Danilo Petrucci (9º) com a Ducati de fábrica e Cal Crutchlow (12º) com a LCR Honda tiveram um desempenho menor que o esperado, Jorge Lorenzo (18º) com a segunda Honda oficial chegou a quilométricos 54,723 segundos do líder.

A Yamaha decidiu, em atenção ao clamor da imprensa e do público em geral, cancelar a especificação de 500 rpm a menos no motor de Quartararo a partir da etapa da Tailândia e válido até o final da temporada. A medida visa proporcionar aos pilotos da equipe satélite melhores condições de disputa. A performance do francês da equipe Petronas nesta temporada tem algumas similaridades com as realizações de seu conterrâneo Johann Zarco no controle de uma Yamaha da Tech3 em 2017/2018. Em diversas oportunidades pilotos da Petronas conseguiram classificação melhor que os protótipos da equipe oficial. Na Tailândia, Valentino Rossi (8º) foi a pior Yamaha classificada.

Márquez e Honda já conquistarem os títulos de piloto e fabricante com 4 provas de antecedência. Ainda está em aberto o mundial de equipes, atualmente liderado pela Ducati. A fábrica nipônica acredita que ainda tem chances.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre

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