MotoGP – Austrália 2018

Phillip Island 2018

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

A ilha Phillip, que recebeu este nome em 1798 em homenagem ao govenador de Nova Gales do Sul Arthur Phillip, está localizada na Austrália, a 140 km de Melbourne. Ligada ao continente por uma ponte de 640 m, a ilha tem área total de 100 km² e uma população fixa de pouco mais de 10.000 habitantes. A economia do local é baseada em criação de ovelhas, fazendas de gado e a exploração de turismo. Uma das principais atrações é o Centro de Conservação de Coalas, uma entidade conservacionista de reputação mundial. Desde 1997 Phillip Island hospeda uma etapa do mundial de MotoGP.

A pista do GP da Austrália não apenas está inserida em um cenário paradisíaco, suas características são únicas, a pista é fluída e sem grandes pontos de frenagem, a potência e capacidade de retomada de velocidade dos protótipos não é muito importante. Durante o decorrer da prova a maior força das Ducati não foi muito significativa.

O fim de semana começou complicado para a Honda. O piloto britânico Cal Crutchlow, quinto colocado no mundial e um dos três que utilizam equipamento com os desenvolvimentos mais recentes da fábrica, caiu em um trecho onde as motos atingem velocidades de 240 km/hora. Segundo a serviço médico que o atendeu, Crutchlow “sofreu uma fratura no tornozelo direito e uma fratura parcial na parte anterior da tíbia”, está fora do GP da Malásia e é provável que só retorne na próxima temporada.

Embora o campeonato já estivesse decidido, a 18ª etapa do mundial apresentou múltiplas atrações. Nos dias que antecederam o GP Maverick Vinales, piloto da Yamaha, especulou com jornalistas que sua carreira poderia ser mais vitoriosa se pilotasse uma Honda ou uma Ducati. Dani Pedrosa anunciou o compromisso de colaborar com o desenvolvimento da KTM no próximo biênio, rompendo uma parceria com a Honda que iniciou em seu primeiro GP em 2001, na classe 125cc. A nova estrutura operacional da Repsol-Honda, implementada depois da saída de Livio Suppo no fim do ano passado, abriu um canal direto de comunicações entre os pilotos e os engenheiros de desenvolvimento. Pedrosa entende que as posições de Marc Márquez, pelos resultados obtidos, têm um peso maior na alocação de recursos técnicos e humanos da fábrica. As características da atual RC213V são ajustadas para o estilo de condução do campeão, inadequadas para pilotos com o seu biótipo. O pequeno espanhol reconhece que é uma medida administrativa racional e que, de certa forma, contribuiu para sua decisão de optar pela aposentadoria.

A prova iniciou muito disputada, confirmando que a equalização do desempenho entre os equipamentos é uma realidade. Márquez liderou as primeiras voltas sem conseguir abrir sobre os concorrentes. Na quarta volta perdeu colocações e, no final da grande reta, foi abalroado pela Yamaha de Johann Zarco. O francês estava desenvolvendo mais de 300 km/h ao colidir, a violência do impacto quebrou parte do quadro da Honda e obrigou o abandono do já campeão da temporada. Dovizioso liderou umas poucas voltas até ser ultrapassado por Maverick Vinales, que abriu uma vantagem cômoda e liderou até o fim.

Embora Vinales tenha conseguido uma vitória até tranquila, houve muita disputa nas posições seguintes que proporcionou alguma emoção aos (tele) espectadores. O resultado final apresentou a vitória da Yamaha (Vinales) depois da ausência da fábrica no ponto mais alto do pódio por 26 GPs. Os top ten incluíram equipamentos de todos os seis fabricantes, duas Yamaha, Vinales (1º) e Rossi (6º), duas Suzuki, Iannone (2º) e Rins (5º), três Ducati, Dovizioso (3º), Bautista (4º) e Miller (7º). A primeira Honda foi a de Morbidelli (8º), seguida da Aprilia de Aleix Espargaró (9º) e da KTM de Bradley Smith (10º).

A prova da Austrália comprovou o que a maioria dos que acompanham a MotoGP já desconfiava e alguns mais iluminados tinham certeza, a Honda RC213V sem Marc Márquez têm a mesma utilidade que um avião sem asas, uma fogueira sem brasas, o futebol sem a bola ou o Piu-piu sem o Frajola. Uma simples análise da pontuação no mundial de fabricantes indica que dos 339 pontos que garantem a liderança provisória da Honda, Márquez responde por 296, Cal Crutchlow por 35 e Franco Morbidelli por 8. Dani Pedrosa, o segundo piloto da equipe oficial Repsol-Honda não tem nenhuma contribuição nesta contagem.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

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