IVettel – Análise SWOT. Por Fernanda de Lima

Sebastian Vettel comemora tetra na Índia

“Você nunca é tão bom como os elogios, mas também nunca é tão ruim como as críticas”, Sebastian Vettel, tetracampeão mundial

Começar um negócio ou dar início a um novo projeto não é nada simples. Para investir em algo que lhe dê luzes de sucesso no fim do túnel é preciso planejar. O sucesso não nasce da noite pro dia, não o sucesso duradouro. Estou trabalhando num novo projeto e essa semana me deparei com algo que me lembrava vagamente da época da faculdade, a Análise SWOT.

A Análise SWOT é apenas mais uma das ferramentas utilizadas na hora de planejar os próximos passos de uma empresa, de um negócio ou de um projeto. A expressão SWOT origina-se das palavras Strenghts (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças). Exatamente assim ou de outra maneira, certamente a Red Bull passou por essa etapa para subir ao degrau em que se encontra hoje.

Com uma engrenagem que vem superando obstáculos e funcionando cada ano com mais perfeição, a equipe austríaca levou o título do Mundial pela quarta vez consecutiva. Não só o de pilotos, mas também o de construtores.

Vamos fazer uma análise SWOT da Red Bull e de Sebastian Vettel, não uma análise técnica, mas uma análise do que eu acho que acho que são as forças e fraquezas (no ambiente interno) e oportunidades e ameaças (no ambiente externo) dessa equipe que engatinhou, andou, correu e, consequentemente, vem voando!

FORÇAS
Projeto inovador. Desde sua entrada oficial, em 2005, a Red Bull parece não apostar em “mais do mesmo”, a inovação é peça fundamental para os números espetaculares alcançados nesse curto espaço de tempo. A sua evolução constante demonstra qual o seu real poder diante das demais equipes. A Red Bull corre pra frente, as adversárias pra trás, param nos obstáculos, perdem tempo, se perdem, mais reclamam do que encontram soluções. Um carro dentro do regulamento que humilha a performance de todos os outros. A Red Bull vai atrás da agulha no palheiro. E encontra!

O descobridor. Adrian Newey, 54 anos, é o projetista responsável pelos quatro carros vencedores da Red Bull e mais outros seis, com Williams (4) e McLaren (2).

Base qualificada. Os pilotos vindos da “categoria de base” da Red Bull são com certeza mais uma das forças da equipe. Nada de nomes consagrados, o objetivo da equipe é moldar os seus pilotos para, de fato, transformá-los em SEUS pilotos. O mais novo tetracampeão da F1, por exemplo, foi do programa de pilotos juniores da Red Bull. A escolha para o companheiro de equipe do alemão na próxima temporada segue o mesmo caminho, Daniel Ricciardo, vindo da Toro Rosso.

Piloto qualificado. Sério que ainda tem gente que acha que as conquistas de Vettel só se devem aos carros espetaculares de Newey?? Quando leio isso, me veem à cabeça aqueles memes insuportáveis sobre “recalque”. Tá, a tecnologia mudou tudo na F1, mas me recuso a aceitar que qualquer um, digo, qualquer um, no lugar de Vettel teria a mesma performance, os mesmo títulos. Pôta, o piloto ainda importa, sim!! Uns poderiam ter sido campeões com mais facilidade? Talvez.

Nunca saberemos. Eu concordo com Alain Prost que disse que o título desse ano foi o mais consistente da carreira de Vettel. Gostarmos ou não do estilo de pilotagem ou do próprio Vettel é uma coisa, não reconhecer a sua grandeza no cenário atual (e já na história da F1) é insanidade. Vettel é o melhor piloto da atualidade? Confesso que não sei responder. E por não saber responder, pulo rapidamente para outra pergunta: hoje, quem é melhor que Vettel?

FRAQUEZAS
A novidade. Ser a novidade nem sempre é bom. A Red Bull entrou para brigar contra cachorro grande, equipes com tradição na F1. A “inexperiente” diante das macacas velhas.

Inadequação da equipe diante do cenário mais espetacular do automobilismo. Explico: De repente uma marca de energético resolve se aventurar na F1, tem grana, contrata os melhores, aposta em “meninos”, mas ao mesmo tempo tem de passar pelas “provações” da categoria, tem de conquistar torcida, tem de adquirir credibilidade, tem de passar a ser vista como uma equipe, tem de ser respeitada e não mais reconhecida apenas pela bebida que dá asas.

OPORTUNIDADES
A novidade. Na “fraqueza” da novidade, a Red Bull enxergou também a oportunidade. Com o circo montado com o mesmo cenário há anos, a escuderia austríaca aproveitou a oportunidade de movimentar o mercado, com base e qualificação, encontrando os profissionais aptos a colocá-la no topo. Teve visão, viu uma lacuna e investiu para abocanhar até um novo público, que poderíamos apontar, entre outros, como as “viúvas” de Michael Schumacher. Com resultados, o carro, no começo, visualmente à margem do que tínhamos por aqui, atingiu também um público mais jovem, que, por causa das vitórias passou a criar identificação com a equipe. A marca é jovem, é consumida por jovens, patrocina esportes “para jovens”, na F1 era natural (com os resultados, é claro) que despertasse interesse.

AMEAÇAS
Ser apenas mais uma equipe no grid. Com as onipresentes Ferrari e McLaren, a Red Bull corria o risco de ser apenas uma “intermediária”, mais um nome para compor elenco.

IVettel, 26 anos, tetracampeão mundial
117 provas disputadas, 59 subidas ao pódio, 36 vitórias, 43 pole positions, 21 voltas mais rápidas. Piloto mais jovem a conquistar um tetracampeonato.

Para responder à difícil pergunta que fiz lá em cima, recorrerei aos números. E os números me dizem que sim. Sebastian Vettel é, hoje, o melhor piloto da F1.

Aqui não tem multa, não. Pode comemorar à vontade, Vettel:

Eu tenho medo de altura, então me borrei toda só de ver o que David Coulthard (dono de um dos carros da primeira temporada da Red Bull na F1) fez no alto no Burj Al Arab para comemorar o título de 2014:

Fernanda de Lima

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