F1 – Valeu a pena?

Robert Kubica

Por: Bruno Aleixo

Robert Kubica anunciou, durante a entrevista coletiva dos pilotos antes do GP de Cingapura, que não permanecerá na Williams para 2020. Agradeceu à equipe, disse que a volta à F1 depois de 8 anos foi a maior conquista de sua vida e que espera dar novos rumos à sua carreira a partir do ano que vem.

Bem, se você escuta o Loucos por Automobilismo, comigo, Fábio Campos e Adauto Silva, certamente não ficou surpreso com o anúncio. Desde o início dessa temporada do podcast já falávamos o quão temerária era a volta de Kubica à F1 e como o polonês, ainda que experiente, dificilmente ajudaria a Williams a conseguir algo relevante no ano, dada a ineficácia do FW-42, certamente o pior carro já produzido pelo tradicional time inglês.

É claro que a volta de Kubica à F1 foi uma história que deixou muita gente entusiasmada, mas a verdade é que, como previsto, esse entusiasmo não durou mais do que duas ou três provas. Andando sempre em último, mais de um segundo mais lento que seu companheiro de equipe, o bom estreante George Russell, Robert Kubica mostrou o quanto um carro de Fórmula 1 é exigente nos dias de hoje, embora ainda haja quem pense que exigência mesmo era o que se encontrava nos anos 70 e 80, quando o piloto precisava trocar marchas manualmente.

Pois a Williams produziu um volante inteiramente adaptado para Kubica, diante de suas dificuldades de movimentação do braço direito. E nem assim Robert mostrou-se sombra do que foi no passado, um piloto que, tranquilamente, poderia ter sido campeão mundial. Mas a realidade é dura: Kubica já havia sido recusado pela Renault, depois de testar duas vezes pela equipe, e também pela Manor, no WEC. Na própria Williams, aliás, seus primeiros testes, em 2017, foram privados e não tiveram os tempos revelados pela equipe, o que já mostrava que algo não ia bem.

Para 2018, Kubica foi contratado para ser piloto reserva, preterido ante o endinheirado russo Sergei Sirotkin. Mas, em 2019, a petrolífera polonesa PKN Orlen resolveu cobrir a oferta russa e a Williams, que olha muito mais para o bolso do que para o braço, decidiu apostar.

O resto é apenas a história de 2019. Muita gente embarcou no conto de fadas representado pela volta de Kubica, mas a verdade é que a história não se sustenta. Embora seja, de fato, uma conquista que o polonês deve celebrar, fica a lição para as equipes do quão prejudicial pode ser contar com um piloto sem condições físicas plenas para conduzir seus carros.

A Kubica, desejo que encontre uma categoria na qual possa, de forma definitiva, reencontrar seu imenso talento e celebrar sua volta às pistas, depois do gravíssimo acidente sofrido em 2011, com boas corridas, vitórias e títulos. Aí sim, estaremos diante de uma bela história de superação.

Bruno Aleixo
São Paulo – SP

AS - www.autoracing.com.br

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