F1 – UPs: Ferrari x Mercedes x Honda x Renault

Unidade de potência Honda RA617H

Por: Adauto Silva

No GP do Bahrain, ficou bastante óbvio para as equipes que fizeram medições, que apesar dos ganhos obtidos pela Honda do ano passado para esse, os japoneses ainda estão atrás da Mercedes e da Ferrari, mas chegaram na Renault.

Os métodos para medir desempenho de motor feito pelas equipes, que os usam para tentar identificar a potência dos motores adversários, é uma combinação de um medidor de som, GPS e simulação de quanto downforce os carros dos adversários estão naquele momento. Tudo isso é colocado num software e ele faz as “contas” baseado na potência do carro da própria equipe, que só ela sabe.

Existem empresas que fazem essa medição somente baseadas no ronco do motor, mas muita gente – e eu me incluo nessa – não acredita muito nessa medição sozinha.

É por isso que ninguém costuma “cravar” a potência exata dos carros, porque na verdade cada equipe só tem certeza absoluta da potência do seu próprio carro.

Então, baseado em uma das equipes de ponta, nós conseguimos saber qual o déficit ou superávit dela em relação às outras equipes.

A informação que tenho é que o motor Mercedes gera entre 1000 e 1100 hp. Então resolvi considerar que os alemães tem 1050 hp, porque a potência exata eu sei que não vou conseguir descobrir de jeito nenhum, uma vez que dentro da própria equipe pouquíssimas pessoas sabem o valor exato.

E isso ocorre em todas as equipes. Trata-se de um dos segredos mais bem guardados de todas as equipes de F1.

Mas isso não invalida o que está a seguir e você vai entender porquê.

Tem se falado que a Ferrari está com muito mais potência que a Mercedes. Não está, pelo menos pelas minhas fontes.

A Ferrari tem 10 hp a mais, que apesar de dar uma vantagem aos italianos, está longe de ser uma diferença grande. Mas olhando com atenção os dados de GPS, o que a Mercedes sabe é que a Ferrari tem uma vantagem boa no torque, ou seja, na força do motor, no quanto ele demora para chegar na máxima de cada reta do circuito do Bahrain, por exemplo.

Mercedes e Ferrari estavam contornando as curvas com velocidades muito parecidas (com os mesmos pneus) no Bahrain. A vantagem da Ferrari era na aceleração. 20 metros depois das curvas os carros estavam praticamente na mesma velocidade (o que exclui tração). 50 metros depois a Ferrari já tinha 5% mais de velocidade que a Mercedes. 200 metros depois a vantagem passava para 8% e em 300 metros a Ferrari já alcançava sua máxima velocidade naquela determinada reta. Isso com todos usando DRS nas zonas permitidas, pois essas medições foram feitas na classificação.

A Mercedes alcançava praticamente a mesma velocidade nas retas, mas demorava mais para chegar lá. Enquanto a Ferrari precisava de 300 metros, os alemães tinham que percorrer 350 metros de reta para atingirem sua máxima. Por isso, o déficit que a Mercedes precisa tirar na primeira atualização de UP nessa temporada vai ser no torque. Eles vão se concentrar nisso, enquanto os italianos se concentrarão no problema que aconteceu na UP de Leclerc, que tirou dele uma vitória praticamente certa no Bahrain.

Valendo-se das mesmas medições, onde estão Renault e Honda?
No ano passado, a Renault fez ganhos significativos para diminuir a diferença para a Mercedes e a Ferrari, mas sofreu com problemas de confiabilidade da UP, e infelizmente isso ainda parece estar acontecendo. Múltiplas falhas já nesta temporada arruinaram corridas de equipes com UP Renault, todas relacionadas ao MGU-H, que usa o tremendo calor gerado no eixo giratório que liga a turbina ao compressor. A grande questão aí é que trata-se de um problema que eles não conseguiram resolver de forma definitiva em cinco anos.

Mesmos assim, o déficit que a Renault tem em relação a Mercedes está em cerca de 48 hp, o que é importante e difícil de tirar no resto do carro. A Renault vai precisar se concentrar em potência e confiabilidade nas próximas atualizações. Não acredito que eles consigam nessa temporada ameaçar os carros da Mercedes e da Ferrari, a não ser em circunstâncias muito especiais.

Mas o pior de tudo para os franceses é que a Honda ultrapassou a Renault. Por muito pouco, mas ultrapassou. A UP Honda tem cerca de 8 hp a mais que a da Renault neste momento e mostra muito mais confiabilidade até agora! Nunca esquecendo que foram apenas duas corridas até agora esse ano…

E isto significa que a Honda tem um déficit para a Mercedes de 40 hp, número que nós já tínhamos informado aos leitores do Autoracing durante a pré-temporada. Em Barcelona o déficit nos primeiros dias de treino eram de 60 hp, mas descobrimos que eles tinham 20 hp na manga para testar no penúltimo dia com a Toro Rosso e no último com a Red Bull. Esses 20 hp estavam no software e a Honda queria ter certeza que a UP não quebraria com todos eles sendo despejados por voltas e voltas seguidas.

Eles testaram na Toro Rosso e foi um sucesso. Mais de 100 voltas sem um único problema. Então puseram na Red Bull no último dia, mas foram apenas 20 voltas antes de Gasly bater.

É uma boa notícia para a Honda, mas lamentável para os fãs de Max Verstappen, que dificilmente verão o holandês ganhar uma corrida com tempo seco em circunstâncias normais, pelo menos até uma nova especificação dos japoneses ser capaz de tirar mais 25 hp no mínimo de diferença, o que não é fácil, já que Mercedes e Ferrari não estão paradas no tempo e continuam desenvolvendo suas UPs.

Adauto Silva
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