F1… Talento ou tecnologia

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Nelson Piquet com a Brabham BT52

Colaboração: Antonio Carlos Mello Cesar

Passado e presente na F1, formação de pilotos, talento, vácuo ou asa móvel, arguição controvertida. Meu posicionamento, talvez arcaico, peculiar a todo saudosista, tem raízes na crença de que tempos pregressos eram melhores.

Um jornalista, no começo dos anos 90, perguntou a Senna: Você poderia dar algumas explicações sobre a utilização do vácuo? “Mais acertado indagar os outros pilotos, afinal, eles que andam no meu vácuo” respondeu Ayrton.

O vácuo, de súbito, banido, esvaeceu-se do glossário da F1, malgrado continuar trabalhando em categorias menos badaladas, ficou na memória dos puristas, nos vídeos abalizando notáveis confrontos de frenagem ao final das retas.
Emerge uma nova responsável pelas ultrapassagens, asa móvel, embuste similar à criação de um game designer, incompatível com o espírito genuíno das corridas de automóvel.

Nos dias que correm, crianças iniciam suas aventuras no Kart muito mais pela vontade paterna, ainda púberes vão provar alguma habilidade nas classes de base e como aulistas tencionam passar de ano, ascender uma categoria, tal e qual o estudante cursando escola milionária.

Mesmo passo, antes do cobiçado teste no cockpit de um F1, semelhante à formação de pilotos da aviação, infinitas horas serão gastas nos simuladores das equipes. Isto, certamente não impede o introito de futuros gênios no meio das competições, todavia nota-se certa ausência de fervor, do talento nato, contraposto ao programado.

No Brasil não se podia correr de automóvel com idade inferior a dezoito anos, Paradigma de paixão, aptidão natural, Nelson Piquet, jovem ainda, não obstante a próspera filiação, o médico e ex-ministro Souto Maior, foi trabalhar como mecânico numa oficina, ali, participou ativamente da preparação de um VW para divisão 3, carro que lhe rendeu sete vitórias na Copa Planalto. Usava, nesse tempo, nome falso, pois a família era avessa às peripécias velozes do rebento.

Parte de um todo, atualmente, o preparo físico ganhou destaque no sucesso dos corredores da F1. Para tanto são contratados nutricionistas, treinadores, avaliadores físicos; sintetizando, estafe de peso.

Era Fittipaldi, Stewart… Centenas de trocas de marcha, luva rasgada, mão na carne viva, embreagem dura, freio mecânico, volante pesado, desprovido de qualquer assistência, velocidade acima dos 300 km p/hora, morte rondando, desgaste corporal, três kg de peso perdidos numa tarde de Grand Prix.

Para mais de sóbrios exercícios, alimentação moderada, o insigne, aclamado Jim Clark, conjuntamente a F1, participava de provas do mundial de endurance, turismo inglês, formula 2, chegando num determinado ano a estar presente em 42 competições, assegurando, assim, excelente forma.

Pode ser nostalgia e certamente o é, contudo, campeões noutrora se aparentavam mais completos, tinham a indeclinável tarefa de acertar seus carros, desde relação de marchas, freios, suspensão, até os apêndices aerodinâmicos, além de traçar as próprias estratégias quanto a desgaste pneus, freios, temperatura etc.. Hoje táticas elaboradas pelos boxes, computadores, engenheiros, mutáveis ao sabor da prova, são responsáveis pôr um sem número de vitórias.

Ademais, largavam sob forte chuva, em pistas pouco seguras ou irracionalmente desafiadoras, perigosas, como Nurburgring. Tempos de coragem.

Gérard Ducarouge, da equipe Lotus Renault, declarou: Senna nos oferece informações tão precisas, que muitas vezes ignoramos a telemetria e seguimos seus conselhos. Em 1987 o engenheiro incumbido dos motores Honda, na Williams, durante o tricampeonato de Piquet, enalteceu o brasileiro: Ele possui extraordinária sapiência sobre carros, táticas, pilotagem, motores e corridas, mesma maneira que uma pessoa dotada de igual saber em qualquer ramo de atividade será considerado gênio.

Instigante acompanhar, nos dias atuais, progresso dos pneus superaderentes, freios taxativos, imobilizando um F1 dentro de curtíssimo espaço, o incremento aerodinâmico a oportunizar contorno de curvas como se fossem retas. Antagônico ao disparatado avanço tecnológico, pilotos acabaram nivelados entre si e abaixo dos grandes protagonistas que os antecederam na categoria.

Curvas icônicas como Eau Rouge, Bélgica, a 130R no circuito de Suzuka, presentemente, sem distinção, de Kubica a Hamilton, passando por Stroll, Grosjean, dela aproximam-se, casa dos 300 km/h e a circundam sem frear ou reduzir. Mérito pleno da máquina, pouca valia do condutor, feição oposta ao ciclo onde devido às fronteiras do equipamento, era necessário buscar limites, segurar no braço, arriscar para ganhar preciosos décimos em curvas assustadoras.

O vigente recorde de pole positions, cujo depositário é Hamilton, caso tenha a eficiência dos números submetidos a cálculos percentuais, irá sucumbir acareado aos ícones do passado.

Percentual de poles, frente quantidade de GPs disputados: Fangio 55,76% / Clark 45,20% / Senna 40,12% / Hamilton 35,08%.

Antonio Carlos Mello Cesar
São Paulo – SP

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