F1 – Saiba um pouco mais sobre a Hungria e seu GP

Circuito de Hungaroring

A história do GP da Hungria começou, na verdade, em Monte Carlo, no GP de Mônaco de 1983. Durante o final de semana, Bernie Ecclestone, o homem que comanda a Fórmula 1, contou para um amigo que sua família tinha origem húngara, e que gostaria de ver uma prova do Mundial atrás da então “cortina de ferro” imposta pela Europa Oriental depois da segunda grande guerra. A sugestão foi levada para o ministro das relações internacionais, que deu início ao projeto de ter a Fórmula 1 de volta ao país depois de quase cinco décadas sem grandes eventos do automobilismo.

Foram dois anos e meio de negociações até a assinatura do contrato – em setembro de 1985 – para que a Hungria tivesse seu GP por cinco anos. Em oito meses, o circuito ficou pronto em uma das cidades mais bonitas do calendário da Fórmula 1: Budapeste. E a categoria máxima do automobilismo desembarcou em Hungaroring para seu primeiro GP, que aconteceu em 10 de agosto de 1986. A ideia de Bernie Ecclestone, insana em um primeiro momento, estava concretizada. E a Fórmula 1 entrava em um país socialista, que não saiu mais do calendário, e tem contrato para receber a categoria, pelo menos, até 2021.

O Brasil tem um excelente retrospecto na corrida. Nelson Piquet, pela Williams, venceu as duas primeiras edições, em 1986 e 1987. Ayrton Senna, na McLaren, ganhou três: 1988, 1991 e 1992. Rubens Barrichello, na Ferrari, venceu em 2002. Os maiores vencedores são o alemão Michael Schumacher e o inglês Lewis Hamilton, com quatro vitórias cada. O espanhol Fernando Alonso, em 2003, venceu em Hungaroring pela primeira vez na categoria.

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Conheça um pouco mais da Hungria

A República da Hungria é um país da Europa Central. Em termos de fronteiras, tem a Eslováquia ao norte, a Ucrânia a nordeste, a Roménia ao leste, a Áustria ao oeste e Sérvia, Croácia e Eslovénia ao sul. O território é basicamente plano, sendo mais montanhoso ao norte. O maior rio é o Danúbio, que praticamente divide a Grande Planície Húngara e a chamada zona de montanha. Tem também o maior lago de água doce da Europa, o lago Balaton.

A população basicamente é formada por pessoas oriundas da própria Hungria, 98% do total. Também existem grupos minoritários: ciganos, alemães, eslovacos, croatas, sérvios e romenos. As principais cidades são a capital Budapeste (1.930.000 habitantes), Debrecen (210.000) e Misklolc (182.000).

A população total é de 10,06 milhões de habitantes. A data nacional é 20 de agosto, o Dia da Constituição. A densidade demográfica é de 109 hab./km2, e o clima predominante temperado continental. O idioma oficial é húngaro, mas também se fala alemão, eslovaco, ucraniano, esloveno, sérvio, croata e hebraico. A religião mais difundida é o cristianismo.

O regime político vigente é o Parlamentarismo, e o principal órgão de poder é o Governo, liderado pelo Primeiro Ministro, que deve nomear os demais ministros que também precisam ser aprovados pelo Parlamento. A Assembleia Nacional (Orszaggyulés) exerce o poder legislativo, e os deputados são eleitos de maneira mista, por voto proporcional e maioritário. O mandato é de quatro anos. Já o Presidente da República, eleito a cada cinco anos, é o Chefe do Estado, é representativo, propõe leis e pode realizar referendos.

A Hungria é um bom exemplo de sucesso na passagem de uma economia socialista para de mercado, sendo que o setor privado garante 80% do PIB. A maior parte de suas exportações é destinada a países europeus, sendo que ferramentas industriais, equipamento de transporte, químicos, motores para veículos, maquinaria eléctrica e têxteis são os ítens mais difundidos.

O circuito de Hungaroring

f111-hungaroring-visa-aerea-350O circuito, batizado de Hungaroring, foi construído dentro de um vale natural. Por isso, praticamente 80% da pista pode ser vista de qualquer ponto, que rendeu também o apelido de “prato raso”, porque os espectadores assistem as provas como se estivessem sentados na imaginária borda de um prato. O traçado original da Hungria tinha 4.013 metros quando inaugurado em 1986. Três anos depois, uma pequena reforma visando mais um ponto de ultrapassagem deixou a pista com 3.971 metros. A última grande modificação aconteceu em 2003, quando a reta principal ganhou 202 metros, passando a ter 788, e deixou o circuito com um total de 4.381 metros.

O circuito de Hungaroring foi inaugurado no dia 24 de março de 1986, com a realização do Drapal Memorial Race. Hungaroring tem 14 curvas, uma pista tortuosa e considerada de difícil ultrapassagem, só ganhando de Mônaco no atual calendário da Fórmula 1. As condições de aderência no asfalto são bastante modestas e muitas vezes as rodas ficam bloqueadas nas freadas. O traçado húngaro é caracterizado por possuir muitas curvas de baixa velocidade e a ventilação dos discos de freio é vital para evitar problemas durante a prova além de eventuais abandonos.

A primeira corrida de Fórmula 1 em Hungaroring foi realizada no dia 10 de agosto de 1986. A vitória foi de Nelson Piquet, que pilotou uma Williams. No ano seguinte (1987), a vitória foi novamente do brasileiro. A vitória de Nelson Piquet no GP da Hungria de Fórmula 1 em 1986 também ficou marcada por uma das mais bonitas ultrapassagens da história da categoria. A disputa entre Piquet e Ayrton Senna começou logo na largada e durou quase a prova toda. Senna saiu na frente, Piquet passou, mas logo depois teve de parar nos boxes. A Williams demorou a trocar os pneus e Piquet acabou voltando atrás de Senna. A primeira tentativa de ultrapassagem não deu certo, Senna fechou a passagem e Piquet teve de recuar. Duas voltas depois, Piquet fez outra tentativa, que se tornou uma das manobras mais espetaculares da história. Piquet ameaçou entrar por dentro e, para se defender, Senna jogou o carro para a direita e ficou no meio da pista. Piquet então puxou o carro para o lado de fora e deixou para frear o mais tarde possível, completando a ultrapassagem no último metro de pista, derrapando nas quatro rodas e não deixando espaço para o rival reagir. A manobra mereceu o seguinte comentário do consagrado Jackie Stewart: “foi como fazer um looping com um Boeing 747. A manobra mais bonita que já vi na Fórmula 1”.

Eduardo Behling
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