F1 – Os 30 anos sem o sueco voador

Ronnie Peterson

O 11 de setembro na Fórmula 1 não é uma das datas mais felizes para seus fãs. Hoje, lembramos os 30 anos da morte de um dos mais empolgantes e arrojados pilotos que a categoria viu, Bengt Ronald Peterson, ou simplesmente Ronnie Peterson.

Como não podia deixar de ser, o #Autoracing+ presta sua homenagem a este sueco que até hoje deixa saudade em muitos apaixonados pelas corridas em todo o mundo.

30 anos sem o sueco voador

Ronnie nasceu em Orebro no dia 14 de fevereiro de 1944 e desde criança tinha paixão pelos esportes, em particular o bicicross, mas herdou de seu pai, um padeiro de profissão a paixão pela mecânica e isso o ajudou em seu começo de caminhada nas pistas de corrida, levando-o a conquista de seu primeiro título, o sueco de kart de 1960 aos 16 anos. Contudo, ele teve que trabalhar para manter sua paixão e ele desempenhou funções como mecânico em uma concessionária Renault e numa empresa de manutenção de elevadores.

Rumo à Fórmula 1

Ainda assim ele conseguiu destaque nas categorias de base do automobilismo local e faturou em 1969 o sueco de F3 e em 1970 ele já estava na F2. No mesmo ano, ele já estreou na F1, com um honroso 7º lugar no Grande Prêmio de Monaco. Porém, em 1971, na March, a mesma equipe por qual estreou em 70, ele se firmou de vez como uma das estrelas da companhia. Naquele ano ele passou em branco em relação as vitórias. Esteve preto de vencer em Monza, perdendo o triunfo por apenas um centésimo para Peter Gethin (BRM) e ainda assim faturou o vice-campeonato mundial, ficando atrás apenas do campeão, Jackie Stewart (Tyrrell). No mesmo ano, ele conheceu a América do Sul quando veio ao lado de outras feras disputar um torneio de F2 nas pistas de Córdoba (Argentina), Interlagos e Tarumã (Brasil). O estilo arrojado e destemido do sueco encantou os brasileiros, fazendo com que ele fosse mais aplaudido que o herói local, Emerson Fittipaldi. Ronnie teve uma pane e abriu caminho para um triunfo do “Rato”.

Barbro e Ronnie

Consolidando o mito

O ano na F1 para Peterson não foi dos melhores, mas em outras categorias como a F2 e no mundial de marcas ele conseguiu várias vitórias, com maior destaque nos 1000km de Buenos Aires e Nurburgring, em companhia do australiano Tim Schenken. Para 1973, mudança de equipe e cores. O sueco deixou o March conhecido como “tábua de passar roupas” e assumiu o segundo carro da Lotus, pintada com as cores preta e dourada e teria a companhia de seu melhor amigo nas pistas e fora delas, Emerson Fittipaldi, campeão mundial no ano anterior. A chegada na nova escuderia fez bem ao “sueco voador”, que venceu pela primeira vez na F1, no GP da França e ainda somou mais três vitórias (Áustria, Itália e EUA Leste) concluindo o ano na terceira colocação.

Número 1 em 1974

Número 1 sem ser campeão mundial

Em 1974, um fato inusitado, Peterson ostentou nos modelos 72 e 76 da Lotus o número 1. O curioso desta história é que ele não era o campeão mundial de 1973, mas como Stewart pendurou o capacete no fim do ano anterior, a FIA decidiu distribuir a numeração de acordo com as colocações entre os construtores no ano anterior e como a equipe de Colin Chapman foi a campeã, ela ficou com os números 1 e 2. Em 1974 ele venceu nos Grandes Prêmios de Mônaco, França e Itália e terminou aquela temporada na quinta colocação. O ano de 75 foi ruim para a Lotus e ajudou a deteriorar a sua relação com a equipe. A vontade de mudar de escuderia era tanta que em Interlagos ele chegou a negociar uma ida para Shadow, com a ida de Tom Pryce para a Lotus, mas na hora de bater o martelo Colin Chapman disse não e teve que aturar um sueco contrariado durante todo aquele ano onde ele somou apenas seis pontos.

Peterson no Tyrrell de 6 rodas

Os anos longe da Lotus

O ano de 1976 ainda começou pintado de preto e dourado. Peterson ainda disputou o GP Brasil daquele ano pela Lotus com um nada competitivo modelo 77, mas logo depois deixou a escuderia abrindo lugar para seu compatriota Gunnar Nilsson. O destino de Ronnie foi a March. O carro de número 10 mudava de patrocinador a cada corrida, enquanto que o 9, usado por Vittorio Brambilla estava sempre pintado de laranja com o patrocínio de uma empresa de ferramentas. Pouco antes do GP da Itália, a única vitória dele naquele ano, ele anunciou que estava de mudança para Tyrrell, onde pilotaria o lendário modelo P34, o carro de seis rodas. Porém, o ano de 1977 foi outra decepção e ele somou apenas sete pontos enquanto que seu companheiro de equipe, Patrick Depailler somou 20. Algo precisava ser feito, pois para muitos a sua carreira estava chegando ao fim e ele era taxado de acabado.

1978, o último ano

Peterson em ação

Graças aos US$ 500 mil pagos por uma marca de trailers, ele conseguiu novamente um lugar na Lotus, mas sua volta à escuderia de Chapman não foi o que ele esperava. O dirigente ainda tinha uma mágoa com o sueco pelo fato de ele ter deixado a equipe em seu pior momento e investiu sua atenção e dedicação em Mario Andretti, que somara vitórias em 76 e 77, ajudando a reerguer a equipe. Para defender a Lotus, além de ter que pagar, havia uma condição (não confirmada) contratual, Peterson nunca poderia chegar à frente de Andretti nas corridas, apenas se o norte-americano de origem italiana abandonasse ou tivesse problemas em seu carro. As suas qualidades como piloto ainda permaneciam presentes, tanto que no Brasil, segunda corrida do ano ele abandonou devido a um incidente com Gilles Villeneuve (Ferrari), com quem tinha tido um entrevero na prova de Fuji, no Japão em 1977. A irritação com o novato canadense era tanta que a caminho do box ele fez alguns gestos para o piloto do carro 12.

As vitórias reapareceram logo. Na África do Sul, ele largou em 11º e venceu superando o seu ex-companheiro de equipe na Tyrrell, a um quilômetro da bandeirada. Outras dobradinhas aconteceram durante o ano e a sua última vitória como piloto de F1 aconteceu na Áustria, corrida em que a chuva apareceu e acabou eliminando alguns pilotos da prova, entre eles, Andretti. Na corrida seguinte, na Holanda, Peterson teve que levantar o pé para não ultrapassar Andretti, que tinha problemas num cano de escapamento de seu carro e só venceu devido a ordem estabelecida no começo do ano por Chapman.

10/09/1978 – Monza

Desgostoso com as humilhações na Lotus, o sueco estava buscando uma nova casa para 1979 e um novo destino estava pintando no horizonte, a McLaren onde ocuparia o lugar de James Hunt.

Antes desta corrida, Ronnie tinha uma desvantagem de 12 pontos para Andretti e restavam três corridas para o fim da temporada. Só que o dia da corrida que começou ruim, se revelaria trágico. Na classificação, Andretti, o estimado piloto de Chapman, principalmente por acreditar na Lotus mesmo nos seus piores momentos, ficou com a pole e Peterson com o sexto tempo. No warm-up, ele acabou batendo o carro e para a corrida, Colin ordenou que Peterson usasse o velho modelo 78, enquanto que o modelo 79 reserva estava ajustado para Andretti. Aquela foi uma decepção e tanto para o sueco, que sentiu ali ter ganho o motivo definitivo para acabar o ano e se mandar da Lotus para nunca mais voltar.

Os mecânicos trabalharam rapidamente para ajustar um carro que há mais de seis meses não era usado e ele alinhou no grid de largada. Naquele ano foi adotado um novo procedimento de largada, onde ao invés de se esperar a descida de uma bandeira com as cores do país onde era realizada a prova foi adotado o semáforo. Porém a estréia deste não foi das melhores.

A pista de Monza, na época tinha uma reta dos boxes bastante larga, com cerca de 40 metros de largura, mas a caminho da primeira chicane ela se estreitava abruptamente para 12 metros e quando os carros alinharam, na verdade nem todos, já que os carros que ocupavam os lugares mais distantes no grid não tinham alinhado por completo, a largada foi dada pelo diretor de prova Gianni Ristelli. Andretti e Villeneuve conseguiram sair na frente, mas la atrás uma confusão. Riccardo Patrese (Arrows) tentou vir para dentro da pista e bateu em James Hunt, que acabou batendo em Peterson. O inglês da McLaren disse ter ficado com a impressão de que o carro de Peterson tivesse perdido velocidade repentinamente e a realidade é que com o choque Peterson ricocheteou para o guard-rail do lado esquerdo e parou no meio da pista já em chamas. Outros carros bateram. As mais fortes vitimas deste acidente foram Peterson e Brambilla. O italiano teve uma roda chocando-se com sua cabeça, mas depois recuperou-se.

Carro de Peterson depois do acidente

Peterson foi resgatado do seu carro por Hunt e levado para o centro médico do autódromo. Em seguida ele foi encaminhado para o hospital Ninguarda, em Milão, onde teve várias fraturas, 27 ao todo e acabou tendo o pé esquerdo e alguns dedos do pé direito amputados, ainda correndo o risco de ter também o pé direito submetido a mesma cirurgia de amputação. Apesar disso, os primeiros boletins davam conta que a evolução de sue estado de saúde era boa, que a pressão sanguínea estava boa e que ele encaminhava-se para a recuperação. Porém com o cair da noite sua saúde piorou e no começo da madrugada do dia 11 ele não resistiu a uma embolia pulmonar, deixando os pai Bengt (1913-1999) e a mãe Mary-Britt (1919-2000), a viúva Barbro e sua única filha, Nina. Barbro ainda viveu por mais alguns anos com John Watson, mas veio a falecer em 1987 suicidando-se ao tomar barbitúricos.

Nina, que se casou com Carl-Johan, deu a luz em 2003 a um filho chamado Max Ronald. O único irmão de Ronnie, Tommy trabalha com óticas e vive na casa que era de sues pais em Orebro.

Peterson em ação

Sandro Varela – 11/09/08
www.autoracing.com.br

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